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Melhor Política

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Para Mariana Mortágua, Ricardo Salgado não merece um julgamento.

Julho 15, 2020

Sérgio Guerreiro

811B09D5-877A-42B5-B739-4B87FD404D1D.pngQue se perceba de uma vez por todas que vivemos ainda num Estado de Direito Democrático onde prevalece o Princípio da Separação de Poderes e da Presunção de Inocência.

À Justiça o que é da justiça e à política o que é da política e até trânsito em julgado todo e qualquer arguido que supostamente cometeu um crime, é inocente perante a Lei.
 
A deputada Mariana Mortágua, quando reage à acusação do Ministério Público, afirma que “ todos os lesados são lesados de Ricardo Salgado” mas não diz o que deveria de dizer e o que seria mais justo dizer. Que Ricardo Salgado merece um justo julgamento e que a justiça estará cá para exercer o seu papel: apurar a verdade dos factos.
 
Exige-se a alguém como a senhora deputada Mariana Mortágua que não se substitua à justiça.
 
Toda a sociedade Portuguesa certamente quererá que se apure rapidamente a verdade desde e de outros casos, mas outra coisa bem diferente é culpar já arguidos.
 
Os arguidos ainda não são culpados de coisa nenhuma mas  é isto que alguma esquerda mais radical não entende ou não quer entender, até porque é esta mesma esquerda radical que vem discutir na praça pública o que deve ser discutido noutra sede fazendo já o seu juízo final.

É esta esquerda que se substitui ao Estado de Direito que deseja sangue na praça pública, que atira para a opinião pública que “ Ricardo Salgado é o expoente máximo destes crimes...” Portanto, antes de um justo julgamento, Ricardo Salgado já é CULPADO e o processo poderia acabar já e aqui.  
Fica mal, seja a quem for, vir para um jornal qualquer dizer que, seja de quem for e antes de um órgão de soberania que tem o dever de se pronunciar sobre um suposto crime que o Ministério Público entende que se praticou, afirmar que A ou B já é culpado. Isto não se faz e não se deve dizer, e temos que ter a coragem de assumir de uma vez por todas, que os julgamentos feitos em praça pública, são uma vergonha para o nosso sistema jurídico. E quando é um político a fazê-lo, pior é. Isto da esquerda querer alimentar e moldar a seu belo prazer a opinião pública, descredibiliza o que deve ter credibilidade e a nossa Justiça merece muito melhor que isto.
 
Todos nós, é certo, esperamos que o sistema funcione rapidamente e se apure toda a verdade do caso BES ou outro caso  mediático qualquer , mas o que a senhora deputada quer é que nem sequer haja julgamento.
 
CULPADO. É esta a sentença que Mariana Mortágua dá. Nem é preciso mais nada. O Ministério Público diz, e como agrada à senhora deputada, então não é preciso proceder a mais diligências.
 
A liberdade de expressão e de pensamento, é uma coisa muito ambígua e bonita de se dizer, mas o que certamente não é ambíguo, é ter cuidado com o que se diz. Repito. Um arguido não é um culpado.
 
E quando se diz que alguém é o “expoente máximo de um crime” sem qualquer pudor e sem sequer dar a oportunidade ao exercício do contraditório, é negar a existência de um processo justo, onde aí sim nos tribunais, se apura a verdade dos factos e onde se faz a devida prova para se concluir da inocência ou da culpa.
 
É certo que Marina Mortágua não gosta da verdadeira democracia mas terá que viver com aquela por enquanto porque isto aqui ainda não é a Venezuela.
 
Ricardo Salgado, Manuel António ou um qualquer Camilo, têm direito no limite ao princípio da inocência até ao fim. E já agora, que os arguidos sejam notificados primeiro que a senhora Deputada. 
 
Ponham isto na cabeça . Um arguido não é um culpado.
 
Sérgio Guerreiro
 

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