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Melhor Política

Melhor Política

Saber que há pobreza já é revoltante, mas vê-la de tão perto ainda é mais.

Outubro 30, 2022

Sérgio Guerreiro

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Hipermercado, sábado , 11.30.

Pacientemente esperava pela minha vez no posto da caixa 3 de um hipermercado. Dentro do pequeno carro de compras que me acompanhava, continha meia dúzia de coisas. Mesmo à minha frente, um casal,  aparentemente jovem, fazia passar as suas compras por aquele apito infernal da caixa que, apesar da hora já tardia, confesso que me irrita sempre seja a que horas for.

O casal, também não carregava no seu carro de compras muita coisa, o que me aliviou de certa forma criando a certeza que depressa sairia dali. Não gosto de ir às compras, irrita-me e não tenho paciência nenhuma para isto.

Enquanto via a passagem das compras do casal  a fazer a viagem entre o carro e a caixa 3, depressa ia ajeitando as minhas para as colocar naquela espécie de tapete rolante que volta e meia baralha o nosso saco de cenouras com as cebolas do “ vizinho “.

Chegou o momento do jovem casal pagar a sua conta. Não me apercebo do valor mas  fiquei com a percepção que algo de estranho estaria a acontecer. Estava tudo muito demorado e a minha esperança de sair dali tão rapidamente como entrei, estava a atormentar o meu estado de espírito já de si bastante inquieto.

Depressa, não procurando razões para sentir tal demora, dei comigo a olhar para aquele jovem casal a devolver alguns bens ao carro.

Foi aí que o tempo parou, o meu coração acelerou enquanto uma pequena lágrima transparente escorria pela cara da jovem rapariga que não conseguiu conter a vergonha. Foi naquele momento que me arrepiei, que pensei que também poderia ser eu ali, a ter que devolver compras básicas. Foi naquele momento, que senti o mundo a cair em cima de mim.

Poucos se teriam apercebido disto. Talvez só eu e a senhora da caixa 3 que pela seu frieza e forma de actuar já estaria habituada a tantas histórias iguais a esta. Mas eu não estava  preparado para ver isto.

O seu companheiro, que lhe segredou umas palavras, supondo eu de conforto, continuou a devolver ao carro mais alguns produtos, até que a conta final estivesse de acordo com a carteira do jovem casal.

 

Não me recordo de assistir a algo tão doloroso, tão forte e tão difícil de ver.

O que eu temia e o que me encheu de vergonha, hoje também me fez chorar.

Não me recordo de gostar de ir compras, e afinal, alguma razão me assiste.

Hoje, pode ser doloroso ir só comprar meia dúzia de coisas, não só porque o preço dos bens essenciais aumentou exponencialmente, mas porque também nos pode partir o coração.

0s 125€, a pobreza e a caça ao voto.

Outubro 22, 2022

Sérgio Guerreiro

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Tem sido apanágio do socialismo, criar no povo que sustenta o estado, uma cada vez maior dependência. As notícias que circulam sobre a pobreza em Portugal não são animadoras. Hoje, o nosso país é o 13.mais pobre da Europa onde cerca de 4,4 milhões de pessoas vive com um rendimento muito abaixo do salário mínimo nacional.

Não podemos ficar insensíveis quando nos apercebermos que há cada vez mais pobreza e as famílias mais cadenciadas e é de baixos rendimentos estão de facto com mais dificuldades de dia para dia. Os furtos dos alimentos de primeira necessidade nas grandes superfícies comerciais, são um sinal que a todos  não deve alarmar. Das causas,  já todos sabemos as razões, mas é preciso perguntar se o caminho que está a ser seguido, não poderia ser outro.

Quando um país quase pára, fazendo cair o acesso às Apps de entidades bancárias para se certificarem se os tais 125€ já entraram na conta bancária, é de sentir um aperto no coração de tal ordem que nos leva a pensar o quão pobres estamos e a falta que faz 4,03 € / dia.

O que devemos discutir, não é o facto do regozijo socialista em conseguir “ dar”125€ mas sim, porque razão chegamos até aqui, ao fim da linha.

 

Se chegamos até aqui, então só haverá uma razão. É necessário chegar a uma tal meta de mísera, para depois poder acenar com a bandeira do socialismo e dos apoios sociais até porque as famílias estão primeiro.  Porém, é -lhes negado um verdadeiro alívio fiscal em impostos que todos os meses traria de facto mais dinheiro disponível na sua conta. Era um imperativo orçamental, fazer diminuir as taxas de retenção em IRS numa proporção significativamente adequada às famílias para fazer face à conjuntura que se atravessa acompanhando também a redução de IVA nos produtos de cabaz de alimentos.

Dirão alguns : e a perca fiscal desta receita? Dirão outros: e a redução da despesa pública foi estudada?

Aliás, se o limite ao déficit orçamental está suspenso pela EU, algum racional existirá. Se temos para 2023 um Orçamento de Estado, onde a grande vitória é as contas certas e a diminuição do dívida pública , é preciso não esquecer de dizer  quem a pagou. O encaixe fiscal provindo da inflação, foi pago por todos nós,  e por é essa razão que sempre se diz que a inflação é de facto um imposto e é indireto, chega a todos e toca a todos. A uns mais que outros.

 

No entanto a táctica é a do costume: empobrecer um país ao máximo, para depois dizer que se deu alguma coisa até porque os outros nunca deram nada.

A táctica é a do costume: caçar o máximo de votos possível e enterrar 3,2 mil milhões na TAP.

E o povo ? 4,4 milhões de portugueses com rendimento abaixo de 554€ mensais talvez não seja um número muito significativo, mas de facto é engraçado saber que quando isto está a correr mesmo mal ninguém votou em António Costa parecendo que os socialistas ganharam as eleições com maioria absoluta por obra e graça do Espírito Santo.

D.Manuel Clemente e a indigna representação cristã.

Agosto 06, 2022

Sérgio Guerreiro

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Sobre a questão dos abusos sexuais, D.Manuel Clemente colocou o seu lugar à disposição caso fosse esse o entendimento do Papa.

 

Desde 2020 que os padres são, segundo um manual de procedimentos emitido pelo Vaticano, obrigados a comunicar às autoridades policias todos os crimes de abuso sexual por parte dos membros do clero que lhes possam ser comunicados. No entanto, nem todos estes crimes são públicos e podem ser alvo de uma queixa sem ser pela inciativa da própria vítima ou pelo seu responsável, se for menor.

 

O crime de abuso sexual de menor de 14 anos é um crime público desde 2007 e qualquer pessoa que dele tenha conhecimento pode denunciá-lo. Já o ato sexual de relevo com menor entre 14 e 16 anos, segundo o código penal, depende de queixa da vítima ou do seu representante legal, salvo se dele resultar suicídio ou morte da vítima.

 

O mais recente caso que põe em “cheque” a figura máxima da Igreja Católica em Portugal, por este ter conhecimento de um abuso sexual e mantendo o agressor no exercício das suas funções, de facto não se enquadram no tal “manual de procedimentos” por terem sido cometidos em data anterior.

No entanto, se a questão no foro técnico/jurídica não se coloca no presente, o mesmo não podemos afirmar na quadro moral do caso.

A igreja cristã sempre esteve envolta em polémica no que concerne a crimes de abuso sexual de menores. Isto não é novidade para ninguém. Porém, muito embora no plano jurídico pouco ou nada se possa fazer,  há para sempre e sem qualquer prazo de prescrição, um outro plano, que é inegável que deveria sobrepor-se : a moral e o respeito.

 

D. Manuel Clemente, sofrendo subitamente do síndroma da esquerda que abala o país onde tudo acontece mas ninguém de responsabiliza, deixa para o Papa o exercício e a prática da sua auto consciência. Isto é: só se demite do cargo que ora ocupa se o Papa assim entender. Em prima linha, o representante máximo da igreja católica em Portugal, tem sob sua alcança a responsabilidade de responder sobre quaisquer actos praticados pelos seus súbitos no exercício das suas funções aos Portugueses católicos. Em segunda linha, esta tomada de posição revela uma indigna falta de auto-avaliação e auto consciência crítica, valores considerados como pedras basilares na linguagem cristã.

 

Os abutres de câmara na mão

Junho 25, 2022

Sérgio Guerreiro

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Se é verdade que o caso da Jéssica abalou e chocou o país, também por parte de alguma comunicação social, foi de certa forma revoltante a tudo a que assistiu. Entre todos eles, era ver quem mostrava mais, quem explorava mais e quem poderia captar a melhor imagem ou recolher algum “ testemunho”.

O que aconteceu e o horror que nos foi relatado, mostra-nos que por um punhado de audiência vale tudo. Sem respeitar a dor social e sem proteger a comunidade, alguma comunicação social, espremeu a crueldade do acto até não dar mais.

Já não é a primeira vez que em casos semelhantes a comunicação social, de câmara em riste, vai atrás do sangue e da mais pura e ignóbil mísera humana.

Não pode haver complacência alguma para com quem pratica um crime desta natureza, mas não deve igualmente existir por parte da sociedade civil, nenhuma condescendência aos órgãos de comunicação social, que através da dor expõe e explora um qualquer horrendo crime.

Caberá à justiça dissecar os factos e a pena a aplicar aos culpados, mas caberá à sociedade civil, decidir não mais tolerar que as televisões voem como abutres famintos de câmara na mão, quando cheira a sangue. Este voyeurismo televisivo pode ser tão ou mais horrendo que o próprio crime. Enquanto não existir alguma regulação para proibir este triste espectáculo, assistiremos ao degradar da comunicação social com todas as  consequências a isso inerentes.

As “Tânia Laranjo” desta vida, prestam-se a um serviço de tal forma humilhante que vendem a dor dos outros e da sociedade em geral em algo que chamam de informação. Mas aquilo a que assistimos, é nada mais que uma pura prostituição jornalística revestida em interesse público.

Eutanásia: afinal, o direito à vida pertence a quem?

Junho 09, 2022

Sérgio Guerreiro

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Pela terceira vez e em duas legislaturas diferentes o parlamento voltou a votar a despenalização da morte medicamente assistida. Depois de baixar à especialidade onde os várias grupos parlamentares podem “ acertar” algumas agulhas na letra da lei, esta seguirá rumo a Marcelo para promulgação ou para pedido de fiscalização preventiva como o fez no passado.

 

Uma, das mais diversas questões que o problemática da eutanásia tem levantado, é perceber o quão importante seria dar a voz ao povo nesta tão importante matéria revestida de uma grande dose de individualidade, isto é, deveria ou não ser realizado um referendo?

Se muitos entendem que o parlamento está legitimado para decidir sobre a escolha pessoal de cada um, no que  diz respeito à eutanásia, outros dirão que há decisões e matérias que deveriam passar por uma decisão popular por ser sensível, recordo a decisão do parlamento nacional aquando da despenalização da interrupção voluntária da gravidez, que nasceu dessa mesma vontade popular realizando-se um referendo em fevereiro de 2007.

Para de facto o tema ser pacífico na sociedade portuguesa, não questionando a legitimidade parlamentar,  o referendo deveria ser o caminho.

 

Porém, e se facto a nossa Constituição é clara quanto à inviolabilidade da vida humana, também é claro que a nossa Lei fundamental admite que o nosso país é uma república  baseada na dignidade do ser humano. De igual forma, a Declaração Universal dos Direitos do Homem logo no seu artigo 1.afirma que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade.

A questão de fundo a tratar quando falamos de morte medicamente assistida, é avaliar dois aspectos:

1- afinal de quem é a pertença da vida humana;

2- o que é a dignidade humana.

 

No primeiro aspecto, a vida é de facto pertença do indivíduo. É uma “propriedade” em que sobre a qual ninguém pode e deve decidir. Se o indivíduo quiser morrer, morre.  Ele tem sobre a sua própria vida o poder de escolher de acordo com as suas convicções.

Um segundo aspecto é o sofrimento extremo e de doença incurável dependendo de terceiros. Estará o indivíduo a viver nestas condições em dignidade? Se todos nascemos de um acto involuntário pessoal, então que se possa voluntariamente decidir se queremos ou não continuar vivos.

 

O conceito de dignidade humana não colide juridicamente com qualquer norma constitucionalmente relevante. Na verdade, o Tribunal Constitucional (TC) aceita a despenalização da morte medicamente assistida, afirmando até que o direito à vida não pode estar circunscrito a viver sem dignidade e a qualquer custo.

Muitos daqueles que são contra à despenalização da morte medicamente assistida, afirmam que o estado ( leia-se poder central ) não deveria de legislar sobre esta matéria, deveria isso sim, criar as condições necessárias mormente nos cuidados paliativos para dar ao doente maior dignidade em vida.

Resta a pergunta: mesmo que  Portugal fosse o país com as melhor condições do mundo em cuidados paliativos, então igualmente o indivíduo não poderia escolher em consciência por termo à sua dor?

Independentemente de qualquer causa, de qualquer opção ou condição, o direito à vida pode, se o indivíduo assim desejar, ser igual ao direito de morrer com  dignidade. É disto que a despenalização da morte medicamente assistida trata e é isto que significa liberdade.

Violação: um crime que deve ser público

Abril 29, 2022

Sérgio Guerreiro

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Não ter dúvida de que por medo ou vergonha, qualquer vítima de violação poderá não apresentar queixa, é meio caminho andado para ser perceber a razão da importância de uma alteração penal para que deva com urgência tornar a violação em crime público. Cabe ao legislador, leia-se deputados e deputadas da nação, ter a sensibilidade para essa mesma importância. A partir do momento em que a violação passe a fazer parte da esfera jurídica de todos, isto é, passe a ser considerado como crime público, a sua denúncia, poderá ser apresentada por qualquer cidadão que dela tenha real conhecimento. Só assim, de alguma forma se poderá provocar um efeito dissuasor no agressor ao saber que o crime é público e qualquer cidadão o poderá denunciar. No entanto , e sempre a considerar o elo mais fraco na matéria em apreço, a vítima, só assim se poderá protege-la mas no entanto poderemos pensar quantas queixas ficam por fazer e quantas investigações não são levadas adiante, por falta de denúncia. Do ponto de vista jurídico, não há nem pode existir qualquer contexto social nem legal para que não se possa denunciar um agressor de violação e a sociedade civil não compreende esse mesmo facto. Mais, todos nós nos recordamos das afirmações proferidas por um jovem de 19 anos num directo feito pelo humorista Fábio Alves na sua rede social Instagram, quando este o questiona qual a coisa mais bizarra e erótica praticada durante um ato sexual. O jovem de 19 anos diz que não pode dizer, mas um amigo revela que foi a violar uma rapariga. "Deixei-a lá e depois o INEM foi buscá-la (...)" Quando o humorista lhe pergunta se é mesmo assim, o jovem reitera que violou a jovem e que "foi só uma vez". Estas afirmações, que para além de causarem a revolta e o alarme social foram largamente difundidas tornando-se mesmo virais. Facto este, sintomático da necessidade que é dada ao legislador de reformular a lei penal. Se o avanço legislativo que foi sendo feito no que concerne ao crime de violência doméstica, ficará então por compreender a razão de o parlamento não decidir legislar sobre matéria igualmente tão importante como é o crime de violação. Há razões de sobra ( e mesmo que não houvesse ) de tão necessário quanto urgente em reagir de forma eficaz a este tão abjecto crime. Torná-lo público é o caminho certo e necessário para a proteção das milhares de vítimas que pelo medo ou pela vergonha se remetem a tão atroz e doloroso silêncio. Está nas mãos do legislador abrir a porta a todas as vítimas de violação, respondendo ao apelo da sociedade civil para que se olhe para este flagelo sem qualquer estratificação social.

O verdadeiro e único abril

Abril 24, 2022

Sérgio Guerreiro

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Comemora-se 48 anos da queda do regime do Estado Novo.
O regime político ditatorial, autoritário, autocrata e corporativista do Estado que vigorou em Portugal durante 41 anos ininterruptos, desde a aprovação da Constituição portuguesa de 1933 até ao seu derrube pela Revolução de 25 de Abril de 1974.

Por certo discursarão as mais altas individualidades do estado português, não faltando, como não poderia deixar de ser, o tecer das mais nobres considerações sobre a liberdade enquanto nação. As virtudes e a importância da revolução de Abril são inegáveis assim como também é o 25 de Novembro. Historicamente, o papel de cada uma destas datas foi relevante para o Portugal de hoje mas ninguém poderá hoje afirmar com convicção e algum realismo (ou mesmo sentido de estado), que a evolução sócio/política de Portugal tal como agora a encontramos, não poderia ser a mesma sem abril de 1974 como sem novembro de 1975. Se a primeira data nos deu a luz e o sabor de uma madrugada por muitos sonhada, a segunda permitiu devolver o que abril conquistou, impedindo que Portugal mergulhasse às mãos de uma extrema esquerda ávida de poder onde o processo revolucionário em curso ( PREC) viu o seu fim.
Mas é da verdadeira liberdade que vos quero falar, daquilo que poderia ou deveria significar, à luz dos dias de hoje, o princípio fundamental da liberdade individual e coletiva.

Muitos podem confundir o poder de falar ou de escrever livremente, com a verdadeira essência de liberdade. Muitos podem igualmente entender que a existência de uma pluralidade política também é sinónimo de liberdade.
Assim é. Factos inegáveis estes.
Mas será que a liberdade se esgota nestes poderes?
Será que para sermos verdadeiramente livres, a possibilidade de escolher de quatro em quatro anos os nossos representantes na Assembleia da República ou para outros órgãos políticos e de soberania, é suficiente para que todos possamos sentir e viver o conceito pleno de abril?
Uma sociedade justa, plena de vivências na construção de possibilidades igualitárias para todos, uma sociedade onde o estado de direito democrático impera sem refúgios ou sem sombras esquinas, é o verdadeiro sentido de abril.

Hoje, é inquestionável que Portugal vive sob o fingimento de uma justa sociedade. Hoje, é palpável até, que Portugal vive o que nunca antes ninguém sonhou. Preso a políticas anti desenvolvimento social, castradoras das liberdades individuais , colectivas e económicas.
Hoje, é manifesto o controlo do estado pelo estado e o minar da política em quase todos os sectores da sociedade.

Todos podemos ver, sentir e assistir, a um país preso pelo conceito de dividir para reinar, polvilhando as instituições com os seus para controlar e para se decidir conforme se deseja e sempre de acordo com um plano há muito traçado: mandar nisto tudo, controlar isto tudo e viver disto tudo.
Todos podemos ver e sentir, que na verdade abril não morreu, mas aos poucos, muitos são aqueles que tentam matar abril sem dó nem piedade da mesma forma que vão matando este Portugal onde pouca coisa já resta. Sim, viva abril e sempre, mas não podemos sentir qualquer liberdade quando se mente para governar. Viva um Portugal mais livre e mais justo..

A opinião pública que forçou a Europa a tomar decisões.

Março 01, 2022

Sérgio Guerreiro

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Esta guerra, que muitos julgavam ser impossível de acontecer, está à nossa porta. Putin, julgaria que rapidamente  acabaria com a Ucrânia. Subestimou a sua determinação e a sua coragem . Putin, enganou-se. Pensaria que o assunto se arrumaria depressa e que o povo Russo o apoiaria incondicionalmente.

Mas o povo Russo não está com Putin, e para além das sanções económicas já anunciados, também o Tribunal Penal Internacional abriu um inquérito a fim de averiguar dos possíveis crimes de guerra que a Rússia praticou contra o povo Ucraniano.

Parece não existir dúvida. Putin, não contava com a mobilização do mundo inteiro contra si.

E será essa mesma mobilização que fará a Rússia recuar, seja uma mobilização internacional  seja mesmo uma rebelião do próprio povo Russo que dia menos dia poderá acontecer. A história depressa  mostrará que Putin abandonará o seu povo o que é típico dos líderes loucos tal como Putin é.

 

No entanto, este louco, sabia que as sanções económicas por parte da União Europeia e não só, acabariam por chegar. Embora não tão rapidamente como se esperaria, o mundo ocidental pressionava os líderes europeus a tomarem decisões que fossem de alguma forma duras para a Rússia.

 

A dependência energética foi um dos factores que os líderes europeus tiveram em linha de conta o que resultou num atraso significativo na aplicação dessas sanções. Mas é preciso mostrar a Putin, que os custos desta guerra terão um elevado preço a pagar.

 

Relembrar que cerca de 40% do gás que consume é proveniente da Rússia.

 

Mas quem mudou o rumo desta história?

A opinião pública.

 

Foi a pressão dos povos que mudou o curso de guerra, forçando as lideranças europeias a tomarem rapidamente decisões na aplicação de fortes sanções à Rússia.

Mas creio, com poucas reservas, que a vitória que se aproxima pela liberdade e pela paz pertence também ao próprio povo Russo que está ao lado da Ucrânia e com isto, Putin não contava. Este é só mais louco que será julgado pela história e não só. Na verdade, nós europeus devemos ter orgulho na força que a União Europeia tem demostrando neste conflito. E a verdade é só esta: estamos a caminhar no lado certo da história, muito embora por cá, alguns preferissem estar a caminhar no lado errado. Nós hoje, ainda podemos sair à rua e aproveitar o sol no fim de tarde, mas para muitos, hoje pode ser o último dia para qualquer coisa.

Quando informar se torna em “espectáculo”.

Fevereiro 11, 2022

Sérgio Guerreiro

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O recente caso de um jovem de 18 anos que foi detido por suspeita de estar a preparar um atentado terrorista contra estudantes na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, está em envolto no voyeurismo social alarmante que deve levar alguns órgãos de comunicação social a rever o conceito de informar.
Entendo que prestar um serviço público nesta área, não pode entrar em pormenores inúteis como deslocar meios para a aldeia de onde o jovem é natural ou expor a sua família nas televisões. Isto não é informar, isto é uma psicopatologia jornalística onde se perde a noção daquilo que significa o papel da informação numa altura em que pouco ou nada se sabe.
Não pode valer tudo em nome das audiências.
A pergunta que se deve colocar é saber a pertinência da informação que se está a dar. Qual é a relevância jornalística de tudo isto ? Zero. Nada. Não acrescenta rigorosamente coisa nenhuma expor a uma aldeia inteira ao país por estas razões como aproveitar a dor de uma família humilde possivelmente incapaz de lidar com tudo isto. Haja respeito. Haja limite e algum decoro o que parece não existir, e todo este caso é prova disso mesmo.
O debate tem que ser feito e a sociedade deve exigir que a comunicação social  não continue sistematicamente nesta pratica de “voyerismo social” que se vai alimentando à custa da desgraça dos outros.
 
Se por um lado o acto do jovem pode ser condenável devendo perceber-se as razões e os motivos , certamente a justiça estará presente para cumprir o seu papel.
No entanto, este  triste espectáculo informativo a temos assistido não é menos condenável, e o papel de a “ castigar” caberá a todos. Quando a ausência de valores se mostra em directo, estaremos perante uma degradação do papel social de alguns órgãos de informação que têm uma enorme responsabilidade na construção de uma sociedade mais justa e tolerante. 

Mamadou Ba: o orgulhosamente racista

Fevereiro 03, 2022

Sérgio Guerreiro

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Poderíamos começar por perceber porque razão Mamadou Ba não respeita ninguém.

Na minha modesta opinião a causa reside num perigoso facto : essencialmente o autoproclamado activista é de facto racista.

A táctica usada é o normal.

Incendia as redes sociais com frases mais ou menos polémicas, ( mais sempre que menos) não respeita a democracia e não combate verdadeiramente o racismo.

Um líder activista que em tese tem o propósito de combate a este flagelo social, não só não o faz, como  não ajuda em nada quem verdadeiramente o que quer fazer.

Estou convicto nesta minha afirmação. Sim, Mamadou Ba é um puro racista e não perde uma oportunidade para o demostrar. Polémicas do ativista são inúmeras e de momento é só mais uma.

Após os resultados eleitorais, o autoproclamado ativista escreveu nas suas redes sociais:” Vamos ter 11 suínos na AR, entre eles, um terrorista assassino de extrema-direita. A luta não será na AR, mas na rua! Preparem-se!”.

Fácil será de concluir que a frase tem como referência os recentes deputados eleitos pelo partido Chega.

Mamadou Ba quer e deseja protagonismo, e na verdade consegue alcançá-lo da pior forma possível. É capa de jornais e ainda bem que o é, porque todos ficamos a saber como Mamadou Ba combate quer combater o racismo. Sobre estas graves declarações, da esquerda mais radical não se ouviu nem um piu.

 

Cada um de nós, seres pensantes e dotados de raciocínio, faz as suas escolhas e concordamos ou não com os outros ( politicamente falando) combatemos à nossa maneira aquilo em que acreditamos. Mas os seres racionais fazem esse combate com elevação, com argumentos e com factos.

Na verdade, o bem e o mal ou o correto e o incorreto são de alguma forma o espelho daquilo que pensamos e de como agimos.

Uma sociedade politizada e consciente, só pode evoluir quando a nossa comunicação enquanto emissores de mensagens para o exterior, discordando das suas ideias, as combate com argumentos válidos procurando encontrar no seu discurso alguma incoerência entre o que se diz e o que se pratica, tentado encontrar nos seus ideais, políticas intolerantes que chocam de alguma forma com os princípios humanos.

Dentro deste quadro, a democracia deve ser respeitada porque é dela que nasce a escolha individual, gostemos ou não dessa mesma escolha.

 

A consequência do discurso de Mamadou Ba, é reveladora de uma posição antidemocrática, coerente de alguma forma como a sua ideologia, mas no entanto é um discurso que deixa a porta aberta para a intolerância que ele mesmo procura.

A liberdade de expressão não se pode confundir com a falta de entendimento do que é a democracia e dos seus mais basilares princípios e este radicalismo alimentado por Mamadou Ba, causará uma dinâmica perigosa que prejudicará a ainda mais a sociedade Portuguesa do qual todos seremos vítimas.

 

foto: Diário de Notícias

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