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Melhor Política

Melhor Política

Os abutres de câmara na mão

Junho 25, 2022

Sérgio Guerreiro

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Se é verdade que o caso da Jéssica abalou e chocou o país, também por parte de alguma comunicação social, foi de certa forma revoltante a tudo a que assistiu. Entre todos eles, era ver quem mostrava mais, quem explorava mais e quem poderia captar a melhor imagem ou recolher algum “ testemunho”.

O que aconteceu e o horror que nos foi relatado, mostra-nos que por um punhado de audiência vale tudo. Sem respeitar a dor social e sem proteger a comunidade, alguma comunicação social, espremeu a crueldade do acto até não dar mais.

Já não é a primeira vez que em casos semelhantes a comunicação social, de câmara em riste, vai atrás do sangue e da mais pura e ignóbil mísera humana.

Não pode haver complacência alguma para com quem pratica um crime desta natureza, mas não deve igualmente existir por parte da sociedade civil, nenhuma condescendência aos órgãos de comunicação social, que através da dor expõe e explora um qualquer horrendo crime.

Caberá à justiça dissecar os factos e a pena a aplicar aos culpados, mas caberá à sociedade civil, decidir não mais tolerar que as televisões voem como abutres famintos de câmara na mão, quando cheira a sangue. Este voyeurismo televisivo pode ser tão ou mais horrendo que o próprio crime. Enquanto não existir alguma regulação para proibir este triste espectáculo, assistiremos ao degradar da comunicação social com todas as  consequências a isso inerentes.

As “Tânia Laranjo” desta vida, prestam-se a um serviço de tal forma humilhante que vendem a dor dos outros e da sociedade em geral em algo que chamam de informação. Mas aquilo a que assistimos, é nada mais que uma pura prostituição jornalística revestida em interesse público.

Eutanásia: afinal, o direito à vida pertence a quem?

Junho 09, 2022

Sérgio Guerreiro

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Pela terceira vez e em duas legislaturas diferentes o parlamento voltou a votar a despenalização da morte medicamente assistida. Depois de baixar à especialidade onde os várias grupos parlamentares podem “ acertar” algumas agulhas na letra da lei, esta seguirá rumo a Marcelo para promulgação ou para pedido de fiscalização preventiva como o fez no passado.

 

Uma, das mais diversas questões que o problemática da eutanásia tem levantado, é perceber o quão importante seria dar a voz ao povo nesta tão importante matéria revestida de uma grande dose de individualidade, isto é, deveria ou não ser realizado um referendo?

Se muitos entendem que o parlamento está legitimado para decidir sobre a escolha pessoal de cada um, no que  diz respeito à eutanásia, outros dirão que há decisões e matérias que deveriam passar por uma decisão popular por ser sensível, recordo a decisão do parlamento nacional aquando da despenalização da interrupção voluntária da gravidez, que nasceu dessa mesma vontade popular realizando-se um referendo em fevereiro de 2007.

Para de facto o tema ser pacífico na sociedade portuguesa, não questionando a legitimidade parlamentar,  o referendo deveria ser o caminho.

 

Porém, e se facto a nossa Constituição é clara quanto à inviolabilidade da vida humana, também é claro que a nossa Lei fundamental admite que o nosso país é uma república  baseada na dignidade do ser humano. De igual forma, a Declaração Universal dos Direitos do Homem logo no seu artigo 1.afirma que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade.

A questão de fundo a tratar quando falamos de morte medicamente assistida, é avaliar dois aspectos:

1- afinal de quem é a pertença da vida humana;

2- o que é a dignidade humana.

 

No primeiro aspecto, a vida é de facto pertença do indivíduo. É uma “propriedade” em que sobre a qual ninguém pode e deve decidir. Se o indivíduo quiser morrer, morre.  Ele tem sobre a sua própria vida o poder de escolher de acordo com as suas convicções.

Um segundo aspecto é o sofrimento extremo e de doença incurável dependendo de terceiros. Estará o indivíduo a viver nestas condições em dignidade? Se todos nascemos de um acto involuntário pessoal, então que se possa voluntariamente decidir se queremos ou não continuar vivos.

 

O conceito de dignidade humana não colide juridicamente com qualquer norma constitucionalmente relevante. Na verdade, o Tribunal Constitucional (TC) aceita a despenalização da morte medicamente assistida, afirmando até que o direito à vida não pode estar circunscrito a viver sem dignidade e a qualquer custo.

Muitos daqueles que são contra à despenalização da morte medicamente assistida, afirmam que o estado ( leia-se poder central ) não deveria de legislar sobre esta matéria, deveria isso sim, criar as condições necessárias mormente nos cuidados paliativos para dar ao doente maior dignidade em vida.

Resta a pergunta: mesmo que  Portugal fosse o país com as melhor condições do mundo em cuidados paliativos, então igualmente o indivíduo não poderia escolher em consciência por termo à sua dor?

Independentemente de qualquer causa, de qualquer opção ou condição, o direito à vida pode, se o indivíduo assim desejar, ser igual ao direito de morrer com  dignidade. É disto que a despenalização da morte medicamente assistida trata e é isto que significa liberdade.

Violação: um crime que deve ser público

Abril 29, 2022

Sérgio Guerreiro

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Não ter dúvida de que por medo ou vergonha, qualquer vítima de violação poderá não apresentar queixa, é meio caminho andado para ser perceber a razão da importância de uma alteração penal para que deva com urgência tornar a violação em crime público. Cabe ao legislador, leia-se deputados e deputadas da nação, ter a sensibilidade para essa mesma importância. A partir do momento em que a violação passe a fazer parte da esfera jurídica de todos, isto é, passe a ser considerado como crime público, a sua denúncia, poderá ser apresentada por qualquer cidadão que dela tenha real conhecimento. Só assim, de alguma forma se poderá provocar um efeito dissuasor no agressor ao saber que o crime é público e qualquer cidadão o poderá denunciar. No entanto , e sempre a considerar o elo mais fraco na matéria em apreço, a vítima, só assim se poderá protege-la mas no entanto poderemos pensar quantas queixas ficam por fazer e quantas investigações não são levadas adiante, por falta de denúncia. Do ponto de vista jurídico, não há nem pode existir qualquer contexto social nem legal para que não se possa denunciar um agressor de violação e a sociedade civil não compreende esse mesmo facto. Mais, todos nós nos recordamos das afirmações proferidas por um jovem de 19 anos num directo feito pelo humorista Fábio Alves na sua rede social Instagram, quando este o questiona qual a coisa mais bizarra e erótica praticada durante um ato sexual. O jovem de 19 anos diz que não pode dizer, mas um amigo revela que foi a violar uma rapariga. "Deixei-a lá e depois o INEM foi buscá-la (...)" Quando o humorista lhe pergunta se é mesmo assim, o jovem reitera que violou a jovem e que "foi só uma vez". Estas afirmações, que para além de causarem a revolta e o alarme social foram largamente difundidas tornando-se mesmo virais. Facto este, sintomático da necessidade que é dada ao legislador de reformular a lei penal. Se o avanço legislativo que foi sendo feito no que concerne ao crime de violência doméstica, ficará então por compreender a razão de o parlamento não decidir legislar sobre matéria igualmente tão importante como é o crime de violação. Há razões de sobra ( e mesmo que não houvesse ) de tão necessário quanto urgente em reagir de forma eficaz a este tão abjecto crime. Torná-lo público é o caminho certo e necessário para a proteção das milhares de vítimas que pelo medo ou pela vergonha se remetem a tão atroz e doloroso silêncio. Está nas mãos do legislador abrir a porta a todas as vítimas de violação, respondendo ao apelo da sociedade civil para que se olhe para este flagelo sem qualquer estratificação social.

O verdadeiro e único abril

Abril 24, 2022

Sérgio Guerreiro

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Comemora-se 48 anos da queda do regime do Estado Novo.
O regime político ditatorial, autoritário, autocrata e corporativista do Estado que vigorou em Portugal durante 41 anos ininterruptos, desde a aprovação da Constituição portuguesa de 1933 até ao seu derrube pela Revolução de 25 de Abril de 1974.

Por certo discursarão as mais altas individualidades do estado português, não faltando, como não poderia deixar de ser, o tecer das mais nobres considerações sobre a liberdade enquanto nação. As virtudes e a importância da revolução de Abril são inegáveis assim como também é o 25 de Novembro. Historicamente, o papel de cada uma destas datas foi relevante para o Portugal de hoje mas ninguém poderá hoje afirmar com convicção e algum realismo (ou mesmo sentido de estado), que a evolução sócio/política de Portugal tal como agora a encontramos, não poderia ser a mesma sem abril de 1974 como sem novembro de 1975. Se a primeira data nos deu a luz e o sabor de uma madrugada por muitos sonhada, a segunda permitiu devolver o que abril conquistou, impedindo que Portugal mergulhasse às mãos de uma extrema esquerda ávida de poder onde o processo revolucionário em curso ( PREC) viu o seu fim.
Mas é da verdadeira liberdade que vos quero falar, daquilo que poderia ou deveria significar, à luz dos dias de hoje, o princípio fundamental da liberdade individual e coletiva.

Muitos podem confundir o poder de falar ou de escrever livremente, com a verdadeira essência de liberdade. Muitos podem igualmente entender que a existência de uma pluralidade política também é sinónimo de liberdade.
Assim é. Factos inegáveis estes.
Mas será que a liberdade se esgota nestes poderes?
Será que para sermos verdadeiramente livres, a possibilidade de escolher de quatro em quatro anos os nossos representantes na Assembleia da República ou para outros órgãos políticos e de soberania, é suficiente para que todos possamos sentir e viver o conceito pleno de abril?
Uma sociedade justa, plena de vivências na construção de possibilidades igualitárias para todos, uma sociedade onde o estado de direito democrático impera sem refúgios ou sem sombras esquinas, é o verdadeiro sentido de abril.

Hoje, é inquestionável que Portugal vive sob o fingimento de uma justa sociedade. Hoje, é palpável até, que Portugal vive o que nunca antes ninguém sonhou. Preso a políticas anti desenvolvimento social, castradoras das liberdades individuais , colectivas e económicas.
Hoje, é manifesto o controlo do estado pelo estado e o minar da política em quase todos os sectores da sociedade.

Todos podemos ver, sentir e assistir, a um país preso pelo conceito de dividir para reinar, polvilhando as instituições com os seus para controlar e para se decidir conforme se deseja e sempre de acordo com um plano há muito traçado: mandar nisto tudo, controlar isto tudo e viver disto tudo.
Todos podemos ver e sentir, que na verdade abril não morreu, mas aos poucos, muitos são aqueles que tentam matar abril sem dó nem piedade da mesma forma que vão matando este Portugal onde pouca coisa já resta. Sim, viva abril e sempre, mas não podemos sentir qualquer liberdade quando se mente para governar. Viva um Portugal mais livre e mais justo..

A opinião pública que forçou a Europa a tomar decisões.

Março 01, 2022

Sérgio Guerreiro

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Esta guerra, que muitos julgavam ser impossível de acontecer, está à nossa porta. Putin, julgaria que rapidamente  acabaria com a Ucrânia. Subestimou a sua determinação e a sua coragem . Putin, enganou-se. Pensaria que o assunto se arrumaria depressa e que o povo Russo o apoiaria incondicionalmente.

Mas o povo Russo não está com Putin, e para além das sanções económicas já anunciados, também o Tribunal Penal Internacional abriu um inquérito a fim de averiguar dos possíveis crimes de guerra que a Rússia praticou contra o povo Ucraniano.

Parece não existir dúvida. Putin, não contava com a mobilização do mundo inteiro contra si.

E será essa mesma mobilização que fará a Rússia recuar, seja uma mobilização internacional  seja mesmo uma rebelião do próprio povo Russo que dia menos dia poderá acontecer. A história depressa  mostrará que Putin abandonará o seu povo o que é típico dos líderes loucos tal como Putin é.

 

No entanto, este louco, sabia que as sanções económicas por parte da União Europeia e não só, acabariam por chegar. Embora não tão rapidamente como se esperaria, o mundo ocidental pressionava os líderes europeus a tomarem decisões que fossem de alguma forma duras para a Rússia.

 

A dependência energética foi um dos factores que os líderes europeus tiveram em linha de conta o que resultou num atraso significativo na aplicação dessas sanções. Mas é preciso mostrar a Putin, que os custos desta guerra terão um elevado preço a pagar.

 

Relembrar que cerca de 40% do gás que consume é proveniente da Rússia.

 

Mas quem mudou o rumo desta história?

A opinião pública.

 

Foi a pressão dos povos que mudou o curso de guerra, forçando as lideranças europeias a tomarem rapidamente decisões na aplicação de fortes sanções à Rússia.

Mas creio, com poucas reservas, que a vitória que se aproxima pela liberdade e pela paz pertence também ao próprio povo Russo que está ao lado da Ucrânia e com isto, Putin não contava. Este é só mais louco que será julgado pela história e não só. Na verdade, nós europeus devemos ter orgulho na força que a União Europeia tem demostrando neste conflito. E a verdade é só esta: estamos a caminhar no lado certo da história, muito embora por cá, alguns preferissem estar a caminhar no lado errado. Nós hoje, ainda podemos sair à rua e aproveitar o sol no fim de tarde, mas para muitos, hoje pode ser o último dia para qualquer coisa.

Quando informar se torna em “espectáculo”.

Fevereiro 11, 2022

Sérgio Guerreiro

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O recente caso de um jovem de 18 anos que foi detido por suspeita de estar a preparar um atentado terrorista contra estudantes na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, está em envolto no voyeurismo social alarmante que deve levar alguns órgãos de comunicação social a rever o conceito de informar.
Entendo que prestar um serviço público nesta área, não pode entrar em pormenores inúteis como deslocar meios para a aldeia de onde o jovem é natural ou expor a sua família nas televisões. Isto não é informar, isto é uma psicopatologia jornalística onde se perde a noção daquilo que significa o papel da informação numa altura em que pouco ou nada se sabe.
Não pode valer tudo em nome das audiências.
A pergunta que se deve colocar é saber a pertinência da informação que se está a dar. Qual é a relevância jornalística de tudo isto ? Zero. Nada. Não acrescenta rigorosamente coisa nenhuma expor a uma aldeia inteira ao país por estas razões como aproveitar a dor de uma família humilde possivelmente incapaz de lidar com tudo isto. Haja respeito. Haja limite e algum decoro o que parece não existir, e todo este caso é prova disso mesmo.
O debate tem que ser feito e a sociedade deve exigir que a comunicação social  não continue sistematicamente nesta pratica de “voyerismo social” que se vai alimentando à custa da desgraça dos outros.
 
Se por um lado o acto do jovem pode ser condenável devendo perceber-se as razões e os motivos , certamente a justiça estará presente para cumprir o seu papel.
No entanto, este  triste espectáculo informativo a temos assistido não é menos condenável, e o papel de a “ castigar” caberá a todos. Quando a ausência de valores se mostra em directo, estaremos perante uma degradação do papel social de alguns órgãos de informação que têm uma enorme responsabilidade na construção de uma sociedade mais justa e tolerante. 

Mamadou Ba: o orgulhosamente racista

Fevereiro 03, 2022

Sérgio Guerreiro

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Poderíamos começar por perceber porque razão Mamadou Ba não respeita ninguém.

Na minha modesta opinião a causa reside num perigoso facto : essencialmente o autoproclamado activista é de facto racista.

A táctica usada é o normal.

Incendia as redes sociais com frases mais ou menos polémicas, ( mais sempre que menos) não respeita a democracia e não combate verdadeiramente o racismo.

Um líder activista que em tese tem o propósito de combate a este flagelo social, não só não o faz, como  não ajuda em nada quem verdadeiramente o que quer fazer.

Estou convicto nesta minha afirmação. Sim, Mamadou Ba é um puro racista e não perde uma oportunidade para o demostrar. Polémicas do ativista são inúmeras e de momento é só mais uma.

Após os resultados eleitorais, o autoproclamado ativista escreveu nas suas redes sociais:” Vamos ter 11 suínos na AR, entre eles, um terrorista assassino de extrema-direita. A luta não será na AR, mas na rua! Preparem-se!”.

Fácil será de concluir que a frase tem como referência os recentes deputados eleitos pelo partido Chega.

Mamadou Ba quer e deseja protagonismo, e na verdade consegue alcançá-lo da pior forma possível. É capa de jornais e ainda bem que o é, porque todos ficamos a saber como Mamadou Ba combate quer combater o racismo. Sobre estas graves declarações, da esquerda mais radical não se ouviu nem um piu.

 

Cada um de nós, seres pensantes e dotados de raciocínio, faz as suas escolhas e concordamos ou não com os outros ( politicamente falando) combatemos à nossa maneira aquilo em que acreditamos. Mas os seres racionais fazem esse combate com elevação, com argumentos e com factos.

Na verdade, o bem e o mal ou o correto e o incorreto são de alguma forma o espelho daquilo que pensamos e de como agimos.

Uma sociedade politizada e consciente, só pode evoluir quando a nossa comunicação enquanto emissores de mensagens para o exterior, discordando das suas ideias, as combate com argumentos válidos procurando encontrar no seu discurso alguma incoerência entre o que se diz e o que se pratica, tentado encontrar nos seus ideais, políticas intolerantes que chocam de alguma forma com os princípios humanos.

Dentro deste quadro, a democracia deve ser respeitada porque é dela que nasce a escolha individual, gostemos ou não dessa mesma escolha.

 

A consequência do discurso de Mamadou Ba, é reveladora de uma posição antidemocrática, coerente de alguma forma como a sua ideologia, mas no entanto é um discurso que deixa a porta aberta para a intolerância que ele mesmo procura.

A liberdade de expressão não se pode confundir com a falta de entendimento do que é a democracia e dos seus mais basilares princípios e este radicalismo alimentado por Mamadou Ba, causará uma dinâmica perigosa que prejudicará a ainda mais a sociedade Portuguesa do qual todos seremos vítimas.

 

foto: Diário de Notícias

Quererá aquele que critica os cargos políticos do sistema querer um cargo político … do sistema?

Fevereiro 01, 2022

Sérgio Guerreiro

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O primeiro ato da nova Assembleia da República, é a eleição do (a) Presidente da Assembleia que nas regras Constitucionais é a segunda figura do estado português. Será igualmente eleito os quatros vice-presidentes para que assim seja constituída a mesa da Assembleia para subsistir o(a) presidente na sua ausência.

As regras instituídas, ditam que o (a) Presidente da Assembleia da República é eleito por maioria absoluta dos Deputados em efetividade de funções na primeira reunião plenária da legislatura, tendo o seu mandato a mesma duração (quatro anos) sob proposta do partido mais votado enquanto os quatro vice-presidentes provêm das quatro maiores forças políticas.

 

Ora, o Chega como terceira força política eleita terá  direito a indicar um nome para integrar a mesa da Assembleia da República, com a anuência ( leia-se) votação da maioria de deputados eleitos. Significado isto, que o Chega para materializar e ver um vice-presidente da sua bancada compor um órgão do sistema, precisará de 116 deputados a votarem favoravelmente o seu candidato.

O“ não passarão “ poderá passar também pela não eleição de um vice-presidente do partido de André Ventura( que será que mais certo).

 

A primeira prova de fogo para vermos como lidar com um partido de extrema-direita começa já nesta eleição para o cargo de vice-presidente e da mesa da Assembleia da República e aguardaremos serenamente pela encenação e o teatro de vitimização do Chega caso não consiga  para eleger o seu candidato no órgão mais importante do sistema.

O dia seguinte.

Janeiro 31, 2022

Sérgio Guerreiro

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É verdade que ninguém esperava que os resultados agora conhecidos das eleições legislativas, marcadas pelo chumbo do Orçamento do Estado, fossem aquilo que hoje são.  A escassos dias das eleições fomos sabendo pelas sondagens que a disputa entre o PS e o PSD era renhida existindo até, um empate técnico entre Rui Rio e António Costa.

O resultado foi outro, e os eleitores deram ao Partido Socialista uma maioria absoluta que nem o próprio concebia ser possível. Mas foi, e contra isto nada a fazer. As razões tácticas e políticas para chegar aqui são inúmeras e os portugueses responderam ao país que não gostam de crises políticas, penalizando os partidos mais à esquerda ( BE e PCP) pelo chumbo do Orçamento do Estado, aliando a tudo isto, o medo que o PS fez circular de uma extrema direita integrar o governo de Rui Rio. Tudo teve impacto na hora do voto mas se por lado muitos queriam voltar a ver o PS no governo, muitos dos seus eleitores não queriam o PS a mandar nisto tudo. Hoje, estou certo da existência de um certo arrependimento de alguns eleitores de esquerda. 

A verdadeira reflexão que agora teve ser feita, não é saber como aqui chegamos mas porque razão aqui chegamos, e escolher o que já se conhece pode ser sinónimo de uma grave iliteracia política e financeira de um povo que prefere não conhecer aquilo que é diferente que poderá a futuro dar melhor resultado. Há medo de ser diferente, há medo de apostar em outras políticas em detrimento das existentes que no entanto todos  sabem não produzir resultados, mas o conforto falou mais alto sendo preferível viver uma sociedade que já se conhece do que apostar numa diferente forma de estar.

Ainda se acredita em mentiras e o PS vive da desgraça de muitos e de todos aqueles que dependem dele. O PS atacou o eleitorado pelo medo de mudar, e mudar comportamentos eleitorais num país envelhecido não é fácil.

Há uma ideia, que o estado tem um compromisso exclusivo; dar, dar e mais dar, e muitos esquecem-se que aquilo que o estado dá é com o dinheiro de todos. Não há dinheiro do estado , porque tudo aquilo que ele distribui é fruto do nosso trabalho.

É esta a ideia que muitos têm porque é esta a ideia que é transmitida sem ninguém questionar como é que tudo isto se paga. A diabolização de um discurso que a direita vem ai retirar e reduzir apoios, a privatização do Serviço Nacional de Saude e o corte nos apoios sociais, ou mesmo uma direita contra o salário mínimo nacional, criaram o medo naqueles que já pouco têm.  É esquecida a criação de riqueza que faz crescer a economia, é esquecida a possibilidade de reduzir impostos às famílias e às empresas, é esquecido em suma o desenvolvimento.  No entanto, para argumentar politicamente fazendo vingar um determinado pensamento económico menos dependente do estado, será preciso igualmente o surgir de uma nova classe política capaz de comunicar cabalmente demostrando que há um caminho diferente tal como fez a Iniciativa Liberal, porque até aqui todos sabemos que o modelo do socialismo não funciona e não faz falta a Portugal.

O novo dono disto tudo, que escraviza um povo incapaz de se libertar das amarras de um estado castrador da liberdade individual ganhou pelo medo. Perdemos todos, perdeu o país e voarão para outras paragens muitas bagagens recheadas de sonhos que aqui já não se consegue concretizar.


Votar: queres escolher tu, ou escolho eu por ti?

Janeiro 27, 2022

Sérgio Guerreiro

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Há duas hipóteses para quem ainda não foi votar: ou acarreta a decisão dos outros, ou decide fazer parte da escolha.

Se é legítimo qualquer delas, a primeira significa coisa nenhuma enquanto a segunda é estar presente activamente na vida democrática e política fazendo pleno uso de um direito pelo qual muitos lutaram e morreram com um mero objetivo: para que hoje pudéssemos todos de forma livre e democrática, escolher conforme as nossas convicções, o melhor para todos e enquanto sociedade.

 

O estudo “ Os jovens em Portugal hoje” realizado pela Fundação Manuel dos Santos ( FFMS) conclui que entre 4904 jovens inquiridos entre os 18 e os 34 anos, representando um universo de 2,2 milhões de jovens, 14% nunca votaram. Segundo Howard Williamson, professor de Política Europeia da Juventude na Universidade de South Wales, os jovens “ estão compreensivamente desiludidos com alguns de seus líderes políticos.

 

Para além do exercício de um direito cívico, votar é mostrar de forma concreta o que se pretende ou mesmo o que não se pretende, e nada mais errado que não atribuir ao voto a verdadeira a importância que ele por ter na vida concreta de cada cidadão.

A composição da nossa Assembleia da República, depende daquilo que nós mesmos escolhemos e com o qual nos possamos identificar, mas não votar pode desenhar um quadro parlamentar bastante diferente daquele que todos desejamos.

Se grande parte dos cidadãos não exercer este tão importante direito para o pleno funcionamento da democracia, só há duas possíveis leituras: que está tudo bem como está, ou ir votar ou não, não vai alterar coisa nenhuma.

Obviamente que não está tudo bem e obviamente que votar pode alterar tudo continuando a reclamar a mudança do país à mesa do café.

Certamente não faltarão motivos para votar, basta escolher um .

Estas eleições revestem-se de particular importância pelas mais variadas razões, embora todas elas afectem o nosso quotidiano. As eleições legislativas tem na minha opinião um maior impacto. Desde logo porque é desta eleição que nascerá um programa de governo com a posterior apresentação de um Orçamento do Estado que influencia diretamente a nossa vida e a nossa carteira.

Se por lado, como atrás afirmei que não votar é legítimo pela escolha da não participação, é errado pensar-se que a abstenção favorece alguns dos partidos, prejudicando de forma objectiva toda uma sociedade que deve estar unida na busca de soluções aos problemas de todos.

É um facto inegável que não votar, não significa a perda de direitos, mas será legítimo que pela via da demissão da escolha se possa  criticar as opções políticas e públicas que a todos dizem respeito ?

Estando perante um direito que não se exercendo, parece ser do ponto de vista moral adequado afirmar-se,  se não se votar poderá este facto ser entrave à manifestação de desagrado pela concretização uma qualquer política. Antes de tudo ser concretizado a montante,  todas as políticas foram uma opção, ou seja, foram na generalidade dadas a conhecer como uma escolha a fazer por parte de cada um de nós.

A abstenção que não favorece ninguém prejudicando de facto todo o país na medida em que o rumo que se toma podia ser outro, é sinónimo de um espectáculo onde uma grande parte prefere não ter papel algum e onde poucos são os verdadeiros protagonistas que dão o corpo às balas. Somos poucos ainda a fazê-lo, mas estou em crer que vamos ser cada vez mais. 


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