Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Melhor Política

Melhor Política

Quando a F.O.D.A nos invade.

Março 07, 2021

Sérgio Guerreiro

89B39231-F355-4AE9-AC57-7D310477F016.png

Um ano depois de tudo isto, o confinamento vai trazendo angústia e um mau estar interior quase insuportável. O teletrabalho retirou os copos de fim tarde com os colegas do departamento e o sair à noite para jantar fora com os amigos, está a cada dia que passa, a tornar-se uma longuíssima espera. 
 
Conhecer pessoas novas para possíveis novos relacionamento, se antes era complicado, agora, é impossível. Resta as redes sociais que nos fazem olhar os outros sem máscara mas one tudo não passa de uma conversa virtual sem acesso ao essencial do ser humano. 
O toque e ao sabor.
 
Somos feitos de emoções, de contactos da pele, e por essa razão a solidão que nos vai invadindo todos os dias mais um bocadinho, começa a ganhar forma e vai paulatinamente tomando conta de nós. 
 
O sentimento do medo causado por tudo isto já tem nome. Contrariamente àquilo que se pensa ser , F.O.D.A, é uma sigla que significa Fear of Dating Again.
Este sentimento caracteriza-se essencialmente pelo medo de voltar a marcar um encontro e sair com alguém. 
 
O distanciamento social e as curtas idas ao supermercado sempre com a máscara, não nos permite trocar umas simples palavras e não vemos agora os outros como outrora, ou seja, não sentimos quase nada que nos faça arrepiar a pele. 
Se um abraço ou beijo é suficiente para a transmissão do vírus, depois do desconfiadamento como vai ser ? 
 
Irracionalmente teremos ou não medo de procurar alguém com quem passar a tarde a domingo no sofá a beber vinho tinto e discutir Kant ? 
 
A falta do contacto físico é dolorosa e estamos, principalmente nos mal casados e nos solteiros, desejosos dos sábados à noite, para se puder de vez, voltar ao normal. Mas será que voltaremos a esse normal com segurança e de mente aberta para novos relacionamentos? 
 
Quando tudo passar, não iremos por só na carteira o preservativo. Há uma outra variável em jogo. 
A segurança que nos deve manter distantes uns dos outros, sem sentir, sem tocar, sem o cheiro e principalmente sem beijar. 
E se a preocupação e o medo do contágio tomar conta nós, a probalidade de nos entregarmos ao outro será certamente maior. Ou seja, ficamos de alguma forma indisponíveis quando desejamos exactamente o seu contrário. Mas temos medo.
Uma relação baseada na tecnologia, é um quadro em branco. Falta-lhe a cor do toque, do cheiro e do sabor. Em suma, das características essências a uma vivência social em plena harmonia com os sentidos.
 
Mas, como será depois? Longe ainda de se atingir a imunidade de grupo, com o confina e desconfina, ter-se-á que aguentar. Até quando não se sabe. 
Entretanto a solidão e o medo de procurar alguém, a tal F.O.D.A., ( Fear of Dating Againvai alcançado proporções nunca antes sentidas. 
Ou muito me engano, ou regressarão os loucos anos 20 quando tudo isto passar. 
Até lá, é estar firme e hirto. 

2 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub