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Melhor Política

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Quando se põe a mama de fora. Amamentar em público ainda é tabu?

Abril 03, 2021

Sérgio Guerreiro

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Pode parecer-vos estranho um homem falar sobre isto.

Mas a razão é simples e conta-se rapidamente. O domingo estava radiante e o sol pedia-me um pequeno passeio pela marginal da cidade da Figueira da Foz. Devagar, ia saboreando a brisa que vinha longe mas de vez em vez, alguns mais apressados, como se o tempo fosse fugir, iam correndo para o tentar apanhar atropelando os mais calmos.

Resolvo sentar-me mesmo ali nas pedras frias que o sol de domingo se esqueceu de aquecer para contemplar qualquer coisa no horizonte que ainda hoje não descobri o que seria. Por certo não era importante.

 

Eis que quando a meu lado, com a devida distância de segurança como mandam ainda as regras, se senta uma jovem mãe com um bebé de colo.

 

São os bebés que ditam as horas.São eles agora os ponteiros do relógio da vida de qualquer mãe, que minuto menos minuto, estão sempre certos porque são regulados pela exatidão do seu choro que às vezes não tem lugar. Foi naquele momento que  o bebé disse à sua mãe, que horas eram.

A jovem apressadamente tira a sua mama para fora devolvendo-a rapidamente à sua cria faminta. Momentos depois, aquela mãe sorriu para mim como a querer pedir desculpa pelo incómodo do choro da criança que de alguma me poderia perturbar a tal contemplação de qualquer coisa que não sei o que seria  para lá do horizonte. Devolvi-lhe sossegadamente o sorriso quando ela levemente me diz de forma pausada  : “ está na hora”. Respondi-lhe: " agora é ele o seu relógio". 

A questão poderia ficar por aqui. Mas não fica.

Ali sentada a dar alimento a quem o pedia, muitos iam passando e olhando, uns com ternura outros disfarçadamente, sem me aperceber se era para o bebé  se para a mama ou mesmo ainda, alguns, que olhavam como se olha com desprezo para alguém que acaba de  cometer um crime sem possível defesa.

Foi esse o olhar de um transeunte, que não se inibindo de o verbalizar, teceu  o mais incómodo comentário que ouvi o sobre esta situação.

- " Ao menos ponha um pano a tapar a mama”.

Não era eu que a tinha de fora, mas fiquei incrédulo com tal afirmação mas, de certa forma até me senti “ feliz"  porque notei que aquele triste comentário não foi percebido pela jovem mãe. Ou teria ela fingido não o perceber?  

Fiquei com aquelas palavras ainda hoje a latejar na minha cabeça sem conseguir entender porque razão um acto entre uma mãe e o seu bebé, como é a amamentação, ainda pode ser encarado por alguns como um acto de exibicionismo.

A amamentação em lugares públicos é legalmente aceite pelo nosso ordenamento jurídico mas será que todas as mães se sentem à vontade para o fazer?

Em 2016 no estado da Georgia, EUA, uma mãe foi obrigada a interromper a amamentação do seu filho por um polícia enquanto estava num supermercado.

Segundo o relato de Savannah Skukla, o agente dirá dito que a prática era proibida e precisaria de se tapar porque alguém podia achar aquele acto ofensivo.

Muitos podem considerar que amamentar deve ser em reservado, num recanto onde ninguém veja, mas o certo e pelo que assisti, em 2021 ainda há quem se sinta incomodado ao ver a mãe natureza a cumprir o seu papel da forma mais natural possível quando um bebé tem fome como se não a pudesse ter enquanto passeia pela rua com a mãe.

Não deveria ser necessário contar-vos esta história, mas infelizmente parece que ainda há muito que falar sobre este tema em pleno século XXI.

Ciência. Não é a palavra do ano mas devia de o ser.

Dezembro 30, 2020

Sérgio Guerreiro

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Assim como os países investem regularmente na saúde, educação ou mesmo na evasão fiscal, de pouco se fala em investimento na ciência.

 

A vacina já chegou, mas para isso acontecer, muitos antes existiu por parte de inúmeros especialistas uma grande dose de entrega pessoal e de conhecimento para a descoberta daquilo que hoje está à nossa disposição.

 

Pandemia, com raízes no grego, é uma combinação de “pan” para tudo ou todo, e “demos,” para povo. Foi esta a palavra do ano de 2020, que naturalmente invadiu cada um de nós na busca incessante de respostas para o novo estado do mundo.

 

A ciência não confinou como todos nós e lançou-se na resposta que toda a humanidade precisaria. E cá está ela.

 

Mas pode um país reagir rapidamente e estar preparado para responder de modo eficaz a uma urgência como esta que temos assistido?

 

É preciso investir com a mesma regularidade na ciência como se faz em outras áreas sociais.

 

Diana Lousa, em entrevista ao jornal Público  afirma que tem pesquisado por grupos científicos que investiguem a proteína da espícula, essencial para os coronavírus consigam penetrar nas nossas células, tem notado que houve picos nessa investigação. A cientista do Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa, em Oeiras, reparou que houve mais trabalhos científicos no tempo das epidemias do SARS-CoV (que ocorreu entre 2002 e 2003) e do MERS-Cov (em 2012). “Julgo que os coronavírus não eram vistos como muito relevantes até ao surto do SARS-CoV”, assinala a investigadora. “Antes disso, infectavam sobretudo animais e havia só alguns que infectavam humanos, mas que causavam coisas muito moderadas.”

 

Como tal, indica que era difícil arranjar financiamento para estudar estes vírus. “Não eram vistos como ameaças assim tão grandes. Acho que é um pouco errado porque devemos estudá-los não só quando são uma emergência. Quanto mais soubermos de antemão melhor”

 

Estes novos tempos são essências para que possamos, não só aprender onde falhamos nas relações humanas e pessoais como entender de uma vez por todas, que a investigação na ciência poderá certamente ser a receita para o desenvolvimento das sociedades num futuro mais seguro. Na investigação e em todo o seu processo de estudo são precisos anos e anos de pesquisa e muita literatura técnica para se chegar a um determinado resultado.

 

Diz-nos Rogério de Jesus Jorge no seu artigo de opinião em observador sobre esta matéria que, Alexander Fleming, o inventor da penicilina, trabalhou como médico militar numa das grandes crises do século XX, a Primeira Guerra Mundial. A partir daí, Flemming ficou determinado a encontrar algo que permitisse combater infeções no corpo humano. O resultado veio dez anos mais tarde através de duas descobertas acidentais. Primeiro, notou que o muco do nariz proveniente de um espirro poderia matar bactérias. Segundo, ao deixar um prato de bactérias à janela, o prato começou a acumular bolor. Flemming reparou que bactérias em contato com o bolor eram destruídas por uma espécie de mould juice (sumo de bolor). A este sumo ele chamou penicilina.

 

Portanto, muitas das vezes o que a história da ciência assim nos ensina é que nasce das crises sociais as maiores das descobertas.

 

Uma estratégia a longo prazo em investimento na investigação/ciência, é sinónimo de um país que se preocupa com o seu desenvolvimento também ele a longo prazo.

 

A pergunta que poderemos  legitimamente fazer é saber, se os Portugueses que se dedicam a estas matérias, poderiam ou não serem eles a desenvolver e criar a vacina  para a Covid-19? A resposta pode ser simples. Capacidade não lhe falta, mas  os meios não existem porque não se apostou numa política adequada ao desenvolvimento da investigação. Por alguma razão, os nossos melhores Portugueses estão lá fora.

 

Não tenhamos dúvidas. A vacina poderia ser desenvolvida por nós.

Não o foi porque se desinvestiu na investigação e na ciência.

 

Esta crise pandémica veio por a nu a necessidade de maior rigor, mostrando que não há dinheiro perdido quando a sociedade com os seus impostos, encarrega a ciência de estudar e desenvolver o que quer que seja, para nos impedir de sentir saudades de alguém que está perto.

 

Se o nosso país percebe isto?

 

Não sei. Mas 3,7 mil milhões do Estado até 2024 para a TAP o nosso governo soube entender.

Eutanásia. Referendar ou não referendar, eis a questão.

Outubro 20, 2020

Sérgio Guerreiro

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Volta ainda durante o mês de Outubro, no dia 22 ou 23 e antes da votação da proposta de Orçamento de Estado na generalidade, a votação para o referendo da eutanásia. A proposta de referendo chegou à Assembleia da República pela mão da “ Federação Pela Vida” que reuniu cerca de 95 mil assinaturas.
Constitucionalmente é da exclusiva competência da Assembleia da República votar e decidir uma proposta popular. Dificilmente o referendo vai ter lugar. Erradamente, diga-se. Este tema talvez já estivesse fechado e democraticamente legislado se a via escolhida inicialmente fosse a consulta popular. Leia-se, referendo.
Há defensores do sim , do não e do “ nim”. Há de tudo e para todos os gostos, mas há, isso sim, uma responsabilidade política que não está nem deve estar nas mãos de 230 deputados. As questões de consciência não são objectos de decisões parlamentares. Não o podem ser.
A liberdade da nossa consciência , negando o direito de decidir sobre ela, está posta de parte.

O tema da eutanásia não é uma questão menor. É difícil, fracturante que deve ser despojada e debatida sem fundamentalismos. Por ser uma questão de consciência e da nossa própria vontade ela é exclusiva da nossa esfera pessoal. É uma questão que diz respeito a cada um de nós.

Negar o direito ao referendo é, creio, incompreensível. 

Mas o tema vai para além da necessidade do referendo por um imperativo de consciência. Caso não haja o direito à manifestação da nossa opinião, é chocante ver que 230 deputados possam legislar sobre um tema em que a sua maioria não o inscreveu nos seus programas eleitorais.

Qual é então a legitimidade política que os senhores deputados terão para legislar sobre algo que muda radicalmente a nossa forma de ver a morte ou a vida?

Não entrando na questão jurídica demasiado maçadora no que concerne  a Direitos Fundamentais e princípios Constitucionais bem como a Declaração Universal dos Direitos do Homem, interessa interrogar a questão política e ética. 

E é esta ética que não encontro. Legislar a vontade e a consciência de milhares com a agravante política de que  nada se disse em campanha sobre o tema eutanásia. É legítimo os senhores deputados legislarem? É, mas falta nesta questão um outro grande princípio. A autenticidade política. Nem tudo o que é legítimo, é autêntico. Direi, salvo melhor opinião, que este é um desses casos de falha da autenticidade.

Não vejo argumentos juridicamente relevantes para que não se devolva a palavra ao povo como se levou na  despenalização da interrupção voluntária da gravidez (IGV) que precisou de dois referendos e cerca de 10 anos para a sua despenalização. 
Houve muito debate e este tema talvez fosse o mais fraturante com que Portugal já se debateu. Mas nós  Portugueses capazes de tomar decisões, falamos e decidimos. Uns ficaram felizes outros nem por isso, mas as regras do jogo são estas em democracia. 

Não percebo o medo que há em agora não podermos igualmente decidir como já o fizemos no passado. 
Se nesta matéria os senhores deputados vão votar um (im)possível referendo de acordo com a sua consciência e em nome da nossa, prefiro que votem para que nos devolvam a palavra.

Erradicar a pobreza. Testemunhei o que é mesmo ser pobre.

Outubro 17, 2020

Sérgio Guerreiro

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Não sei, felizmente, o que é ser pobre e passar fome mas consegui perceber com uma dor enorme no meu olhar o que é mesmo ser-se pobre e passar fome.
Ainda há vergonha de pedir  mas quem sente ao seu redor essa mesma vergonha não pode ficar indiferente a ela.
 
Mesmo à minha porta não via ou não reparava na extrema pobreza em que algumas pessoas vivem. 
Mas um dia parei e senti o cheiro a fome que andava ali em redor e decidi avançar para ela.
A Maria ( nome fictício ) olhava para mim como quase todas as tardes,  mas naquela tarde quem me olhou foi a fome. 
Entrei no carro com uma sensação estranha, mas não avancei. Sai de novo e foi ter com a Maria. Confesso que aquele olhar me incomodava bastante. A pergunta foi feita e a resposta era a esperada. Eram três da tarde e aquela mulher ainda tinha visto uma simples côdea de pão. Isto é duro de ouvir como deve ser duro sentir. Decidi fazer aquilo que qualquer pessoa faria.
 
Pedi à Maria para esperar por mim. Entrei de novo em casa para lhe fazer uma sandes que fiz acompanhar com um pacote de leite com chocolate. Os olhos daquela mulher virão depressa outra cor.

Este foi o mote para a Maria logo no dia seguinte fosse tocar à campainha do meu escritório. Sentiu -se livre e forte para o fazer.
 
Avisou de imediato que não vinha pedir dinheiro, mas sim comida e que não o pedia a muita gente por vergonha, porque no meio pequeno em que vivia não se sentia bem a fazê-lo, olhavam muito para ela, dizia. Todos sabiam que a fome rondava os dias na humilde casa onde vivia com rendas em atraso, mas ninguém se chegava perto. Ninguém lhe perguntava se já tinha comido, se tinha alguma coisa em casa para se alimentar. 

Estivemos à conversa durante uma hora onde tentei perceber se a Maria já tinha recorrido a alguma ajuda do Estado. Já tinha, mas a ajuda era de 300€ e a renda era de 250,00€. 
Pedi à Maria para tocar de novo à campainha do meu escritório durante na tarde dessa quinta feira. Não faltou à chamada, mas a fome, essa nunca faltava. 
Levou três sacos do que entendi ser necessário para ela poder confecionar. A Maria chorou, não de vergonha, mas de alguma pura felicidade por saber que durante uns dias, a fome não lhe bateria de novo à porta.
 
Em Portugal existe muitas “ Marias” e nós passamos ao lado delas como se nada fosse onde muitas vezes ouvimos o barulho de um estômago vazio. Ouvimos só e seguimos o nosso caminho, atravessamos a estrada e vamos comprar um bola de Berlim que não nos faz falta nenhuma. 
 
Erradicar este flagelo não é só uma questão política. É e deve ser uma questão de consciencialização social. Não nos podemos imiscuir do papel que temos enquanto membros de um todo mas isso caberá certamente a cada um de nós. 
A pobreza pode morar mesmo ao nosso lado, ser nossa vizinha e se não entendemos que a vergonha ainda invade o estômago de muita gente, não estamos a cumprir com o nosso papel social. 
Às vezes, ou muitas vezes, o primeiro passo pode ser dado por nós se soubermos e olhar à nossa volta e para outros.
 
Hoje comemorasse o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza. Em 2019 estimava-se que cerca 2,2 milhões de Portugueses se encontravam em risco.
 

 

A privacidade é um bem inalienável.

Outubro 15, 2020

Sérgio Guerreiro

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A equipa do blogue Melhor Política, aqui representada pelo seu Editor e Publisher Sérgio Guerreiro, torna público que acabou de lançar uma petição on-line contra a obrigatoriedade da instalação da App “Stayaway Covid”. Entendemos que esta medida para além da sua inconstitucionalidade é  absurda e contém graves tiques de totalitarismo que são inaceitáveis. Não podemos nunca deixar em claro como se nada fosse e  sob a égide de uma Pandemia, que as forças de segurança em representação do Estado Português, queira fiscalizar os nossos equipamentos sem justificação plausível e sem mandato judicial.
As medidas repressivas na situação especial quente travessa, são altamente perigosas e esta em particular é autoritária que mostra um sinal evidente de completa desorientação por parte das autoridades nacionais. Entendemos como recomendável o uso da aplicação em causa e esta deverá manter-se voluntária.
Impor por Lei questões desta natureza que põem em causa a privacidade dos cidadãos, é uma acto anti-democrático que não se adequa ( ainda ) ao nosso Estado de Direito. Relembramos que na União Europeia, o uso obrigatório desta aplicação não está instituída. Informamos que a petição em causa não tem como objectivo chegar à Assembleia da República, mas sim mostrar o desagrado como todo este processo se está a desenvolver.
Podem consultar a petição com o título “Contra a obrigatoriedade da instalação da App “ Stayaway Covid” em peticaopublica.com

Pela equipa

Sérgio Guerreiro

melhorpolitica.online@gmail.com

A falta justificada pela morte de um animal de companhia. Um acto de coragem.

Outubro 11, 2020

Sérgio Guerreiro

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Veio da deputada Cristina Rodrigues, antiga representante parlamentar do PAN a proposta de estender o regime de faltas justificadas à morte de um animal de companhia. Depressa as redes sociais se encheram de comentários sobre  a proposta da deputada agora não inscrita como é seu apanágio com exemplos tão absurdos como” tenho imensas galinhas, quando morrer uma também quero folga” ou “ tenho aqui umas baratas e formigas de estimação fofinhas...”
A perda de um animal de companhia é tão dolorosa como a morte de um familiar mais próximo ou de um amigo chegado, e só quem perdeu um animal saberá entender a “Ratio Legis “ ( razão de ser ) da proposta apresentada. Quem viveu essa perda certamente se revê totalmente na ideia. Quem não viveu  dificilmente a entenderá tão bem.
Não se trata de uma proposta descabida. É isso sim, uma proposta representativa do conhecimento da autora sobre a dor imensa que é provocada pela morte de um cão ou de gato. 
Na realidade a relação humana com os animais de estimação é cada vez mais acentuada e por isso legislada, estando provado que eles são capazes de tornar o ser humano mais feliz, e com muitas outras características próprias dos animais, eles podem ajudar em períodos difíceis da vida do ser humano.
Sejamos sérios na discussão nos temas. Li muito por aí sobre esta proposta mas creio que para além de justa ela é muito mais que isso. É corajosa.
Dizer-se que se está a radicalizar a situação, que se está a dar demasiada importância aos animais quando o País atravessa uma crise financeira e social nunca antes vista, é uma verdade subjectiva,  mas de qualquer forma creio ser útil habituar a sociedade a discutir também estes temas.
Ser sérios numa qualquer discussão, é entender sempre o outro lado, ou se quiserem, calçar as botas dos outros.
Entender que a morte de animal de estimação pode provocar um grande sofrimento ao ser humano tal como a morte de um familiar ou amigo chegado, é perceber que estamos no caminho da humanização das coisas. A relação forte que é vivida entre o humano e o seu animal é por vezes tão intensa e verdadeira que há quem os trate como “ filhos ou como netos”. Se bem ou mal, aí a discussão pode ser outra.

Se percebermos as ligações e os laços que se criam entre a racional e o irracional, certamente entenderemos muitas outras coisas que fazem falta. Falem com João Moura que ele explica isto melhor que eu!

Morrem de Covid mas também de solidão.

Outubro 08, 2020

Sérgio Guerreiro

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Com um Pai e uma Mãe a meu encargo, daqui a uns anos, já sei que a minha vida não será fácil e os dias que vão passando são uma conta de somar a todos os outros que já passaram, mais dia menos dia, a hora haverá de chegar. Certamente não serei o único que já pensa no futuro dos seus pais. Existiu um dia em que eles pensaram no meu. A minha vez de pensar neles não tardará muito para chegar.
Enquanto sociedade sabemos que não temos condições para cuidar dos nossos ascendentes em casa de uma forma digna, segura e como achamos que merecem.
Sei que ainda é cedo para pensar em como deva proceder para que os meus pais possam terminar os seus dias de uma forma feliz com o mesmo Amor que ainda me vão dando e com o mesmo carinho que ainda vou recebendo. Todos os dias.

A minha hora aproximasse a passos largos e estou com medo de falhar como falha o meu País. O caso de Reguengos de Monsaraz e de tantos outros que ainda não conhecemos,  acordou o medo que ainda estava adormecido mas que agora me vai assolando todos os dias a alma. O tema não me deixa às vezes dormir com aquilo que vou lendo e ouvindo mas a não responsabilização dos actos inquieta-me e revolta-me. Todos mas todos, não podemos deixar de ser chamados a reflectir, no mínimo, sobre o que passa nos lares.

Sabemos do papel importante que cabe Estado, mas e o nosso papel sabemos qual é ?

Doí saber que muitos desses lares espalhados por este País fora são meros depósitos de idosos em que os filhos descartam as suas responsabilidades pagando o que tem que se pagar esquecendo-se  do seu papel transferindo a  sua responsabilidade para terceiros. É fácil dizer que o  Estado tem uma  grande dose de culpa. E tem.
Mas, e os 
filhos que deixam os seus pais entregues a uma qualquer instituição, quantas vezes lá vão ver se tudo está a correr “mais ou menos “?
Espreitar de vez em vez mas muitas vezes para sentir se os seus pais estão ou não a ser devidamente tratados ?
Será que as visitas regulares por parte dos filhos não resultariam também numa sensibilidade diferente por parte dos directores dos lares ?
Não se sentiriam eles “ pressionados” para que se alterasse algumas práticas que por aí vamos ouvindo com a visita regular dos filhos ? Não deverão ser eles também ser “fiscalizadores”?
Eu suma, ser parte conjunta de uma solução para um problema que não é só responsabilidade do Estado.
Entregar um Pai ou uma Mãe aos cuidados de num lar é assumir uma grande responsabilidade, não só social mas principalmente pessoal. Assim também fizeram eles connosco quando nos foram pôr na creche. É essa a responsabilidade pessoal que se deve também reflectir e debater sem medo. Em alguns lares muitos idosos carregam para além do peso da idade o peso dos olhos tristes da solidão, os dias vão passando e os filhos ainda não tiveram tempo para ir aliviar um pouco mais a dor que todos os dias carregam. Dia após dia.

Esta tarefa de combater a solidão não cabe ao Estado, não cabe ao lar nem ao seu “ staff” por melhor que ele seja.
Cabe ao Estado, isso sim,  verificar e fiscalizar sistematicamente as condições dos lares e formar técnicos especializados na área dando assim as melhoras condições a quem já tanto deu ao País.

Cabe aos filhos, como eu, saber que a idade não perdoa e que também um dia chegaremos à dependência dos outros como outrora.
Um Estado de bem não pode deixar ao abandono aqueles que contribuíram com esforço para o desenvolvimento do seu País e para isso não pode deixar o deve ser feito. Fiscalizar e formar quadros especializados para uma área tão sensível como esta. No fundo, prestar os cuidados necessários mas dignos. O que se passou em Renguegos de Monsaraz jamais se deve repetir sob pena , de aí sim, se concluir que este Pais não sabe cuidar.

A nós filhos, cabe-nos o dever de não os abandonar, o dever de estar com eles o máximo possível porque nós não substituímos o Estado quando os nossos pais esperam sentados  a olhar por uma janela de um quarto para que a hora chegue e se abra de vez a cortina para deixar entrar a morte.
Quando eles estão sentados a olhar por uma janela de um quarto, é possível que estejam só à nossa espera.
O tempo que se diz que não se tem, tem que aparecer porque a humanidade não pode andar à espera das horas, as horas é que ditam a humanidade.
Eu prometo não falhar como falha o meu País.

A Operação “ Lex” que o Porta Voz de Luís Filipe Vieira não entende!

Setembro 19, 2020

Sérgio Guerreiro

00BC50D4-4F14-4F8F-B901-DF41BBEF6980.pngQuem ouviu as declarações do porta voz de Luís Filipe Vieira, ficou sem perceber nada do crime que o ainda Presidente do Sport Lisboa e Benfica é acusado.

Propositadamente, ou não, João Gabriel quis confundir isto tudo. Falou muito mas não disse nada.

Luís Filipe Vieira é acusado do crime de recebimento indevido de vantagem e sobre isto, João Gabriel, o porta voz de Luís Filipe Vieira, nada disse.
Mas afinal o que é o crime de recebimento indevido de vantagem pelo qual Luís Filipe Vieira está agora acusado no caso da “Operação Lex”?
A questão é só esta.
Luís Filipe Vieira, na qualidade  Presidente do Benfica aproveitando esse facto e a amizade que tem com o Juiz Desembargador Rui Rangel alegadamente teria pedido  ao Juiz que este intercedesse junto de uma sua colega, Juíza em Sintra, para que esta despachasse um processo pessoal  que corria naquele Tribunal Administrativo e Fiscal a troco de um cargo futuro no clube da Luz.
Dirão alguns: quem nunca pediu um " favorzinho" a alguém para que alguém despachasse aquele papelinho que anda há meses perdido numa secretária de alguém com " poder"? É certo que sim. Este tipo de crimes são 
praticados todos os dias mas com uma "pequena" diferença; serão cidadãos comuns que não terão muitas amizades com Juizes e muito menos serão Presidentes de um qualquer clube futebol. Não é por isso que deixa ser punível. O cargo que se ocupa e a sua dimensão são vectores inaleinaveis de um determinado comportamento social. Ser Presidente de uma Instituição seja ela qual for, trará certamente um maior peso social, ainda para mais numa Instituição como o Benfica.

Alegadamente 
Rangel, pediu então a um terceiro que este contacta-se a Juíza do TAF ( Tribunal Administrativo e Fiscal ) de Sintra.
Ou seja, alegadamente e pela mensagens (sms) trocadas entre ambos e agora divulgadas na comunicação social, vêm mostrar a prova clara e inequívoca da prática do tal crime de recebimento indevido de vantagem.
E a vantagem aqui recebida, foi que o processo de Luís Filipe Vieira , passa-se à frente dos demais.
Quando todos nós, aguardamos anos e anos por uma decisão, o Presidente do Benfica tirando alegadamente vantagem dessa qualidade e da amizade que o une a Rangel ( seu antigo opositor ) consegui a decisão.
No crime de recebimento indevido de vantagem a sua “ consumação” basta a intenção, i.e, supondo que Rui Rangel não aceita o pedido de Luís Filipe Vieira o crime está lá tal e qual mas neste caso alegadamente o crime está consumado em toda em linha. O que pediu o favor ( Luís Filipe Vieira) e aquele que fez o favor ( Rui Rangel).

Sobre o crime de que agora Luís Filipe Vieira é acusado, o Porta Voz do Presidente do Benfica não disse uma palavra afirmando somente  este não pagou nada a ninguém e por aí fora.
Mas este não é o tema de que se centra  a acusação. A questão de fundo é de outra ordem e é só esta:
Houve ou não a prática de crime de recebimento indevido de vantagem praticado por Luís Filipe Vieira pelo motivos atrás expostos ? 
Luis Filipe Vieira viu o seu processo ser despachado de uma forma mais célere passando à frente dos demais, pedindo " um favor " a um amigo ou não? São estes os factos.

João Gabriel, sobre isto nada disse nem referenciou este facto confundido tudo e todos sobre este processo, dizendo assim umas "coisas",  fazendo passar uma mensagem totalmente errada sobre a acusação que recai sobre Luís Filipe Vieira.

É certo que a figura central deste processo “Lex” está longe de se centrar no Presidente do Benfica, ele tem acento na figura principal do Juiz Rui Rangel.

Esperava-se que o Porta Voz de Luís Filipe Vieira, fosse mais inteligente nas suas afirmações e não fazer de nos “ tótós” porque tudo o que por ele foi dito nada tem que ver com a acusação.

 

 

 

Andam a gozar com o Ensino Artístico Especializado.

Setembro 16, 2020

Sérgio Guerreiro

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Enquanto a sociedade Portuguesa e os seus académicos discutem abundantemente se o ensino da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento deve ou não ser obrigatório, passa pelos pingos da chuva a não discussão sobre o ensino Artístico Especializado. 

O corte no número de vagas é assustador e chega a ser superior a 50% sendo mais grave que atribuição das vagas apoiadas pelo Estado é conhecida depois da inscrição dos alunos.

Veja-se o caso do Orfeão de Leiria e da Sociedade Artística Musical dos Pousos.
Os critérios para a brutal redução do financiamento, como consequência da redução do número de vagas, para além de não serem claros, não é explicada.

Em declarações a 21 de Julho, numa audição parlamentar, a secretária de Estado da Educação, Susana Amador, teria afirmado que as escolas de ensino artístico especializado iriam ter mais alunos financiados pelo Estado, atingindo os 32 mil estudantes e que os contratos celebrados com as escolas de ensino Artístico Especializado, iria aumentar, passando de 72 para 74 milhões de euros.

Segundo uma nota divulgada pelo Município de Leiria, em todos os níveis de ensino ( iniciação, básico articulado e secundário), há 162 alunos já matriculados e distribuídos por turmas. Mas o Estado só está disponível para financiar 64. 
Um outro exemplo de como toda esta trapalhada é gerida: 
O Instituto Jovens Músicos da Caranguejeira candidatou-se a 10 vagas e recebeu 1.

Não levando a sério, a cultura como pilar fundamental do desenvolvimento pessoal e a capacidade crítica enquanto indivíduo em formação,  estamos a caminhar para a "ignorância" sem escolha, típica dos estados totalitários, em que o não conhecimento era o melhor amigo do Estado, mas também não se pode esperar muito de um País que numa área tão fundamental para o seu desenvolvimento não chega a gastar 1% do PIB enquanto deixa fugir só em corrupção o equivalente a 7,9% do Produto Interno Bruto .
Só na Bulgária por exemplo , são gastos cerca de 3 % a 4% do PIB na área da cultura.

O ensino Artístico é uma ponte fundamental para o desenvolvimento do jovem como cidadão na sua formação. Não é por acaso que o estudo da música por exemplo, leva a um maior resultado nas notas finais.
Estamos habituados a duas grandes áreas neste tipo de ensino; música e dança. Mas, e já em várias “discussões” com profissionais, creio ser imprescindível, diversificar o âmbito no ensino Artístico Especializado, alargando-o a outras matérias como o Teatro por exemplo. Poucas são as academias ou escolas com uma variedade aceitável.
Mas creio ser utopia este discurso porque a intenção agora é clara. Não é discutir o tema, mas sim acabar com o tema. É demasiado sério este assunto porque é de futuro e de formação cívica e cultural do cidadão que estamos a falar. É com isto que o Estado quer acabar. E as provas disso mesmo estão à vista de todos e só não vê não quer ver.
Porque, políticas educacionais conjugadas com políticas culturais decentes, não são para este governo. 
Ou este assunto se leva a sério e de vez, ou então que se feche o País e vamos todos viver para Vénus.

O comunicado do Santuário que não esclarece coisa nenhuma.

Setembro 12, 2020

Sérgio Guerreiro

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Como era expectável o Santuário de Fátima veio a público com um comunicado pela voz de Carmo Rodeia na qualidade de Porta Voz da instituição. Começa por dizer que o Santuário de Fátima “ tem sido alvo de uma reiterada campanha difamatória que atinge a credibilidade da instituição e a integridade moral dos seus corpos dirigentes”
Em causa estará os vencimentos da direção que “ tem posto em causa o nome e a idoneidade moral da equipa que governa” o santuário.
Diz a Porta Voz que as notícias sobre esta matéria “ além de falsas,  caluniosas e  difamatórias, não traduzem a realidade dos factos gerando ruído num tempo particularmente difícil onde o medo impera dado a incerteza da conjuntura nacional e internacional".
A primeira nota a reter sobre matéria de vencimentos da direção que a comunicação social trouxe a público, a porta voz do Santuário de Fátima, limitou-se a dizer que eram “ falsas e difamatórias...”  não apresentando números e não dizendo o valor auferido de vencimento pela equipa que governa o Santuário. Esperasse sempre de um comunicado desta natureza e à luz das notícias trazidas a público que se exerça o contraditório não se ficando somente por palavras. Faltam factos concretos e estes  foram  novamente ocultados ficando assim tudo na mesma. 

É verdade que os três responsáveis máximos recebem cerca de seis vezes e meia o valor do salário mínimo nacional como afirma a notícia da TVI? Para a Porta Voz do Santuário é mentira. Então quanto auferem? O comunicado não diz. 
Sobre números só é apresentado um único e com grande precisão,  que se diga a bem da verdade. 
"Apoios financeiros a instituições de solidariedade social, a famílias carenciadas e à igreja em particular em Portugal nomeadamente à Diocese de Leiria - Fátima, num total de 780.871,00”. O rigor dos números neste comunicado é só este. 
Sobre contas diz apenas que “ deste de 2006 as suas contas são auditadas por uma entidade externa” não dizendo qual, reafirmando somente que há uma gestão rigorosa.
Sobre isto ficamos todos outra vez na mesma porque o que se  esperava neste comunicado seria então mais uma vez mostrar e provar factos, e sobre as contas que deixaram de ser publicas, a Porta Voz da instituição não disse qual era a entidade externa que audita as contas do Santuário. Qual é essa entidade ? Não se sabe e o comunicado não esclarece.
Teria que o fazer?  Certamente que sim. Pelo menos para se ser um pouco mais transparente como quando o foi na apresentação dos números e do valor das ajudas que foram doadas.

Este comunicado não veio trazer a paz à questão de Fátima, e era isso que se esperava.  Eu suma, as notícias falam em números na questão dos vencimentos e a Porta Voz limitou-se a dizer que era mentira não provando rigorosamente nada, não dizendo afinal qual é o seu verdadeiro valor. 
Quando se faz um comunicado até pela natureza do ataque que tem sido feito à instituição para desmentir o que quer que seja, não basta fazê-lo  só em palavras. Mas é de palavras e não de factos concretos que este comunicado é feito.

Para que não exista qualquer questão dúbia, o Santuário perdeu agora uma grande oportunidade de ser claro. Não o fez porque não quis e as dúvidas permanecem,  porque este comunicado não esclareceu coisa nenhuma.

Sejamos sérios e certamente a Nossa Senhora de Fátima agradece.

 

Nota; Poderão ouvir o comunicado na página de Facebook do Santuário de Fátima e aqui : https://youtu.be/nNG2vcx0ULQ

 

Foto de Orlando Almeida / Global Imagens

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