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Melhor Política

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O líder do Partido que chamou “ autoritário pacóvio “ a Rui Rio é homofóbico ? É claro que é.

Novembro 16, 2020

Sérgio Guerreiro

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A escolha individual de cada um não é nem deverá ser arma de arremesso para fins políticos. Em democracia, prevalece o princípio da liberdade individual.

O casamento entre pessoas do mesmo sexo está dentro dessa mesma liberdade individual.  André Ventura , que em 2018 numa entrevista à revista MAAG apelidou Rui Rio de “ autoritário pacóvio ” é contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, afirmando já numa outra entrevista que deu a um homossexual assumido, Manuel Luís Goucha, que nada tem com a orientação sexual de cada um. 

O líder do Partido Chega separa as águas.  

Não aceita o casamento homossexual, porque afirma que isso é coisa de homem e de mulher, mas restringe às pessoas do mesmo sexo o direito de casar obtendo com este estado civil, todos os direitos inerentes ao casamento levados para esfera jurídica pessoal de cada um. 

A questão do casamento ( contrair matrimónio, jurídicamente falando) sendo inerente à escolha sexual pessoal,  fica, segundo André Ventura, condicionada. 

Dito de uma outra forma; sejam o que quiserem ser que ele ( André ) não tem nada com isso, mas a liberdade de serem o quiserem, impede-vos de obter direitos que são exclusivos daqueles que não são como vocês.  

Quando se diz que a escolha individual de cada de um , é com cada um, é o mesmo que dizer que se aceita essa escolha.  
Mas se se aceita essa escolha  porque razão se proíbe um direito associado a ela? 

Proibindo-o não será discriminar/por de lado/excluir um grupo de pessoas que escolheram determinada orientação sexual? 
Qual é o problema social da existência do casamento entre pessoas do mesmo sexo? Para se proibir um direito, ter-se-à que explicar sempre a razoabilidade de o negar. Dizer que o casamento é coisa de homem e mulher, carece de uma outra justificativa. Esta não será a razão. 

Se por acaso existir um referendo dentro do Partido para aclarar esta negação de direitos individuais talvez André Ventura fique pasmado com o resultado tal como ficou quando se referendou a pena de morte.   
É legítimo ao Chega, defender o que quiser. É um partido constituído Constitucionalmente, existe e tem como deputado o seu líder na Assembleia da República. Foi eleito para isso. Está lá com igual legitimidade que está Catarina Martins.  André Ventura não caiu no Parlamento por obra e graça do Espírito Santo.    

Há quem o deteste e há quem o venere. Há quem dele precise para ganhar uns trocos para se fazerem à vida. Há de tudo um pouco.  

Aos democratas, aqueles à seria, cabe o lugar de demostrar que o caminho feito de mão dada com o Partido Chega pode ser o fim de uma forma democrática de viver com todos os podres instalados inerente, a isso, podendo ser o começo de um Estado anti- democrático de se querer governar.  Não é só pela questão da homofobia, mas por as outras  questões que este partido  legitimamente defende, mas das quais, também com a mesma lidimidade  que me assiste,  não poderei concordar com elas.  

Aos democratas, aqueles a sério, cabe a tentativa de mostrar um outro caminho e não lhe dar a mão , sob pena da perda de valores, assumindo o poder pelo poder onde mais dia menos dia se acabará por ser prisioneiro. Não me espantaria que o PSD seja um dia a muleta política do Chega assim como o PEV é do PCP.  

Ao dar espaço e tempo a estes princípios que entendo ser anti-democráticos, perder-se-à a identidade de uma direita racional, verdadeira e democrata onde acredito que todos cabem, onde todos fazem parte de um todo e não de uma só parte mas principalmente, onde “- ninguém  pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual”.

Aos democratas, aqueles a sério, não basta parecer que se é, tem que o ser. A democracia e a Direita está risco porque a sede do poder grita mais alto e anda de mãos dadas a um Partido xenófobo, homofóbico com discursos de ódio onde a demagogia que agradam às massas das redes sociais é o seu principal ego.

A sede do poder às vezes é tanta que também basta abanar uns euros e nesta política tudo se resolve.  
O que mais vem aí ?  

Não seiMas que a coisa está negra, lá isso está! 

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