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Melhor Política

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Porto de Mós autárquicas 2021: o que podemos esperar ?

Abril 27, 2021

Sérgio Guerreiro

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Os dois principais partidos políticos, PSD e PS, já têm oficialmente escolhidos os seus candidatos rumo à Câmara Municipal de Porto de Mós. Não há na realidade surpresas. Pelo PSD Jorge Vala tentará manter-se sentado na cadeira do poder, enquanto à esquerda, pelo PS regressa novamente a figura de João Salgueiro que tentará retirar a autarquia ao PSD que a voltou a conquistar nas eleições de 2017.

Se assim conseguir, ficará Jorge Vala na história recente de Porto de Mós, conhecido por ser o único presidente da Câmara Municipal do meu concelho que não cumpre os dois habituais mandatos seguidos.

 

Os dados estão lançados mesmo sem se conhecer as equipas que na minha opinião deviam ser anunciadas simultaneamente quando cada candidato se apresenta como cabeça de lista ao eleitorado.

Embora  seja comum que se dê novamente o voto de confiança ao presidente em funções, com  o eleitorado a conseguir  entender que quatro anos não são suficientes para se concluir obra, estas eleições, podem ser marcadas pela exceção à regra.

 

Por várias ordens de razão creio ser fundamental pensar-se na alteração da actual Lei para que se possa alargar o tempo do mandato.

Quatro anos, na minha opinião, não são suficientes.

Certamente dirão alguns que em determinados casos quatro anos até é  demais.

 

Mas foquemo-nos no essencial: como será a campanha destas eleições em Porto de Mós e o que podemos esperar destes dois principais candidatos?

 

Um contributo que desde já deixo à consideração dos interessados ; que esta próxima campanha possa e seja bem diferente das habituais.

 

Por certo, já se alinham estratégias na busca em arquivos de declarações e intervenções públicas passadas na tentativa da desvalorização da opinião e da descredibilização do adversário.

 

Já se preparam as melhores piadas que cada um vai dizer ao outro e já se enche o tanque para se lavar toda a roupa suja que se vai encontrando pelo caminho. Talvez seja isto que anime o eleitor para  que depois, ao chegar a casa, ele possa dizer que não se discutiu nada de relevante nem de concreto para a sua freguesia. Leva somente umas escassas horas bem passadas entre apupos e aplausos porque alguém disse a “piada” da noite no debate habitual com todos os candidatos.

 

As redes sociais vão andar a destilar ódio entre uns e outros não dando, como nunca deram, qualquer informação útil a ninguém.

 

Quem quer votar, hoje já sabe em que o fazer, quem não sabe também já tem plena consciência que não vai ficar esclarecido.

 

Tudo pode ser diferente: com mais debate inclusivo sobre as propostas para cada freguesia e com cada uma delas, onde  deve ser feita uma discussão aberta e  franca na apresentação concreta de argumentos válidos para se se saber porque razão a proposta de “A”poderá ser melhor que a proposta de “B”.

Ouçam e não falem.

 

Não é desejável que nenhum partido venha até à minha ou a outra freguesia qualquer do concelho, para vir dizer mal do adversário. Venham sim, mas sentem-se ao pé de nós, escutem o que temos para vos dizer e na medida do que for possível,  que nos seja dada as respostas necessárias justificando porque não as poderão dar. Informem correctamente que muitas das questões e dos anseios das populações só têm solução através do poder central. Informem convenientemente das verdadeiras competências do poder local mas falem sobretudo dos vossos projectos.

 

Perderão o vosso tempo, energia e votos se o plano inicial for chegar, dizer “boa e noite e obrigado pela presença” e começar de imediato a dizer mal de quem é o vosso adversário. Digam porque razão as vossas propostas podem ser melhores.

 

A política e a forma de a fazer muda ao longo dos tempos, e já se nota um grande desgaste popular com as técnicas habituais, embora amadoras, a querer imitar o trovadorismo galego-português com as cantigas de escárnio e mal dizer que animavam as noites longas noites  nas cortes.

 

Na realidade  hoje merecemos enquanto eleitores o máximo respeito, para tal, seria de grande elevação democrática que todos os candidatos à Câmara Municipal do concelho do qual sou natural pudessem de alguma forma contribuir para que se altere a comunicação política e a forma como se debate e discute ideias, porque só assim saberemos escolher melhor. Todos podem fazer história, mostrando como se poderá com elevação e respeito democrático pelos outros alterar o paradigma de uma campanha que ultimamente não tem como objetivo principal o esclarecimento de ninguém. Ao invés, fazem a velha e já cansada política da maledicência. Estamos no tempo de aproximar os eleitores, convidado-os a fazer parte da solução. 

 

Se o registo for o habitual poderemos com legitimidade concluir que ninguém está preparado para as funções que alguns querem ocupar e que outros querem manter, pela simples razão de se continuar a não respeitar os eleitores que merecem ser devidamente esclarecidos. Para assistir ao circo que nos têm habituado mais vale ficar em casa a ver os programas de domingo à tarde; assim como assim, ainda se pode ganhar um carro e um cartão com dinheiro para as férias.

 

É natural, fazendo parte do jogo, que vá surgindo “ acusações” aqui e ali.

Nenhuma delas, pode nem deve ficar-se por palavras. Que se perca a mania de mandar para o ar o “ diz que disse” ou "diz quem viu “ sem que se comprove qualquer acto, facto, ou seja o que for.

 

Não devemos desejar sorte aos candidatos, devemos exigir isso sim, que eles aprendam de uma vez por todas a respeitar cada um de nós com uma campanha limpa, saudável, dentro do espírito do que é a liberdade de opinião de cada um sem que se seja necessário recorre-se à habitual maledicência para ver qual deles tem a melhor piada e leva no bolso mais palmas. As tentas do porco no espeto com cerveja à borla, é tão arcaico que já cansa o povo, não mostrando qualquer criatividade política de aproximar dos eleitores aos que querem ser eleitos.

 

Isto não é difícil de se fazer,  mas para que tudo isto possa e deva acontecer,  deverá existir vontade de mudar o paradigma das campanhas políticas. Se a vontade não for esta, então que se continue com a “palhaçada” habitual.

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