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Melhor Política

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Clã Salgueiro: uma derrota difícil e o adeus à política local.

Outubro 02, 2021

Sérgio Guerreiro

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A 29 de julho o  jornal de Leiria  publica uma sondagem que  daria a vitória a João Salgueiro, candidato pelo Partido Socialista à Câmara Municipal de Porto de Mós com 45,6% das intenções de voto contra 41.7% atribuídos a Jorge Vala.

O regresso do cabeça de lista do Partido Socialista à vida autárquica, que nunca foi bem explicado aos eleitores do concelho  culminou com uma candidatura que foi abrindo a janela para a especulação:  a preparação para que o seu “ clã pudesse “entrar” para  a vida política local.

 

João Salgueiro nunca veio a terreiro como devia, para desmistificar que assim não era. O erro do PS também começa aqui e Jorge Vala, explora esta fraqueza como bem se fez notar nas suas “ alegações finais”  no último debate.

Mas Salgueiro, não é Santana Lopes.

 

No entanto, nada  sendo impossível em democracia, raramente o primeiro mandado de um autarca não é renovado, e estas eleições foram particularmente atípicas devido à crise pandémica.

Se o eleitor tem por princípio dar o benefício da dúvida ao candidato que ainda pode ir a votos, fá-lo-á porque entende que quatros anos é pouco tempo de governação, mas esta crise pandémica levou a um duplo benefício para Jorge Vala como a todos os outros autarcas em igual posição. Com a crise que parou o país durante um ano e meio, os eleitores de alguma forma entenderam ser compreensível o não cumprimento de algumas promessas.

É certo que a pandemia teve as costas largas servindo de desculpa para muita coisa, mas João Salgueiro, como autarca experiente que é, deveria saber que Jorge Vala com este quadro, seria uma tarefa hercúlea provocar a queda do presidente agora reeleito ,  devendo por isso esperar pelo fim do segundo mandado  e surgir posteriormente com mais impacto e já com a pandemia no fim.

Esta candidatura foi mal pensada por uma questão de temporalidade. Julgar que o seu surgimento  a qualquer momento seria suficiente por ser quem é, não foi suficiente, e o acenar na altura errada com o fantasma do sebastianismo, já não convence ninguém. Em suma: apresentou-se cedo demais sem a devida ponderação. A imagem e o nome, não são por si mesmo, as únicas prerrogativas  em jogo.

 

A campanha eleitoral, ao contrário do que era desejável, foi suja de ambos os lados, o que significa, que há ainda muito trabalho a fazer no que concerne à forma de como se deve, por parte dos candidatos,  chegar aos eleitores, demonstrando  ainda com isto a  grande fraqueza de autarcas que se apresentam a eleições.

À medida que o dia 26 de setembro surgia, tudo foi escandalosamente mau.

Todos os comícios eram aproveitados, não para esclarecer e ouvir, mas sim para dizer mal do adversário.

 

Coisa que já farta e que cansa, é o pernil. Nunca falha, mas demostra uma grande falta de inovação. No lugar no pernil, não seria mais proveitoso uma “mesa redonda” com a população a debater e a participar directamente nas questões que querem ver resolvidas na sua freguesia? Depois, no fim até podia lá vir o pernil….

 

É certo que ninguém poderia prever que Jorge Vala ganhasse como ganhou, nem o próprio alguma vez imaginou este resultado.

 

Sobre o modo de fazer campanha, o PSD de Mira de Aire foi exímio na forma como envolveu a comunidade. O PS, a ver pelos resultados finais, cometeu o erro mais grave de todos: levou uma candidatura à presidência da Assembleia de Freguesia a Dra. Ana Paula que também julga ser Santana Lopes, escusando-me de explanar as razões que são de todos sobejamente conhecidas.

 

 

Considerandos à parte e retomando o tema, o resultado das eleições autárquicas do concelho de Porto de Mós foram claros: a reprovação ao clã Salgueiro foi inequívoca por parte do eleitorado. Perdeu o pai e o filho,  e lá se aguentou o Espírito Santo em não permitir que a derrota fosse maior.

 

Mas, creio ser essencial para a análise do tema , a questão do vídeo com imagens do furto de propaganda do PSD num estabelecimento comercial do concelho que foi amplamente divulgado. Sobre o outro “trailer” de mau gosto que por aí também circulou, já tive ocasião de tecer alguns comentários.

 

A questão passa agora para outro patamar.

 

Mesmo na recta final, teria este infantil e triste episódio protagonizado pelos já adultos “ Salgueiros “ ter influenciado os eleitores e os resultados finais ?

 

Na existência de muitos indecisos, que só no próprio dia 26 de setembro escolheriam o seu sentido de voto, que não haja dúvidas: sim, influenciou e não foi pouco.

Não direi que Vala, ganhou estas eleições por este facto, mas afirmo com total convicção que poderia Salgueiro perder por muito menos.

 

Este episódio deve fazer-nos reflectir e questionar com que  direito alguém pode por em causa todo o esforço de uma equipa, que lutou dia a dia  durante semanas, com um esforço pessoal invejável. Não é admissível que tudo isto seja esquecido. E certamente não o será.

 

Mas ainda hoje não se ouviu por parte dos protagonistas um pedido de desculpas público por tão vergonhosa atitude.

Com tudo isto João Salgueiro (suponho eu) não deverá assumir o lugar de vereação para o qual foi eleito.

É livre de o fazer é certo, mas tornará a democracia mais pobre. Dizia Sá Carneiro: “ a oposição é, para o poder em exercício, estímulo; e para o interesse comum, factor de progresso”

 

Tristemente será assim que se fecha o ciclo político do “clã Salgueiro” saindo indignadamente pelas portas da traseiras, forçando muitos homens e mulheres, gente de verdadeiro trabalho, a saírem também eles, involuntariamente pela mesma porta.

 

A democracia é um valor inalienável e é bom relembrar que brincar com ela é esquecer a história desrespeitando os milhares de homens e mulheres que entregaram a sua vida para hoje vivermos num país livre onde todos devem fazer  a sua parte. Só podemos evoluir enquanto sociedade quando se perceber que “ a essência da democracia é a convivência harmoniosa das diferenças.”

Geringonças? Em Lisboa dava jeito não dava?

Setembro 27, 2021

Sérgio Guerreiro

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O que ocorreu em 2015 quando António Costa perdeu as eleições, a lei eleitoral autárquica não o permite e é clara: o presidente é automaticamente o cabeça de lista mais votada. Assim é impossível, como aconteceu 2015, formar maioria para governar uma autarquia como a de Lisboa de acordo com os resultados finais. O poder central tem regras bastante diferentes do poder local.

 

Na verdade ,na câmara da capital , à esquerda foram eleitos mais vereadores que a lista de Moedas, mas isso para efeitos de presidência de nada vale.

 

Moedas conseguiu eleger sete vereadores a igualar com o PS nos mesmos sete. A CDU elegeu dois e o Bloco de Esquerda um.

Com este resultado, Carlos Moedas será mesmo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e não há poderá existir assalto ao poder como certamente Medina e Catarina Martins gostariam. Ninguém duvidará que a ser possível, já estaria em marcha um qualquer plano para que e à semelhança do que aconteceu em 2015 quando toda a esquerda  não respeitando a vontade popular, rejeitou o programa do governo de Passos Coelho. O mesmo é dizer, que à altura dos factos, a legitimidade se sobrepôs à autenticidade.

Isto é: na altura o desrespeito pela soberania popular, foi legítimo porque constitucionalmente foi e é permitido, mas todos nós, verdadeiros democratas, sabemos que entre a legitimidade e autenticidade, a linha é demasiado ténue.

Se dava jeito uma geringonça agora ? Aí não que não dava. Mas não pode mesmo acontecer.

E que tal irmos todos votar?

Setembro 22, 2021

Sérgio Guerreiro

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É sempre preocupante, ou deveria de ser, a taxa de abstenção que se regista no nosso país. O próximo acto eleitoral a realizar-se no dia 26 se setembro irá eleger os nossos representantes ao poder local: assembleia municipal, assembleia de freguesia e câmara municipal. Nas últimas eleições autárquicas 45% dos Portugueses não foram às urnas e em 2013  a taxa de abstenção foi ligeiramente superior: 47,4%.

 

Se o exercício pleno da nossa cidadania está revestido de inúmeras formas, o voto é uma das mais poderosas ferramentas ao dispor de cada cidadão. As eleições autárquicas são aquelas a que talvez damos mais atenção. Conhecemos pessoalmente os candidatos, os elementos das suas equipas e de alguma forma cada um nós está directamente ligado a cada um deles por um qualquer laço. São estas eleições que mais directamente nos dizem respeito e que podem influenciar a nossa vida no dia-a-dia.

 

Se estes organismos têm o poder de decidir algumas das questões práticas que a todos nós dizem respeito, arguir que não vale a pena ir votar, é transferir para o outro uma decisão pessoal e intransmissível. Quem decide sobre o futuro do nosso concelho ou a nossa freguesia, é quem nós quisermos , e só o poderemos fazer se formos votar para decidir quem desejamos que nos represente.

 

É importante no dia 26 de setembro, todos nós fazermos parte desta importante eleição e escolher quem vai governar o nosso concelho e a nossa freguesia. Se por um lado todos somos exímios na arte do protesto em cafés e entre amigos, temos agora a possibilidade de também mostrar o respeito por muitos homens e mulheres que morreram para  hoje pudéssemos viver num Estado de Direito Democrático onde podemos livremente e sem medos, discutir e opinar sobre o que está bem e o que está mal.

O árbitro deste “jogo “democrático somos nós, sendo os únicos com o poder de manter nos órgãos autárquicos quem ainda decide, quem devemos expulsar ou dar ao “jogo “novos “ players”.

 

Seria bom desta vez, irmos mesmo todos votar para que depois possamos em consciência exigir o que quer que seja.

Combate à abstenção: porque razão ninguém fala disto?

Setembro 03, 2021

Sérgio Guerreiro

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Aproxima-se a passos largos a data das próximas eleições autárquicas. Dia 26 de setembro, os eleitores são chamados a pronunciarem-se sobre os destinos da sede dos seus concelhos e freguesias elegendo os seus representantes. Na origem da construção do poder local  como hoje o conhecemos, a participação cívica e activa é o seu mais basilar elemento. A resolução de algumas questões do dia a dia, a proximidade entre eleitos e eleitores, é essencial para que o poder local faça sentido devendo este afirmar-se como factor da dimensão concreta da mais nobre expressão da afirmação de cidadania. Para isso, todos somos confrontados com as mais diversas escolhas de programas e não tanto, direi, de ideologias políticas. A cidadania não pode continuar a resumir-se à passividade de renúncia de direitos em surdina. Deve sim, lutar pelos direitos que são devidos a todos.

 

Já anda a caminho a campanha eleitoral para as autárquicas do meu concelho e ouvindo já as mais variadas propostas e promessas de obras, parece que nenhum candidato ao poder local se preocupa em combater a elevada abstenção, que chegou a “ bater” nos 40% nas eleições de 2017. Dos 21.177 inscritos, votaram 12.889.

 

Se é importante no discurso político apresentar os mais variados projectos, não pode de forma nenhuma ser descurada pedir a todos mais intervenção explicando a importância de votar.  Até agora, já ouvimos de tudo: de projetos com verdadeiro sentido, a alguns alguns sonhos que nos querem vender. Mas não deixa de ser gritante que nenhum candidato se preocupe a início, em perceber a razão da abstenção. Se todos os candidatos primam por publicitar políticas locais interessantes, a campanha que se vai fazendo, marcada já pela maledicência, poderá contribui para deixar fugir os destinatários dos projetos apresentados.

A abstenção é um “cancro “social e civilizacional, e o primeiro passo para responder a esta “doença” pode encontrar parte da reposta nos candidatos ao poder local. Pelo que temos assistido, não parece ser este um assunto preocupante. E assim, se ficar tudo na mesma, não faz mal algum. Nada mais errado para quem ser eleito.

 

Porto de Mós: os números do nosso concelho. Parte I

Julho 24, 2021

Sérgio Guerreiro

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Com as eleições autárquicas a realizarem-se a 26 de setembro o concelho de Porto de Mós é aqui analisado com um conjunto de dados que podem ser úteis e que devem servir de análise não só aos partidos que se apresentam às próximas eleições autárquicas, bem como a todos nós, munícipes, que temos o dever de o conhecer com números reais. É a partir daqui que tudo pode ser discutido e debatido com a máxima elevação possível .

Por agora , a apresentação de dados e números tem como duas áreas:

 

1-população residente;

2- educação.

 

Sendo este “ projecto “ de informação abrangente, o mesmo será dividido semanalmente a cada sábado em dois temas distintos.

 

A fonte utilizada é a PORTADA, a maior base de dados de Portugal que lança agora um retrato a nível nacional por cada município. A PORDATA é uma base de dados estatísticos certificados sobre Portugal, os seus municípios e a Europa. O projecto é da Fundação Francisco Manuel dos Santos e o acesso é gratuito.

 

 

A) POPULAÇÃO

 

1  Gráfico (1.1) População residente

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O gráfico acima (1.1) representa a totalidade da população residente no concelho. Entre 2009 e 2020, a população residente de Porto de Mós diminuiu de 24.397 para 23.300 (um decréscimo de 4,5%). Por comparação  o gráfico (1.1.1) representa que 89 habitantes por km2, o município de Porto de Mós tem a 4.ª mais alta densidade populacional da Região de Leiria

Gráfico (1.1.1)

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2- gráfico (1.2) População estrangeira

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O gráfico (1.2), representa a evolução da população estrangeira residente que em 2020, dos 23.300 residentes no município de Porto de Mós, 818 eram estrangeiros, menos 43 do que em 2009.

 

3- Gráfico (1.3)- População residente por grandes grupos etários (%)

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Este gráfico (1.3) é mostra que no município de Porto de Mós, por cada 100 residentes, há 12 jovens com menos de 15 anos, 65 adultos e 23 idosos.

 

4- Gráfico (1.4) -Índice de longevidade

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O gráfico (1.4) diz-nos que em 2020, no município de Porto de Mós, por cada cem residentes com 65 anos ou mais, 52 tinham mais de 75 anos.

 

5- Gráfico (1.5) - Nascimentos e Óbitos

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O gráfico (1.5) informa que em 2020 nasceram em Porto de Mós 148 bebés (menos 41 do que em 2019) e morreram 297 pessoas (mais 27 do que em 2019).

 

2- EDUCAÇÃO

 

2- Gráfico (2.1) - Alunos no pré-escolar, básico e secundário

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Em 2019, nas escolas do município de Porto de Mós, havia 3.242 alunos inscritos no ensino pré-escolar, básico e secundário, menos 1.263 do que em 2009 e mais 15 do que em 2018.

 

  • Quantas escolas do ensino básico-1º ciclo existem?

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Entre 2009 e 2019, o número de escolas de 1.º ciclo de Porto de Mós diminuiu de 20 para 16 (um decréscimo de 20%)

 

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Em 2019, no município de Porto de Mós, os 844 alunos do 1.º ciclo estavam distribuídos por 16 escolas, num rácio de 53 alunos por escola, o 4.º menor da Região de Leiria

 

3- Qual a percentagem de alunos matriculados no ensino secundário (10.º ao 12º ano) que reprovam ou desistem?

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No município de Porto de Mós, a percentagem de alunos do ensino secundário que não transitaram de ano ou que desistiram de estudar diminuiu de 10,9% em 2018 para 9,6% em 2019.

Na próxima semana, serão abordados outro os temos. Até lá.

Porto de Mós autárquicas 2021: o que podemos esperar ?

Abril 27, 2021

Sérgio Guerreiro

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Os dois principais partidos políticos, PSD e PS, já têm oficialmente escolhidos os seus candidatos rumo à Câmara Municipal de Porto de Mós. Não há na realidade surpresas. Pelo PSD Jorge Vala tentará manter-se sentado na cadeira do poder, enquanto à esquerda, pelo PS regressa novamente a figura de João Salgueiro que tentará retirar a autarquia ao PSD que a voltou a conquistar nas eleições de 2017.

Se assim conseguir, ficará Jorge Vala na história recente de Porto de Mós, conhecido por ser o único presidente da Câmara Municipal do meu concelho que não cumpre os dois habituais mandatos seguidos.

 

Os dados estão lançados mesmo sem se conhecer as equipas que na minha opinião deviam ser anunciadas simultaneamente quando cada candidato se apresenta como cabeça de lista ao eleitorado.

Embora  seja comum que se dê novamente o voto de confiança ao presidente em funções, com  o eleitorado a conseguir  entender que quatro anos não são suficientes para se concluir obra, estas eleições, podem ser marcadas pela exceção à regra.

 

Por várias ordens de razão creio ser fundamental pensar-se na alteração da actual Lei para que se possa alargar o tempo do mandato.

Quatro anos, na minha opinião, não são suficientes.

Certamente dirão alguns que em determinados casos quatro anos até é  demais.

 

Mas foquemo-nos no essencial: como será a campanha destas eleições em Porto de Mós e o que podemos esperar destes dois principais candidatos?

 

Um contributo que desde já deixo à consideração dos interessados ; que esta próxima campanha possa e seja bem diferente das habituais.

 

Por certo, já se alinham estratégias na busca em arquivos de declarações e intervenções públicas passadas na tentativa da desvalorização da opinião e da descredibilização do adversário.

 

Já se preparam as melhores piadas que cada um vai dizer ao outro e já se enche o tanque para se lavar toda a roupa suja que se vai encontrando pelo caminho. Talvez seja isto que anime o eleitor para  que depois, ao chegar a casa, ele possa dizer que não se discutiu nada de relevante nem de concreto para a sua freguesia. Leva somente umas escassas horas bem passadas entre apupos e aplausos porque alguém disse a “piada” da noite no debate habitual com todos os candidatos.

 

As redes sociais vão andar a destilar ódio entre uns e outros não dando, como nunca deram, qualquer informação útil a ninguém.

 

Quem quer votar, hoje já sabe em que o fazer, quem não sabe também já tem plena consciência que não vai ficar esclarecido.

 

Tudo pode ser diferente: com mais debate inclusivo sobre as propostas para cada freguesia e com cada uma delas, onde  deve ser feita uma discussão aberta e  franca na apresentação concreta de argumentos válidos para se se saber porque razão a proposta de “A”poderá ser melhor que a proposta de “B”.

Ouçam e não falem.

 

Não é desejável que nenhum partido venha até à minha ou a outra freguesia qualquer do concelho, para vir dizer mal do adversário. Venham sim, mas sentem-se ao pé de nós, escutem o que temos para vos dizer e na medida do que for possível,  que nos seja dada as respostas necessárias justificando porque não as poderão dar. Informem correctamente que muitas das questões e dos anseios das populações só têm solução através do poder central. Informem convenientemente das verdadeiras competências do poder local mas falem sobretudo dos vossos projectos.

 

Perderão o vosso tempo, energia e votos se o plano inicial for chegar, dizer “boa e noite e obrigado pela presença” e começar de imediato a dizer mal de quem é o vosso adversário. Digam porque razão as vossas propostas podem ser melhores.

 

A política e a forma de a fazer muda ao longo dos tempos, e já se nota um grande desgaste popular com as técnicas habituais, embora amadoras, a querer imitar o trovadorismo galego-português com as cantigas de escárnio e mal dizer que animavam as noites longas noites  nas cortes.

 

Na realidade  hoje merecemos enquanto eleitores o máximo respeito, para tal, seria de grande elevação democrática que todos os candidatos à Câmara Municipal do concelho do qual sou natural pudessem de alguma forma contribuir para que se altere a comunicação política e a forma como se debate e discute ideias, porque só assim saberemos escolher melhor. Todos podem fazer história, mostrando como se poderá com elevação e respeito democrático pelos outros alterar o paradigma de uma campanha que ultimamente não tem como objetivo principal o esclarecimento de ninguém. Ao invés, fazem a velha e já cansada política da maledicência. Estamos no tempo de aproximar os eleitores, convidado-os a fazer parte da solução. 

 

Se o registo for o habitual poderemos com legitimidade concluir que ninguém está preparado para as funções que alguns querem ocupar e que outros querem manter, pela simples razão de se continuar a não respeitar os eleitores que merecem ser devidamente esclarecidos. Para assistir ao circo que nos têm habituado mais vale ficar em casa a ver os programas de domingo à tarde; assim como assim, ainda se pode ganhar um carro e um cartão com dinheiro para as férias.

 

É natural, fazendo parte do jogo, que vá surgindo “ acusações” aqui e ali.

Nenhuma delas, pode nem deve ficar-se por palavras. Que se perca a mania de mandar para o ar o “ diz que disse” ou "diz quem viu “ sem que se comprove qualquer acto, facto, ou seja o que for.

 

Não devemos desejar sorte aos candidatos, devemos exigir isso sim, que eles aprendam de uma vez por todas a respeitar cada um de nós com uma campanha limpa, saudável, dentro do espírito do que é a liberdade de opinião de cada um sem que se seja necessário recorre-se à habitual maledicência para ver qual deles tem a melhor piada e leva no bolso mais palmas. As tentas do porco no espeto com cerveja à borla, é tão arcaico que já cansa o povo, não mostrando qualquer criatividade política de aproximar dos eleitores aos que querem ser eleitos.

 

Isto não é difícil de se fazer,  mas para que tudo isto possa e deva acontecer,  deverá existir vontade de mudar o paradigma das campanhas políticas. Se a vontade não for esta, então que se continue com a “palhaçada” habitual.

Uma Lei eleitoral autárquica que envergonha a nossa democracia.

Fevereiro 16, 2021

Sérgio Guerreiro

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Todos os dias ouvimos por parte do poder executivo, o chamamento aos cidadãos para a participação activa na vida política.
É agradável e fica bem dizer ao povo para que se seja mais participativo, quer votando, quer em poder candidatar-se como grupo de cidadãos independentes na suas respectivas câmaras e freguesias.
 
Porém, se é bonito dizerem-nos isto, da leitura da nova lei autárquica, nada disto acontece.
 
A lei autárquica regula todo o processo autárquico para um determinado grupo de cidadãos independentes que deseje concorrer em pé de igualdade com os partidos políticos.
 
Feita sem discussão pública,  como tendo sido apanágio deste governo mas agora com uma “mãozinha” de Rui Rio, esta nova Lei promulgada em Agosto, mostra uma nova realidade com o qual os cidadãos independentes se confrontaram que deve, ou deveria,  envergonhar qualquer País que se diz democrático.
 
A complexidade é tal que chegamos à triste conclusão que a lei negociada entre o PS e o PSD é na verdade para excluir os cidadãos independentes de poderem concorrer às eleições autárquicas de forma clara, objectiva e sem complicações.
 
Em muitos concelhos são eleitos presidentes de câmara e de juntas de freguesia independentes de partidos. 
A sua importância é tal, que os números mostram o seu crescendo e com este dado, já se sabe que os partidos vêem erroneamente nestes movimentos um perigo. Para “atalhar caminho”, fazem uma Lei, não para os proibir,  mas para os atrapalhar e encher de papéis e de burocracia.
 
Se há um dado importante a retirar de toda esta análise e da importância dos independentes na vida pública e na vida política autárquica, os números demonstram essa mesma importância.
 
Nas últimas eleições autárquicas, em 2017, foram eleitos 420 autarcas como independentes: 403 presidentes de junta e 17 presidentes de câmara. Em 2013, tinham sido 13 os candidatos independentes a conquistar uma câmara.
 
Uma das formas de análise a uma determinada Lei, seja ela qual for, é a sua racionalidade.
Ou seja, tentar, por vezes em vão, perceber a intenção do legislador.
E aqui, a intenção é clara como água.
 
É impedir os grupos de cidadãos independentes de serem eleitos, porque quem pode legislar sabe bem o perigo que corre em não ter nas suas estatísticas, um número razoável de câmaras e de freguesias.
 
Quando um grupo de cidadãos decide avançar e ir a votos tal e qual como os partidos políticos, tem de imediato a um leque de obrigações.
 
Uma delas é a recolha de assinaturas que deverá ser validada pelo Tribunal.
O número necessário de recolha dessas mesmas assinaturas é ditado pela Comissão Nacional de Eleições, em função da área geográfica da freguesia a concorrer ou do município, caso se trate de uma candidatura a uma assembleia de freguesia ou a uma câmara municipal.
 
Se tempos havia em que um grupo de cidadãos independentes poderia ir a eleições com a mesma sigla e denominação, fosse nas assembleias de freguesia, fosse à câmara municipal, agora a Lei veio cessar essa possibilidade.
 
A questão a fazer-se é simples, e em um exemplo prático, o leitor perceberá com facilidade porque não querem na política movimentos independentes.
 
Se por acaso o meu estimado amigo estiver legitimamente interessado, em conjunto com um grupo de cidadãos da sua área de residência, constituir um movimento para concorrer às próximas eleições autárquicas da sua câmara municipal e em simultâneo nas freguesias da sua jurisdição, então saiba que terá que concorrer com denominações diferentes e siglas diferentes. O mesmo movimento independente que concorre à câmara municipal não pode ser o mesmo que concorre às freguesias tal como foi em 2017. 
 
Qual é aqui o dano que pode causar à população?  Uma grande confusão. 
 
E isto faz algum sentido ? Para nós não faz sentindo nenhum mas para quem legisla faz todo o sentido. 
 
Mas é assim porquê? 
Por duas ordens de razão ;
 
1 - Há medo das escolhas democráticas feitas pelo povo; 
 
2- Para que os grupos independentes de cidadãos percam, pelo menos a vontade e deixem os partidos políticos do habitual a governar.
 
Se ouvimos por aí ilustres nomes da política nacional, como Santana Lopes e outros , a defenderem a alteração à data das eleições autárquicas, não os ouvi ainda uma palavra que seja, talvez por mera distração pessoal, a insurgirem-se, em nome do verdadeiro Estado de Direito Democrático, contra esta Lei e isto chateia-me um bocadinho.

 

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