Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Melhor Política

Melhor Política

Votar: queres escolher tu, ou escolho eu por ti?

Janeiro 27, 2022

Sérgio Guerreiro

7F127508-C958-4B50-970C-AE88E85BE972.jpeg

Há duas hipóteses para quem ainda não foi votar: ou acarreta a decisão dos outros, ou decide fazer parte da escolha.

Se é legítimo qualquer delas, a primeira significa coisa nenhuma enquanto a segunda é estar presente activamente na vida democrática e política fazendo pleno uso de um direito pelo qual muitos lutaram e morreram com um mero objetivo: para que hoje pudéssemos todos de forma livre e democrática, escolher conforme as nossas convicções, o melhor para todos e enquanto sociedade.

 

O estudo “ Os jovens em Portugal hoje” realizado pela Fundação Manuel dos Santos ( FFMS) conclui que entre 4904 jovens inquiridos entre os 18 e os 34 anos, representando um universo de 2,2 milhões de jovens, 14% nunca votaram. Segundo Howard Williamson, professor de Política Europeia da Juventude na Universidade de South Wales, os jovens “ estão compreensivamente desiludidos com alguns de seus líderes políticos.

 

Para além do exercício de um direito cívico, votar é mostrar de forma concreta o que se pretende ou mesmo o que não se pretende, e nada mais errado que não atribuir ao voto a verdadeira a importância que ele por ter na vida concreta de cada cidadão.

A composição da nossa Assembleia da República, depende daquilo que nós mesmos escolhemos e com o qual nos possamos identificar, mas não votar pode desenhar um quadro parlamentar bastante diferente daquele que todos desejamos.

Se grande parte dos cidadãos não exercer este tão importante direito para o pleno funcionamento da democracia, só há duas possíveis leituras: que está tudo bem como está, ou ir votar ou não, não vai alterar coisa nenhuma.

Obviamente que não está tudo bem e obviamente que votar pode alterar tudo continuando a reclamar a mudança do país à mesa do café.

Certamente não faltarão motivos para votar, basta escolher um .

Estas eleições revestem-se de particular importância pelas mais variadas razões, embora todas elas afectem o nosso quotidiano. As eleições legislativas tem na minha opinião um maior impacto. Desde logo porque é desta eleição que nascerá um programa de governo com a posterior apresentação de um Orçamento do Estado que influencia diretamente a nossa vida e a nossa carteira.

Se por lado, como atrás afirmei que não votar é legítimo pela escolha da não participação, é errado pensar-se que a abstenção favorece alguns dos partidos, prejudicando de forma objectiva toda uma sociedade que deve estar unida na busca de soluções aos problemas de todos.

É um facto inegável que não votar, não significa a perda de direitos, mas será legítimo que pela via da demissão da escolha se possa  criticar as opções políticas e públicas que a todos dizem respeito ?

Estando perante um direito que não se exercendo, parece ser do ponto de vista moral adequado afirmar-se,  se não se votar poderá este facto ser entrave à manifestação de desagrado pela concretização uma qualquer política. Antes de tudo ser concretizado a montante,  todas as políticas foram uma opção, ou seja, foram na generalidade dadas a conhecer como uma escolha a fazer por parte de cada um de nós.

A abstenção que não favorece ninguém prejudicando de facto todo o país na medida em que o rumo que se toma podia ser outro, é sinónimo de um espectáculo onde uma grande parte prefere não ter papel algum e onde poucos são os verdadeiros protagonistas que dão o corpo às balas. Somos poucos ainda a fazê-lo, mas estou em crer que vamos ser cada vez mais. 


Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub