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Melhor Política

Melhor Política

Ou pensam Portugal de uma vez ou vamos todos para o charco.

Outubro 04, 2020

Sérgio Guerreiro

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Estamos em todo o mundo a viver tempos inigualáveis. Esta crise, que não é desta vez focalizada a nível europeu, está a dar a volta à cabeça aos governantes onde nos Países mais industrializados e poder de captação de investimento utilizando uma política fiscal atractiva, conseguem minimizar os danos colaterais desta pandemia. Enquanto esses Países mais robustos financeiramente e com mais poder económico para amortizar ligeiramente a queda das suas economias é conseguida por deriva de políticas pensadas para um futuro a médio e longo prazo, nós por cá estamos / continuamos aflitos.  Com Covid ou sem Covid, não passamos desta pequenez de pensamento político de curto prazo. Vistas largas para esta gente em São Bento, só em palavras e em números que são muitas vezes “a contrário” da verdade que a realidade nos vai diariamente mostrando.
Não conseguem parar de nos mentir. É uma patologia grave que os políticos têm.

Enganar os Portugueses todos os dias durante tantos anos e anos  já nos cansa e a culpa ( porque a há ), da existência dos extremos e da revolta que já está bem patente na sociedade Portuguesa, são de todos aqueles que nos mentiram e nos vão mentido, mas a coisa não está para melhorar. Antes pelo contrário. E alguém se está a aproveitar desta revolta provocando a pouca vergonha que por aí se vê, mas como já montaram o circo, agora aguentem-no, mas o pior é que somos nós a pagar isto tudo.
Mas iremos, estou certo disso, sobreviver a mais esta crise.
Resta a pergunta. À custa de quê?  Ninguém sabe mas já se adivinha.
Os números ditarão daqui a uns meses as empresas que fecharão portas porque que não conseguiram aguentar a pressão - os impostos que há uns meses foram “ empurrados” com a barriga para se pagar entretanto, estão a bater à porta e não vão pedir licença para entrar-.

O que sabemos é que são projectadas políticas que não são pensadas para médio e longo prazo. Não se prepara uma verdadeira e ampla reforma fiscal tão essencial para o desenvolvimento económico produzindo crescimento e emprego duradouro. Não há um pensamento estratégico e político neste País nem se define coisa nenhuma, remedam-se umas coisinhas aqui e acolá e lá se vai governando para se ganhar eleições. E Portugal vai esperando.
Reinar para governar e aos longos dos tempos vão-nos enganado como se fôssemos muito estúpidos com números e estatísticas trabalhadas e interpretadas de forma errónea. Não há um plano concerto com um pensamento económico a longo prazo, mas há “mísseis” de dinheiro a chegar sem sabermos onde se aplica, como se aplica e como se fiscaliza. Principalmente como e quem fiscaliza.
Apresentam-nos um plano económico de um engenheiro poeta que lá vai dizendo umas citações deste e daquele cheias de encanto e suspiros a lembrar uma composição literária da Idade Média própria da poesia galego-portuguesa medieval. Dito de outra forma, um plano económico e estratégico que é uma cantiga de Amor. Quão belas hoje são as palavras de antigamente aplicadas à política de hoje como se elas fossem o motor de arranque para tudo isto, como se vivêssemos de palavras e intenções.

Não. Não são as palavras bonitas nem a poesia de índole trovadoresca que pagam as compras do supermercado. O que nos faz pagar as contas é manter o nosso emprego sólido numa empresa competitiva numa geografia económica e europeia cada vez mais preocupada em definir e redefinir  políticas estratégicas e fiscais de captação de empresas e manutenção de postos de trabalhos. Aqui, neste Pais de poetas e de sol, o aumento dos postos de trabalho são criados pelo Estado. E nós? Nós pagamos.
Não podemos, sob pena de iremos todos parar ao charco, deixar governar quem promete e não faz, quem diz o que não é e quem em vez de dar margem de crescimento, anda todos os dias a atrapalhar.

Se perdermos uns escassos minutos para olhar onde estávamos na década de 80/90, vemos rapidamente que atrás de nós estavam aqueles que hoje estão à nossa frente. A uma conclusão rápida chegamos. Eles souberam pensar e nós não. Vejam o exemplo dos Países de Leste.
Nos princípios dos anos 90 até 2000, a excelente mão-de-obra vinda desses países para Portugal devia-se em grande parte ao salários baixos praticados por lá. Recebemos essa gente boa com excelentes qualidades a quem e demos emprego, principalmente na época dourada e desenfreada na área da construção civil e na sua maioria eram grandes quadros com elevada formação académica. Hoje, passados estes tempos, vejam como estão os Países de Leste em termos  de salários, crescimento e competitividade económica. Acima de nós.

Ou se acaba com a ideologia patética de que o empresário pode pagar mais, mas não o faz em nome do lucro cego para encher os seus bolsos à conta da classe trabalhadora, ou vamos de vez parar ao charco.
As empresas não pagam mais porque não podem.
Ponham na cabeça de uma vez por todas que a carga fiscal e os custos do trabalho que incidem sobre as empresas são demasiado elevados não permitindo o seu crescimento nem o seu desenvolvimento estrutural para se poder preparar para a competitividade onde se daria lugar a mais e melhor trabalho com níveis mais elevados de salário.

Até as famílias estão atulhadas de impostos e de taxas para pagar. E aqui também há um largo caminho a fazer.
Uma reforma fiscal destinada às empresas, mas bem feita, não é só destinada ao “ capitalista “ como muita esquerda “ caviar “ gosta de chamar.
Uma reforma fiscal bem feita, é destinada ao País e às pessoas, porque com menos impostos e uma carga fiscal menos penalizadora é sinónimo de crescimento futuro onde todos podem vir a ganhar.
Ganham os trabalhadores porque podem ter um melhor salário e a empresas que poderão investir mais.

É urgente descer rapidamente os níveis de impostos que incidem sobre as empresas, nomeadamente o IRC e diminuir a carga burocrática que ainda existe que se centra na repetição até à exaustão de dados e mais dados a informar à Autoridade Tributária e Segurança Social.

Isto é pensar Portugal no seu concreto deixando o acessório de lado e há que urgentemente desburocratizar Portugal.

Precisamos de captar investimento. Mas só o conseguimos fazer se captarmos o empresário com políticas fiscais que sejam competitivas com os restantes parceiros Europeus e com menos burocracia e menos papéis a saltitar de balcão em balcão e com a uma Administração da Justiça que não pode demorar em média 10 a 15 anos a resolver um qualquer litígio entre as empresas e os particulares com a Administração Fiscal.

Pagar menos impostos pode não ser sinónimo de menos receita fiscal. Pode ser exactamente o contrário. É só verificar o conceito da curva de “ Laffer” e tentar perceber o seu teor. Não estamos para exprimentalismos, mas temos que estar prontos para saber que tipo de sociedade queremos. Se uma sociedade pedinte e de mão de estendida vivendo do subsídio, ou uma sociedade moderna, capaz , industrializada e com níveis de desenvolvimento que não nos envergonhem e para além disso, sermos competitivos com os nossos parceiros europeus. Isto tudo se faz e só de pode fazer, com melhor e menos peso do estado na economia.  Por outras simples palavras, diminuir e depressa, impostos com acompanhamento da despesa inútil do Estado e com foco no combate à corrupção. 
Não vamos lá com Poesia. Vamos lá com trabalho e com um pensamento político estruturado de acordo com o País mas ultrapassando ideólogos e ideologias de épocas que não nos trazem coisa nenhuma.
Vamos lá com uma discussão séria sobre temas sérios. E mais sério que discutir o futuro do País eu não encontro que me desculpem. 
Enquanto se discute na nossa sociedade “coisas” que não nos trazem nada, deixaremos passar o barco das mais importantes reformas e vamos todos parar ao mar e não haverá Camões nenhum que escreva esta epopeia que é viver em Portugal sem futuro à vista.

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