Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Melhor Política

Melhor Política

Obrigado Eunice

Abril 15, 2022

Sérgio Guerreiro

421EFC78-4333-4E08-9261-CA3369BFCF7E.jpeg

Aos 93 anos Eunice do Carmo Munhoz despede-se dos palcos e das palmas na representação da peça, a par com a sua neta Lidia “ A margem do tempo. Aos 93 anos  Eunice do Carmos Munhoz despediu-se de todos nós.

Foram 80 anos de uma carreira dedicada ao teatro. Começa aos 13 anos ( 1941) e estreou-se profissionalmente no Teatro Nacional D. Maria II, na peça "Vendaval", de Vírginia Vitorino, no papel de Isabel, numa encenação de Amélia Rey Colaço.

A peça com a qual Eunice se despede dos palcos é do autor alemão Franz Xaver Kroetz (1946), a peça revela-se "uma longa didascália", "sem monólogo e sem diálogo", no qual a senhora Rasch, personagem partilhada pelas duas atrizes, convida os espectadores a assistirem a um final de tarde num dos seus dias repetidos, igual a todos os anteriores.

Com música original de Nuno Feist e encenação de Sérgio Moura Afonso, "A margem do tempo" põe diante do público a humanidade de uma mulher mais velha, Eunice Muñoz, que vai relembrando a monotonia dos dias repetidos, que se materializam numa mais nova senhora Rasch, Lídia Muñoz, que vai caminhando em direção ao seu "eu mais soturno e nostálgico"

 

De sorriso brilhante e inigualável, Eunice é e será uma lenda do teatro Português. Na casa onde se estreou, teatro D.Maria II em Lisboa, cai agora o pano das recordações, e nós Portugueses, devemos a esta magistral actriz o poder de sentir as diversas emoções.

 

Eunice Muñoz deu ainda voz a quatro discos de poesia, tem sido presença assídua em novelas e séries televisivas, entre as quais “A banqueira do povo” (1993), um trabalho inspirado na história real da banqueira Dona Branca e na qual “vestiu” a pele da protagonista.

Dos sorrisos às lágrimas, dos arrepios na pele à alegria momentânea, Eunice deu-nos tanto mas tanto, que o nosso agradecimento deve ser sempre relembrá-la respeitando o teatro e os actores. É essa a nossa responsabilidade. Se para Eunice Munhoz “ o teatro mostra-nos que o belo ainda existe”, para todos nós a Eunice representa uma geração de actores e actrizes resilientes. Ela é a representação viva e máxima que o amor pelo se faz, não tem idade para ser feito. O pano para Eunice Munhoz nunca desce e as palmas, essas nunca terminarão.

Obrigado Eunice.


Camarate: sem justiça 41 anos depois.

Dezembro 04, 2021

Sérgio Guerreiro

60D0D844-C68F-4A43-B8F9-37C7EFEB4340.jpeg

A 4 de dezembro de 1980 , o primeiro de ministro Francisco Sá Carneiro juntamente com o ministro da defesa Adelino Amaro da Costa, pretendem deslocar-se até ao Porto a bordo de um avião particular Cessna 421, para o comício de encerramento da campanha do general António Soares Carneiro, candidato da Aliança Democrática (AD) à Presidência da República.

Embarcou também a esposa de Adelino Amaro da Costa, Maria Pires, a companheira de Sá Carneiro,  Snu Abecassis e Patrício Gouveia, chefe do gabinete do Primeiro-Ministro. Cinco passageiros e dois tripulantes, perdem na vida a bordo do Cessna 421. Poucos minutos após a descolagem, o avião que Adelino Amaro Costa alugara com destino ao aeroporto do Porto apesar de ter embatido em cinco habitações e três automóveis no bairro residencial das Fontaínhas, em Camarate, não provocou mais mortos na aparatosa queda do Cessna, que interrompeu os noticiários daquele dia.

 

 

No próprio dia do “ acidente” foi aberto o respectivo inquérito mas cedo se apercebeu que as peças deste“ puzzle” não encaixavam. Entre vários testemunhos contraditórios, inicialmente a investigação concluiu que o “acidente” teria sido provocado pela falta de combustível,  excluindo assim a tese de atentado.

 

No entanto, foram realizadas dezenas de comissões inquérito que duraram mais de 30 anos. O caso chegou ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos que concluiu que a justiça portuguesa não foi negligente.

 

Em 1983, José Moreira preparava-se para revelar tudo que sabia sobre a queda do Cessna. Na véspera de testemunhar, foi encontrado morto. José Moreira proprietário de aviões, colocou uma aeronave à disposição da campanha presidencial do General Soares Carneiro.

 

Depois da tragédia de Camarate José Moreira “terá financiado uma investigação privada ao homicídio” de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa e estava pronto para depor na I Comissão de Inquérito ao caso. No entanto, a 5 de janeiro de 1983, a poucos dias da audição, José Moreira e Isabel Silva foram encontrados mortos em casa por inalação de monóxido de carbono.

 

Este caso prescreveu em setembro de 2006, de forma inconclusiva e ninguém foi formalmente acusado. É então, nesse mesmo ano, que surge José Esteves, ex-agente de segurança. Confessa a autoria da queda do Cessna onde seguiam Sá Carneiro e Amaro da Costa e admite publicamente que colocou um engenho explosivo no avião. A intenção, disse inicialmente, era apenas dar um “aviso” ao candidato presidencial Soares Carneiro. Nas suas palavras, terá sido ele quem fabricou a bomba, mas era esperado que o engenho se incendiasse antes da descolagem.

 

Quatro décadas não foram suficientes para a justiça portuguesa conseguisse resolver este mistério que abalou a nossa história política e as vítimas de Camarate e os seus familiares não viram, como nunca irão ver, ser feita qualquer justiça e isto,  deve envergonhar qualquer Estado de Direito.

Deveria ser bastante que os decisores políticos tivessem em linha de conta o que representa para justiça e para os Portugueses o caso Camarate. Mas parece ser não o ser.

 

Os restantes casos,  mais recentes e mediáticos como é o caso do BES, Operação Marquês ou mesmo o BANIF, também estes de foro criminal, são casos que parecem não ter fim.

E se o fim for o mesmo que o caso de Camarate, então que venha um novo Abril e que tenham mesmo medo do Povo quando este sair às ruas a pedir que todos tenham vergonha.

 

Obrigado Eunice.

Novembro 28, 2021

Sérgio Guerreiro

2379990B-27B8-46EA-BF00-47A942204D7C.jpeg

Aos 93 anos Eunice do Carmo Munhoz despede-se dos palcos e das palmas na representação da peça, a par com a sua neta Lidia “ A margem do tempo. Foram 80 anos de uma carreira dedicada ao teatro. Começa aos 13 anos ( 1941) e estreou-se profissionalmente no Teatro Nacional D. Maria II, na peça "Vendaval", de Vírginia Vitorino, no papel de Isabel, numa encenação de Amélia Rey Colaço.

A peça com a qual Eunice se despede dos palcos é do autor alemão Franz Xaver Kroetz (1946), a peça revela-se "uma longa didascália", "sem monólogo e sem diálogo", no qual a senhora Rasch, personagem partilhada pelas duas atrizes, convida os espectadores a assistirem a um final de tarde num dos seus dias repetidos, igual a todos os anteriores.

Com música original de Nuno Feist e encenação de Sérgio Moura Afonso, "A margem do tempo" põe diante do público a humanidade de uma mulher mais velha, Eunice Muñoz, que vai relembrando a monotonia dos dias repetidos, que se materializam numa mais nova senhora Rasch, Lídia Muñoz, que vai caminhando em direção ao seu "eu mais soturno e nostálgico"

 

De sorriso brilhante e inigualável, Eunice é e será uma lenda do teatro Português. Na casa onde se estreou, teatro D.Maria II em Lisboa, cai agora o pano das recordações, e nós Portugueses, devemos a esta magistral actriz o poder de sentir as diversas emoções.

 

Eunice Muñoz deu ainda voz a quatro discos de poesia, tem sido presença assídua em novelas e séries televisivas, entre as quais “A banqueira do povo” (1993), um trabalho inspirado na história real da banqueira Dona Branca e na qual “vestiu” a pele da protagonista.

Dos sorrisos às lágrimas, dos arrepios na pele à alegria momentânea, Eunice deu-nos tanto mas tanto, que o nosso agradecimento deve ser sempre relembrá-la respeitando o teatro e os actores. É essa a nossa responsabilidade. Se para Eunice Munhoz “ o teatro mostra-nos que o belo ainda existe”, para todos nós a Eunice representa uma geração de actores e actrizes resilientes. Ela é a representação viva e máxima que o amor pelo se faz, não tem idade para ser feito. O testemunho que Eunice Munhoz agora passa à sua neta, ficará certamente bem entregue. O pano para Eunice Munhoz nunca desce e as palmas, essas nunca terminarão.

Obrigado Eunice.

Em memória da Cláudia: quando é negado a uma mãe o último adeus à sua filha.

Novembro 24, 2021

Sérgio Guerreiro

0A88B5D4-E130-4820-B752-E70D15DF8103.jpeg

Cláudia Amaral morreu na passada sexta-feira, (19 de novembro) em Viseu, um mês depois de festejar os seus 23 anos. A jovem que sofria de síndrome Hutchinson-Gilford (progeria), que a fazia envelhecer sete vezes mais rápido do que o normal, uma doença genética rara, chegou a pedir para cumprir pena com a mãe. Cláudia chegou inclusive a ser notícia no estrangeiro. Em 2019, o Daily Mail noticiou o seu caso descrevendo-a como "a mulher de 20 anos aparenta ter 140".

 

À mãe de Cláudia, que se encontra detida no estabelecimento prisional da Guarda por ter insultado uma juiz, não foi autorizada a sua presença no funeral da filha.

Este revoltante facto, numa sociedade onde a escassez de valores e cada vez mais evidente, leva-nos a questionar o quão perigoso é o ser humano quando o poder lhe cai nas mãos. Ao que se sabe, a mãe da Cláudia não foi condenada por ser uma assassina em série, onde a sua ida ao funeral da sua filha seria causadora de desordem pública e de perigo público.

 

Afinal que razões levam a  direção daquele serviço prisional a negar a uma mãe a sua presença no funeral da sua filha ? Que justificação plausível e aceitável poderá haver?  O motivo para que o estabelecimento prisional tenha recusado a possibilidade de Cristina se deslocar ao funeral da sua filha  com a anuência da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) parece ter sido a pandemia. 

 

Todos nós sabemos que não pode haver qualquer justificação possível.

Em julho de 2020, o Conselho da Europa aprovou algumas  de recomendações sobre as regras penitenciárias. Numa dessas recomendações é dito  que "o recluso deve ser autorizado a sair da prisão, com ou sem custódia, para visitar um parente enfermo, participar em cerimónia fúnebre ou por outras razões humanitárias".

Um Estado de Direito Democrático não pode compactuar com esta decisão e todos nós, enquanto detentores do poder de indignação, não podemos ficar calados com tamanha falta de justiça humana.

Não discutindo os termos que levou à prisão a mãe da jovem que faleceu, toda e qualquer actuação das instituições públicas devem dar sinais aos cidadãos, também eles chamados de contribuintes, de transparência e rigor, mas devem também, em especial as instituições prisionais e os seus dirigentes, de demostrar não só a capacidade técnica para a sua função para a qual  foram nomeados, como devem estar munidos de de algo muito mais importante que todos outros factores: humanidade e compaixão.  

 

Não pode, porque não pode haver, qualquer justificação que director do estabelecimento prisional não tenha permitido que Cristina, mãe de Cláudia, fosse impedida de ir aí funeral da sua filha e a gravidade desta decisão deve ser deixada à análise de quem o nomeou.

Mas aos olhos de todos nós, que ficamos incrédulos com esta tomada de posição, do senhor director deste estabelecimento prisional, não pode este facto passar incólume pelos pingos da chuva como se nada tivesse acontecido. Aconteceu e sim, é grave.

 

Não há necessidade de deixar os cidadãos sob revolta, e o que aconteceu a esta mãe, poderá acontecer a tantas outras. Não bastando a dor de perder uma filha, não ser permitindo estar presente no seu funeral, é de uma desumanidade sem medida que não pode estar de acordo com as funções de um qualquer director de um qualquer estabelecimento prisional. 

 

Certamente o sistema prisional, não precisará de diretores deste calibre, e por essa razão, deve o responsável ser imediatamente demitido se este não o fizer.

 

Sabemos todos isto : em nome do interesse público, o director do estabelecimento prisional que impediu Cristiana de acompanhar a cerimónia fúnebre da sua filha, não serve o País. Este conseguiu dar a mais terrível prova da sua incompetência na qualidade de director na que à humanidade diz respeito: negar a uma mãe o direito de se “despedir” da sua filha. 

Morreu um herói ou um vilão?

Julho 25, 2021

Sérgio Guerreiro

184799A3-0B07-44AB-B95B-B3CFFFA9DE0A.jpeg

Um dos rostos mais conhecidos do nascimento da liberdade em Portugal, morreu hoje aos 84 anos. A história de Otelo Saraiva de Carvalho, confunde-o entre o heroísmo e terrorismo. Líder  operacional da Comissão Coordenadora e Executiva do Movimento dos Capitães, elaborou o plano de operações militares do 25 de Abril de 1974.

 

Na sequência dos acontecimentos de 25 de novembro de 1975, Otelo foi afastado de todos os cargos, nomeadamente o papel do comando efetivo do COPCON, acusado de ter determinado uma série de ordens de prisão arbitrárias, e de maus tratos a centenas de cidadãos moderados, envolvidos no processo político. Manteve-se, porém, como membro do Conselho da Revolução, lugar que ocupava desde março de 1975, e onde permaneceu até dezembro do mesmo ano.

Conotado com a ala mais radical do MFA, foi preso na sequência dos acontecimentos do 25 de novembro de 1975, sendo libertado três meses depois. Candidatou-se então às eleições presidenciais de 1976, onde obteve mais de 16% dos votos.

Em 1980 criou o partido FUP - Força de Unidade Popular, e voltou a candidatar-se a Belém, mas desta vez a sua votação foi irrisória, ficando abaixo de 1,5%, para um total de cerca de 85 mil votos. A 25 de novembro de 1983 recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, perante um coro geral de contestação das alas mais moderadas da sociedade portuguesa, por já estar acusado de ter liderado a organização terrorista FP-25, responsável pelo assassinato de 17 pessoas a tiro e à bomba.

 

Nos anos 80, participou da luta armada em prol da revolução proletária como membro da organização terrorista Forças Populares 25 de Abril, tendo sido condenado a 15 anos de prisão por associação terrorista em 1986. Em 1991, Otelo recebeu indulto por seus crimes, que foram amnistiados em 2004. Para muitos, Otelo fui o rosto da liberdade  que se consegui. Figura controversa da história de Portugal, Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho, será recordado para muitos como um herói e para outros um vilão.  Se todos lhe devemos o melhor da nossa história, também a ele se deve o caos em que o país mergulhou após 25 de Abril de 1974. A história deste homem que Portugal nunca conseguiu definir, terminou hoje.

“Se a situação for considerada incompatível com as minhas funções, escolherei a mulher que amo”.

Junho 30, 2021

Sérgio Guerreiro

910EB0C4-2980-40D5-B13C-4723D5E706A7.png

A história de Francisco Sá Carneiro e de Snu Abecassis é daquelas que todos nós devemos conhecer.

 

Os factos, remete-nos para  uma época onde na sociedade portuguesa e para o casamento não podia haver outra saída senão mantê-lo a todo custo. Tinha que ser assim.  Historicamente,  a evolução da noção do amor e da figura  jurídica do casamento,  conhecida cono até aqui, confunde-se com a história de Franciso Sá Carneiro e de Snu Abecassis.

 

O homem que podia ter mudado o rumo da política nacional, chocou o país quando decide entre o poder e amor. Um país que se revia em valores tão tradicionais como o casamento onde a família era pilar fundamental para a nação viu toda a sua estrutura histórica abalada por uma figura política que veio desafiar em nome do amor, as leis do costume. 


Um país chocado com a poesia da açoreana Natália Correia e pela a sua maneira de ser, chegando mesmo a afirmar que a história de Sá Carneiro e Snu Abecassis teria sido uma revolução como foi o 25 de Abril de 1974.

 

Sem medo do escândalo, o amor de Francisco Sá Carneiro e de Snu Abecassis, abalou todo um sistema político que se viu obrigado a ponderar entre o afastamento de um político e a sua continuidade, caso este continuasse a manter uma relação com a editora da Dom Quixote.

Uma nação saída  de uma ditadura em que a ética e os valores estavam de tal maneira enraizados onde não era permito amar em liberdade e em verdade, tendo inclusivamente o poder da igreja ter que interferir na questão de Francisco Sá Carneiro na impossibilidade do seu divórcio.

 

Snu Abecassis, Dinamerquesa, chegada com 21 anos a Portugal em 1961, filha de pais separados, aguentou ainda assim o choque cultural. Portugal não era a Dinarmarca, tudo era diferente como até hoje é. 

 

Entre o poder e o amor Francisco Sá Carneiro, um homem à frente do seu tempo, consegui por toda uma sociedade sedenta de mudanças, a repensar a sua forma estar e de actuar.

 

O que poderia ter acontecido depois ninguém sabe , mas o que podemos concluir é simples: Portugal mudou e houve um homem que desafiou a normalidade da sociedade de então, pondo em causa os costumes e as mais tradicionais regras nunca antes postas publicamente em causa, querendo o destino que esta história tivesse um fim a 4 de dezembro de 1980 como são sempre as mais belas histórias de amor. 

Está de volta. Catorze anos depois.

Junho 09, 2021

Sérgio Guerreiro

F0DA5B51-B5E6-4DD4-9B48-0CE728F46A51.png

Aquele que denunciou o esquema financeiro conhecido por Dona Branca e chegou a sentar um jornalista anonimamente na bancada do PSD no Parlamento para uma reportagem sobre o que os deputados (não) faziam, está de volta passados que foram catorze anos.

 

O jornal, que nasceu em 1980, chegou a vender mais de 150 mil exemplares por semana  e fechou em 2007, renascendo  após o lançamento do livro “Tal & Qual – Memórias de um jornalismo”.

 

A empresa “Parem as Máquinas – Edições e Jornalismo” responsável pelo regresso do título Tal & Qual às bancas, conta com Carlos Cruz e Joaquim Letria, fundador do título, que assina a coluna de opinião na última página. Apenas com 16 páginas e com um custo de 1€, o Tal & Qual é um jornal semanário que estará nas bancas à quartas feiras. Esperasse que irreverência, a marca que sempre distingui o Tal & Qual dos restantes jornais, continue a ser o que sempre foi. Hoje, e cá por casa, a minha memória fez uma pequena viagem até à década de 80 quando ainda menino e moço desfolhava o Tal & Qual  que o pai ou o irmão comprava às sextas feiras. A relevância deste jornal, a lembrar também a linha editorial do Independente de Portas e Miguel Esteves Cardoso, fazia dos “‘escândalos” políticos a sua génese. É disto, que precisamos de saber e a prova está dada pelo título de primeira de hoje : Para poupar uns tostões, deputados vivem em lar de padres”. Há coisas que só sabemos, através dos jornais como o Tal & Qual. Boa saúde e bem haja a João Paulo Fafe - sócio da empresa responsável e ao director do “ novo” semanário, Jorge Morais. Longa vida para o Tal & Qual.

Dia mundial do livro e belo silêncio de uma biblioteca.

Abril 22, 2021

Sérgio Guerreiro

AA55C64E-E238-4F3E-A603-B7B1BCAEDFEA.png

Há bastante tempo que não mergulhava no silêncio de uma biblioteca. Parecia já esquecido o cheiro dos livros e o belo som do desfolhar lentamente das páginas de uma história qualquer. Nos livros, podemos todos os dias viajar para lugares diferentes, basta sentir o pulsar de cada palavra e lá vamos nós. O tempo dos livros não é igual ao nosso próprio tempo e na biblioteca, onde nos pedem sempre silêncio como se fossem cantar um fado, o tempo quer parar para nos contar as mais belas histórias . É preciso sentir e querer estar perto dos livros que nos ensinaram tudo o que hoje sabemos, para sabermos o que pode significar o belo silêncio de uma biblioteca.

 

Quando entramos neste mundo,  vindos da imensidão da vida recheada de ruído, parece estarmos em um outro planeta, onde tudo é paz, onde se respira qualquer coisa sempre novo e onde descobrimos tantas vezes o sabor da alma de que somos feitos. Não fossem os livros e as bibliotecas e a nossa vida seria ainda muito pequena.

Reparem que,  quando se entra numa biblioteca, até nos conseguimos ouvir por dentro e vamos sempre devagar, cuidadosamente de passos lentos e silenciosos, para não magoar as palavras que estão a ser bebidas, até à prateleira que queremos. Na verdade, na biblioteca onde moram os livros, o mundo é outro e sempre tão perto de nós onde nos podemos sentar e descobrir quem somos e quem são os outros.

 

Não sei o que andam a ler. Eu fui procurar Jorge Amado e encontrei  a obra “ Mar Morto” do qual extraí este poema que aqui vos deixo:

 

Lívia olha de sua janela

o mar morto sem Lua.

Aponta a Madrugada.

Os homens,

que rondavam a sua porta,

o seu corpo sem dono,

voltaram para as suas casas.

Agora tudo é mistério.

A música acabou.

Aos poucos as coisas se animam,

os cenários se movem,

os homens se alegram.

A madrugada rompe

sobre o Mar Morto”

Todos a cantaram e todos a cantarão.

Março 03, 2021

Sérgio Guerreiro

7236454D-3BBF-4BAC-906A-456CF68FC841.png

O verde do cabelo não era só a sua marca pessoal. A alegria e o seu olhar terno que nos transmitia, não passava despercebido.

Maria José Valério faz parte da história da história de um clube.  A marcha que todos cantam e que todos cantarão continua viva e presente no coração dos leões.

A senhora do cabelo verde, deixa-nos hoje uma memória que se quer manter viva.

A marcha do Sporting fará parte da nossa infância que ao longo dos tempos foi passando de voz em voz.

E vai continuar a passar. 

O homem que me fez ler Ary dos Santos.

Janeiro 01, 2021

Sérgio Guerreiro

57259D4B-8629-4F5E-A55D-3ED76A5C7606.jpeg

Quando conheci a obra de José Carlos Ary dos Santos, foi pela voz de Carlos do Carmo.  O poema “ Estela da Tarde” que Carlos do Carmo leva ao festival da canção da RTP em 1976, é, na minha opinião uma das belas poesia que  só podia ser materializada por duas vozes; Carlos do Carmo e Simone de Oliveira.

 

Não sei se “ Estrela da Tarde “ teria nascido em exclusivo para estas duas vozes, mas o certo é que, nunca ninguém transmitirá tão bem a força das palavras deste magnífico Poema.

Dar voz a quem escreve, é uma tarefa hercúlea que só as grandes lhe cabe executar.

 

Foi pela voz do fadista,  que o início do ano de 2021 nos leva, que grande parte da obra do poeta Ary, é conhecida.

“ Um homem na cidade” de 1977 foi considerado um dos melhores discos de Carlos do Carmo, todo ele escrito por Ary.

 

Ler e ouvir tudo isto, arrepia a pele.

Como todos aqueles como eu, que escrevem entendem, dar voz ao que escrevemos é dar vida às palavras que vão nascendo pelos nossos dedos.

A sua força é de tal ordem, que quem as canta, imprime nelas, tudo aquilo que o Poeta sentiu.

Carlos do Carmo é um dos maiores exemplos disso mesmo.

 

Da força que deu às palavras que muitos desenharam, construindo uma inigualável obra.

Devemos a este homem que hoje nos deixa, o respeito pela arte, pela música e pela Poesia. Em suma pela cultura que tão mal tratada é neste País.

 

Nunca conseguiremos pagar a Carlos do Carmo, todos os arrepios na pele e de todas as lágrimas que caíram pelo nosso rosto, quando a sua voz nos invadia por dentro com a força das palavras dos Poetas, que nos assaltam a alma.

 

Agradecer é pouco e por isso vou continuar a ouvir “ Estrela da Tarde” e “Uma flor de verde pinho” até saber tudo isto de cor.

 

Bem haja Carlos.

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub