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Melhor Política

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Ciência. Não é a palavra do ano mas devia de o ser.

Dezembro 30, 2020

Sérgio Guerreiro

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Assim como os países investem regularmente na saúde, educação ou mesmo na evasão fiscal, de pouco se fala em investimento na ciência.

 

A vacina já chegou, mas para isso acontecer, muitos antes existiu por parte de inúmeros especialistas uma grande dose de entrega pessoal e de conhecimento para a descoberta daquilo que hoje está à nossa disposição.

 

Pandemia, com raízes no grego, é uma combinação de “pan” para tudo ou todo, e “demos,” para povo. Foi esta a palavra do ano de 2020, que naturalmente invadiu cada um de nós na busca incessante de respostas para o novo estado do mundo.

 

A ciência não confinou como todos nós e lançou-se na resposta que toda a humanidade precisaria. E cá está ela.

 

Mas pode um país reagir rapidamente e estar preparado para responder de modo eficaz a uma urgência como esta que temos assistido?

 

É preciso investir com a mesma regularidade na ciência como se faz em outras áreas sociais.

 

Diana Lousa, em entrevista ao jornal Público  afirma que tem pesquisado por grupos científicos que investiguem a proteína da espícula, essencial para os coronavírus consigam penetrar nas nossas células, tem notado que houve picos nessa investigação. A cientista do Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa, em Oeiras, reparou que houve mais trabalhos científicos no tempo das epidemias do SARS-CoV (que ocorreu entre 2002 e 2003) e do MERS-Cov (em 2012). “Julgo que os coronavírus não eram vistos como muito relevantes até ao surto do SARS-CoV”, assinala a investigadora. “Antes disso, infectavam sobretudo animais e havia só alguns que infectavam humanos, mas que causavam coisas muito moderadas.”

 

Como tal, indica que era difícil arranjar financiamento para estudar estes vírus. “Não eram vistos como ameaças assim tão grandes. Acho que é um pouco errado porque devemos estudá-los não só quando são uma emergência. Quanto mais soubermos de antemão melhor”

 

Estes novos tempos são essências para que possamos, não só aprender onde falhamos nas relações humanas e pessoais como entender de uma vez por todas, que a investigação na ciência poderá certamente ser a receita para o desenvolvimento das sociedades num futuro mais seguro. Na investigação e em todo o seu processo de estudo são precisos anos e anos de pesquisa e muita literatura técnica para se chegar a um determinado resultado.

 

Diz-nos Rogério de Jesus Jorge no seu artigo de opinião em observador sobre esta matéria que, Alexander Fleming, o inventor da penicilina, trabalhou como médico militar numa das grandes crises do século XX, a Primeira Guerra Mundial. A partir daí, Flemming ficou determinado a encontrar algo que permitisse combater infeções no corpo humano. O resultado veio dez anos mais tarde através de duas descobertas acidentais. Primeiro, notou que o muco do nariz proveniente de um espirro poderia matar bactérias. Segundo, ao deixar um prato de bactérias à janela, o prato começou a acumular bolor. Flemming reparou que bactérias em contato com o bolor eram destruídas por uma espécie de mould juice (sumo de bolor). A este sumo ele chamou penicilina.

 

Portanto, muitas das vezes o que a história da ciência assim nos ensina é que nasce das crises sociais as maiores das descobertas.

 

Uma estratégia a longo prazo em investimento na investigação/ciência, é sinónimo de um país que se preocupa com o seu desenvolvimento também ele a longo prazo.

 

A pergunta que poderemos  legitimamente fazer é saber, se os Portugueses que se dedicam a estas matérias, poderiam ou não serem eles a desenvolver e criar a vacina  para a Covid-19? A resposta pode ser simples. Capacidade não lhe falta, mas  os meios não existem porque não se apostou numa política adequada ao desenvolvimento da investigação. Por alguma razão, os nossos melhores Portugueses estão lá fora.

 

Não tenhamos dúvidas. A vacina poderia ser desenvolvida por nós.

Não o foi porque se desinvestiu na investigação e na ciência.

 

Esta crise pandémica veio por a nu a necessidade de maior rigor, mostrando que não há dinheiro perdido quando a sociedade com os seus impostos, encarrega a ciência de estudar e desenvolver o que quer que seja, para nos impedir de sentir saudades de alguém que está perto.

 

Se o nosso país percebe isto?

 

Não sei. Mas 3,7 mil milhões do Estado até 2024 para a TAP o nosso governo soube entender.

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