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Melhor Política

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O verdadeiro e único abril

Abril 24, 2022

Sérgio Guerreiro

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Comemora-se 48 anos da queda do regime do Estado Novo.
O regime político ditatorial, autoritário, autocrata e corporativista do Estado que vigorou em Portugal durante 41 anos ininterruptos, desde a aprovação da Constituição portuguesa de 1933 até ao seu derrube pela Revolução de 25 de Abril de 1974.

Por certo discursarão as mais altas individualidades do estado português, não faltando, como não poderia deixar de ser, o tecer das mais nobres considerações sobre a liberdade enquanto nação. As virtudes e a importância da revolução de Abril são inegáveis assim como também é o 25 de Novembro. Historicamente, o papel de cada uma destas datas foi relevante para o Portugal de hoje mas ninguém poderá hoje afirmar com convicção e algum realismo (ou mesmo sentido de estado), que a evolução sócio/política de Portugal tal como agora a encontramos, não poderia ser a mesma sem abril de 1974 como sem novembro de 1975. Se a primeira data nos deu a luz e o sabor de uma madrugada por muitos sonhada, a segunda permitiu devolver o que abril conquistou, impedindo que Portugal mergulhasse às mãos de uma extrema esquerda ávida de poder onde o processo revolucionário em curso ( PREC) viu o seu fim.
Mas é da verdadeira liberdade que vos quero falar, daquilo que poderia ou deveria significar, à luz dos dias de hoje, o princípio fundamental da liberdade individual e coletiva.

Muitos podem confundir o poder de falar ou de escrever livremente, com a verdadeira essência de liberdade. Muitos podem igualmente entender que a existência de uma pluralidade política também é sinónimo de liberdade.
Assim é. Factos inegáveis estes.
Mas será que a liberdade se esgota nestes poderes?
Será que para sermos verdadeiramente livres, a possibilidade de escolher de quatro em quatro anos os nossos representantes na Assembleia da República ou para outros órgãos políticos e de soberania, é suficiente para que todos possamos sentir e viver o conceito pleno de abril?
Uma sociedade justa, plena de vivências na construção de possibilidades igualitárias para todos, uma sociedade onde o estado de direito democrático impera sem refúgios ou sem sombras esquinas, é o verdadeiro sentido de abril.

Hoje, é inquestionável que Portugal vive sob o fingimento de uma justa sociedade. Hoje, é palpável até, que Portugal vive o que nunca antes ninguém sonhou. Preso a políticas anti desenvolvimento social, castradoras das liberdades individuais , colectivas e económicas.
Hoje, é manifesto o controlo do estado pelo estado e o minar da política em quase todos os sectores da sociedade.

Todos podemos ver, sentir e assistir, a um país preso pelo conceito de dividir para reinar, polvilhando as instituições com os seus para controlar e para se decidir conforme se deseja e sempre de acordo com um plano há muito traçado: mandar nisto tudo, controlar isto tudo e viver disto tudo.
Todos podemos ver e sentir, que na verdade abril não morreu, mas aos poucos, muitos são aqueles que tentam matar abril sem dó nem piedade da mesma forma que vão matando este Portugal onde pouca coisa já resta. Sim, viva abril e sempre, mas não podemos sentir qualquer liberdade quando se mente para governar. Viva um Portugal mais livre e mais justo..

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