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Melhor Política

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D.Manuel Clemente e a indigna representação cristã.

Agosto 06, 2022

Sérgio Guerreiro

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Sobre a questão dos abusos sexuais, D.Manuel Clemente colocou o seu lugar à disposição caso fosse esse o entendimento do Papa.

 

Desde 2020 que os padres são, segundo um manual de procedimentos emitido pelo Vaticano, obrigados a comunicar às autoridades policias todos os crimes de abuso sexual por parte dos membros do clero que lhes possam ser comunicados. No entanto, nem todos estes crimes são públicos e podem ser alvo de uma queixa sem ser pela inciativa da própria vítima ou pelo seu responsável, se for menor.

 

O crime de abuso sexual de menor de 14 anos é um crime público desde 2007 e qualquer pessoa que dele tenha conhecimento pode denunciá-lo. Já o ato sexual de relevo com menor entre 14 e 16 anos, segundo o código penal, depende de queixa da vítima ou do seu representante legal, salvo se dele resultar suicídio ou morte da vítima.

 

O mais recente caso que põe em “cheque” a figura máxima da Igreja Católica em Portugal, por este ter conhecimento de um abuso sexual e mantendo o agressor no exercício das suas funções, de facto não se enquadram no tal “manual de procedimentos” por terem sido cometidos em data anterior.

No entanto, se a questão no foro técnico/jurídica não se coloca no presente, o mesmo não podemos afirmar na quadro moral do caso.

A igreja cristã sempre esteve envolta em polémica no que concerne a crimes de abuso sexual de menores. Isto não é novidade para ninguém. Porém, muito embora no plano jurídico pouco ou nada se possa fazer,  há para sempre e sem qualquer prazo de prescrição, um outro plano, que é inegável que deveria sobrepor-se : a moral e o respeito.

 

D. Manuel Clemente, sofrendo subitamente do síndroma da esquerda que abala o país onde tudo acontece mas ninguém de responsabiliza, deixa para o Papa o exercício e a prática da sua auto consciência. Isto é: só se demite do cargo que ora ocupa se o Papa assim entender. Em prima linha, o representante máximo da igreja católica em Portugal, tem sob sua alcança a responsabilidade de responder sobre quaisquer actos praticados pelos seus súbitos no exercício das suas funções aos Portugueses católicos. Em segunda linha, esta tomada de posição revela uma indigna falta de auto-avaliação e auto consciência crítica, valores considerados como pedras basilares na linguagem cristã.

 

Esta igreja ainda cheira a mofo.

Outubro 26, 2020

Sérgio Guerreiro

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“ Quem sou eu para julgar “.

Logo que iniciou o seu Pontificado o Papa Francisco mostrava e apelava à integração dos homossexuais na vida da igreja. Mas estas declarações chocam de frente com a posição do teu antecessor Joseph Ratzinger que em 2013 afirmou que A igreja ensina que o respeito para as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais”. Agora, aquele que foi seu braço direito e actual líder da Igreja Católica, pede que os Países criem uma lei de união civil que proteja os homossexuais. Apesar desta posição do Papa Francisco, mais progressista ser já esperada, a igreja católica  continua a não permitir o casamento católico entre pessoas do mesmo sexo. 
Portanto, a sua doutrina continua igual. Certamente as recentes declarações do chefe da Igreja não agradaram a alguma ala mais conservadora que ainda existe no mundo católico. Em Portugal não se ouviu ninguém. Podem estar ainda a digerir esta orientação. 
Estas declarações de forma tão clara e aberta por parte do líder de uma igreja tão fechada em doutrinas presas e amarradas a um passado que ninguém viveu, podem ser uma lufada de “ ar de fresco” e vejo-as como uma “janelinha” que se abriu para retirar um pouco do mofo em que a Igreja ainda vive. 

Seguir-se-à a permissão do casamento católico a pessoas do mesmo sexo? Mas porque não? Qual é o racional de se negar este direito? A igreja não responde a esta questão porque ainda vê a união como uma mera forma de procriação. Negar o direito de casais do mesmo sexo a celebrarem casamento católico, é nos dias que correm uma enorme imoralidade. A lei civil, na graça de Deus, está mais avançada. Estas declarações, não sendo uma esperança para os casais do mesmo sexo, podem ser vistas como um tratamento igualitário perante a fé. “Chocar” a sério, seria permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Mas este já é  um passo muito importante que vale o que vale. Poucochinho. 

Este passo é reconhecer, tardiamente, que uma coisa é a fé, outra é a sexualidade que cada um escolhe. Mas ainda assistimos a muitos católicos a reprovar a união de pessoas do mesmo sexo e esta dicotomia, entre as regras da Igreja e a evolução social do ser humano, tem um grande caminho a percorrer. 
Porque razão também as mulheres não poderão celebrar eucaristias? Não vejo as mulheres católicas a questionar isto. 
Porque razão, quem enveredar pela fé como profissão, não pode casar e constituir família como em tantas outras religiões? São estas e outras questões tão pouco debatidas que prende a evolução social da Igreja afugentando “seguidores “ que procuram acolhimento na fé em religiões mais abertas." É demasiadamente lenta a evolução do mundo católico e seu dever também é acompanhar a ascensão do homem à sua felicidade interior assim como respeitar a sua decisão pessoal.

A igreja é lenta porque é velha e retrógrada como demasiados poderes instalados que história não nega mas que hoje não faz sentido algum.

Esta Igreja continua podre não permitindo que se abram as janelas para que saia de vez o cheiro a mofo onde ela própria ainda vive.

 

 

 

 

O comunicado do Santuário que não esclarece coisa nenhuma.

Setembro 12, 2020

Sérgio Guerreiro

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Como era expectável o Santuário de Fátima veio a público com um comunicado pela voz de Carmo Rodeia na qualidade de Porta Voz da instituição. Começa por dizer que o Santuário de Fátima “ tem sido alvo de uma reiterada campanha difamatória que atinge a credibilidade da instituição e a integridade moral dos seus corpos dirigentes”
Em causa estará os vencimentos da direção que “ tem posto em causa o nome e a idoneidade moral da equipa que governa” o santuário.
Diz a Porta Voz que as notícias sobre esta matéria “ além de falsas,  caluniosas e  difamatórias, não traduzem a realidade dos factos gerando ruído num tempo particularmente difícil onde o medo impera dado a incerteza da conjuntura nacional e internacional".
A primeira nota a reter sobre matéria de vencimentos da direção que a comunicação social trouxe a público, a porta voz do Santuário de Fátima, limitou-se a dizer que eram “ falsas e difamatórias...”  não apresentando números e não dizendo o valor auferido de vencimento pela equipa que governa o Santuário. Esperasse sempre de um comunicado desta natureza e à luz das notícias trazidas a público que se exerça o contraditório não se ficando somente por palavras. Faltam factos concretos e estes  foram  novamente ocultados ficando assim tudo na mesma. 

É verdade que os três responsáveis máximos recebem cerca de seis vezes e meia o valor do salário mínimo nacional como afirma a notícia da TVI? Para a Porta Voz do Santuário é mentira. Então quanto auferem? O comunicado não diz. 
Sobre números só é apresentado um único e com grande precisão,  que se diga a bem da verdade. 
"Apoios financeiros a instituições de solidariedade social, a famílias carenciadas e à igreja em particular em Portugal nomeadamente à Diocese de Leiria - Fátima, num total de 780.871,00”. O rigor dos números neste comunicado é só este. 
Sobre contas diz apenas que “ deste de 2006 as suas contas são auditadas por uma entidade externa” não dizendo qual, reafirmando somente que há uma gestão rigorosa.
Sobre isto ficamos todos outra vez na mesma porque o que se  esperava neste comunicado seria então mais uma vez mostrar e provar factos, e sobre as contas que deixaram de ser publicas, a Porta Voz da instituição não disse qual era a entidade externa que audita as contas do Santuário. Qual é essa entidade ? Não se sabe e o comunicado não esclarece.
Teria que o fazer?  Certamente que sim. Pelo menos para se ser um pouco mais transparente como quando o foi na apresentação dos números e do valor das ajudas que foram doadas.

Este comunicado não veio trazer a paz à questão de Fátima, e era isso que se esperava.  Eu suma, as notícias falam em números na questão dos vencimentos e a Porta Voz limitou-se a dizer que era mentira não provando rigorosamente nada, não dizendo afinal qual é o seu verdadeiro valor. 
Quando se faz um comunicado até pela natureza do ataque que tem sido feito à instituição para desmentir o que quer que seja, não basta fazê-lo  só em palavras. Mas é de palavras e não de factos concretos que este comunicado é feito.

Para que não exista qualquer questão dúbia, o Santuário perdeu agora uma grande oportunidade de ser claro. Não o fez porque não quis e as dúvidas permanecem,  porque este comunicado não esclareceu coisa nenhuma.

Sejamos sérios e certamente a Nossa Senhora de Fátima agradece.

 

Nota; Poderão ouvir o comunicado na página de Facebook do Santuário de Fátima e aqui : https://youtu.be/nNG2vcx0ULQ

 

Foto de Orlando Almeida / Global Imagens

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