Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Melhor Política

Melhor Política

A cantiga continua a ser uma arma.

Maio 15, 2022

Sérgio Guerreiro

1AA61D35-F0BA-4400-B659-04E993E3C79D.jpeg

Na Eurovisão, raras são as vezes em que a questão musical e a sua qualidade se sobrepõe às mais variadas questões políticas internacionais. Nesta última edição, a tradição manteve-se e ainda bem. Isto é, a questão política internacional conseguiu vencer em detrimento de uma outra qualquer análise do foro da qualidade musical ou de outro aspecto mais técnico que deixo para os entendidos discutirem. 

O apoio dos países participantes neste festival, era uma clara evidência e foi totalmente incondicional. Já José Mário Branco defendia que “ a cantiga é uma arma", e de facto, ficou provado neste festival da Eurovisão que é assim mesmo.

A prova de que a política influência os resultados ficou bem latente nesta edição, mas não poderia haver outra mensagem senão aquela que na verdade foi dada.

Se, e mera opinião pessoal, de facto havia melhores canções podendo existir alguma injustiça na escolha vencedor numa óptica mais artística, a importância extraordinária desta vitória reside num valor e  bem maior: a Europa continua unida contra a Rússia e foi a cantiga quem o disse. No fundo, e pelos dias que correm, é na verdade isto que importa. Tudo o resto, agora não interessa mesmo nada. 

 

Dia mundial do livro e belo silêncio de uma biblioteca.

Abril 22, 2021

Sérgio Guerreiro

AA55C64E-E238-4F3E-A603-B7B1BCAEDFEA.png

Há bastante tempo que não mergulhava no silêncio de uma biblioteca. Parecia já esquecido o cheiro dos livros e o belo som do desfolhar lentamente das páginas de uma história qualquer. Nos livros, podemos todos os dias viajar para lugares diferentes, basta sentir o pulsar de cada palavra e lá vamos nós. O tempo dos livros não é igual ao nosso próprio tempo e na biblioteca, onde nos pedem sempre silêncio como se fossem cantar um fado, o tempo quer parar para nos contar as mais belas histórias . É preciso sentir e querer estar perto dos livros que nos ensinaram tudo o que hoje sabemos, para sabermos o que pode significar o belo silêncio de uma biblioteca.

 

Quando entramos neste mundo,  vindos da imensidão da vida recheada de ruído, parece estarmos em um outro planeta, onde tudo é paz, onde se respira qualquer coisa sempre novo e onde descobrimos tantas vezes o sabor da alma de que somos feitos. Não fossem os livros e as bibliotecas e a nossa vida seria ainda muito pequena.

Reparem que,  quando se entra numa biblioteca, até nos conseguimos ouvir por dentro e vamos sempre devagar, cuidadosamente de passos lentos e silenciosos, para não magoar as palavras que estão a ser bebidas, até à prateleira que queremos. Na verdade, na biblioteca onde moram os livros, o mundo é outro e sempre tão perto de nós onde nos podemos sentar e descobrir quem somos e quem são os outros.

 

Não sei o que andam a ler. Eu fui procurar Jorge Amado e encontrei  a obra “ Mar Morto” do qual extraí este poema que aqui vos deixo:

 

Lívia olha de sua janela

o mar morto sem Lua.

Aponta a Madrugada.

Os homens,

que rondavam a sua porta,

o seu corpo sem dono,

voltaram para as suas casas.

Agora tudo é mistério.

A música acabou.

Aos poucos as coisas se animam,

os cenários se movem,

os homens se alegram.

A madrugada rompe

sobre o Mar Morto”

O homem que me fez ler Ary dos Santos.

Janeiro 01, 2021

Sérgio Guerreiro

57259D4B-8629-4F5E-A55D-3ED76A5C7606.jpeg

Quando conheci a obra de José Carlos Ary dos Santos, foi pela voz de Carlos do Carmo.  O poema “ Estela da Tarde” que Carlos do Carmo leva ao festival da canção da RTP em 1976, é, na minha opinião uma das belas poesia que  só podia ser materializada por duas vozes; Carlos do Carmo e Simone de Oliveira.

 

Não sei se “ Estrela da Tarde “ teria nascido em exclusivo para estas duas vozes, mas o certo é que, nunca ninguém transmitirá tão bem a força das palavras deste magnífico Poema.

Dar voz a quem escreve, é uma tarefa hercúlea que só as grandes lhe cabe executar.

 

Foi pela voz do fadista,  que o início do ano de 2021 nos leva, que grande parte da obra do poeta Ary, é conhecida.

“ Um homem na cidade” de 1977 foi considerado um dos melhores discos de Carlos do Carmo, todo ele escrito por Ary.

 

Ler e ouvir tudo isto, arrepia a pele.

Como todos aqueles como eu, que escrevem entendem, dar voz ao que escrevemos é dar vida às palavras que vão nascendo pelos nossos dedos.

A sua força é de tal ordem, que quem as canta, imprime nelas, tudo aquilo que o Poeta sentiu.

Carlos do Carmo é um dos maiores exemplos disso mesmo.

 

Da força que deu às palavras que muitos desenharam, construindo uma inigualável obra.

Devemos a este homem que hoje nos deixa, o respeito pela arte, pela música e pela Poesia. Em suma pela cultura que tão mal tratada é neste País.

 

Nunca conseguiremos pagar a Carlos do Carmo, todos os arrepios na pele e de todas as lágrimas que caíram pelo nosso rosto, quando a sua voz nos invadia por dentro com a força das palavras dos Poetas, que nos assaltam a alma.

 

Agradecer é pouco e por isso vou continuar a ouvir “ Estrela da Tarde” e “Uma flor de verde pinho” até saber tudo isto de cor.

 

Bem haja Carlos.

 

 

 

O Associativismo serve para servir.

Setembro 23, 2020

Sérgio Guerreiro

05C5D99F-4291-4A28-AD29-1F76C823C43C.png

O Associativismo é um dos mais importantes factores de desenvolvimento cultural e social de um qualquer concelho.
Envolve e enriquece as suas gentes trazendo a humanização das relações e o seu bem estar.
Se há um papel fundamental na evolução social e cultural de uma sociedade, esse papel passa pelas associações culturais e recreativas.

São as associações, que aproximam e que trazem todos os elementos da sua comunidade em redor do novo, do concreto, do abstrato e de uma nova abordagem e de outros conceitos das coisas que sem elas só seria possível a alguns assistirem e vivenciarem. 
São as associações, que levadas sob o espírito do sacrifício de poucos em prol de muitos, que no fim de mais uma etapa, se diz sempre que valeu a pena trabalhar, planear durante meses, martelar, carregar, não dormir... porque no final o objectivo foi cumprido.
O bem e atempado planeamento das organizações é meio caminho feito para o sucesso em torno de um objectivo comum. Mostrar à sua comunidade que a cultura nas suas mais variadas formas também pode ir às aldeias e às vilas.

Cortar a função do Associativo é não perceber este grandioso trabalho em prol da sociedade e não entender o que é a cultura e a sua necessidade permente de existência próxima às pessoas.

Quando assim é, o mundo não avança porque não querem que ele seja melhor, e um dia, aqueles que não deixam o mundo avançar vão perceber a falta que fez assistir e tirar apontamentos naquela aula de “dignidade e de política”.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub