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Melhor Política

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Há um perigo quando se finge o Amor.

Junho 18, 2020

Sérgio Guerreiro

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Quando se finge que se ama estamos a brincar com a nossa própria vida. É assim como pô-la à prova e inverter o ónus, é desafiar as Leis do universo. É a vida que nos põe os desafios pela frente e não nós que pomos os desafios à frente da vida, porque o amor, é um desafio dado pela vida e como ela é verdadeira o desafio de Amar também terá que o ser.

Podemos brincar a tudo menos ao Amor, mas não podemos dar ao outro nem a nós próprios, a ilusão de que se Ama. É um perigo maior. Destrói-se  tudo à volta, destrói-se a própria essência humana e poder-se-à até destruir por completo o outro e nós mesmos com marcas inimagináveis para  futuro com uma dor tamanha que poderá não se aguentar.

Fingir que se Ama é assim como fingir que se é rico e viver a crédito. Um dia a conta chega com juros e custas e tudo sai mais caro, é como um amor feito em papel que o vento vem soprando quase todos os dias como a avisar que este fingimento vem todo por aí  abaixo e a vida um dia morre, e nós, nós lentamente e dia a dia, apodrecemos por dentro. 
Fingir que se Ama pode dar direito a nunca mais Amar, porque depois não se acredita que se é capaz de Amar verdadeiramente. Há o medo de falhar. Habituar o amor à vida é tão fácil. Basta fingir que se é feliz, basta  não se questionar nem questionar ninguém, basta sorrir sem vontade, abraçar sem abraçar ou beijar sem beijar. É tão fácil escolher este caminho, é bem mais fácil do que dizer não, porque tantas vezes pensamos que dizer não vai fazer mal, vai magoar,  quando é tantas vezes fazer bem e o que é mais certo.

Não se pode criar no outro aquela sensação de bem estar único que só o Amor pode dar. Não se pode criar no outro aquela sensação única de estar à espera que relógio ande, que a porta se abra ou que o telefone toque e ficar acordado à espera que alguém chegue para nos aconchegar a alma que está gelada pelo frio que às vezes faz lá fora... e a saudade... a saudade das mãos. Fingir isto é só fingir a vida.

Mas há sempre dois neste jogo. Há sempre pelos menos dois em tudo na vida. Não vivemos isolados de nada nem de ninguém. Há um que finge e o outro que não percebe o fingimento e este jogo tanto é doloroso para um como para o outro.

O que finge pode não ter coragem e não ter força para dizer não,  por medo, por pena e tantas vezes até por vergonha de criar no outro ou nos outros, a desilusão,  porque se embrulhou numa expectativa criada ao seu redor. Depois há o outro, o que não percebe, que está acomodado, que não dá luta e que pode julgar até que tem alguém como se possuísse algo, como se o jogo já está estivesse ganho à partida e nem é preciso fazer nada, só é mesmo preciso continuar a fingir e impor uma regra;  fingir que está tudo bem.

Mas as regras são as regras que a vida impõe, não somos nós os legisladores neste jogo.  O universo dá o que a ele lhes damos. Esta coisa única do universo é simples de entender. É só isto: sou e dou, o que quer dizer que, recebo tudo aquilo que dou. Nada na vida é um dado adquirido e nenhum jogo está ganho à partida. Aquele que não percebe é porque às vezes não quer perceber...porque dá trabalho entender sinais,  dá trabalho entender as tais regras que a vida nos impõe , dá trabalho ler nos olhos dos outros que tantas vezes gritam por socorro e ninguém vê nada. 
E não será esta uma das regras que nos é imposta pela vida? Fazer-nos entender sinais ? Ler sinais e olhar para o outro mas por dentro ? Não será este o desafio ? Aquele que não percebe, às vezes até lê certos sinais, até percebe, e mesmo até por uns meros segundos entende, mas acha sempre que o resultado final está garantido e a roda do fingimento é tal que também  finge não saber ler. É melhor assim e dá menos chatice. 
Mas é a vida que joga, não nós.

O universo só dá o que a ele nós lhe damos.

Mas neste jogo do fingir, nós não temos o poder nem o direito de legislar as regras. Elas já estão definidas à partida e não é da nossa competência alterar nada , nem fingir nada,  porque se o poder estivesse em nós , não havia sentido para a vida,  mas ela própria e o universo deixam-nos  legislar à nossa maneira e vontade, com um só propósito; Para depois termos o poder de entender, se quisermos, que estamos no caminho errado só porque escolhemos o caminho mais fácil.

Quando se finge o amor, há o perigo da morte, da morte por dentro dos sentidos únicos e da perda do único sentido da vida. A própria vontade de por vezes continuar vivo. 

Quando virem alguém a fingir que ama, perguntem porquê. Quando virem alguém a não entender este fingimento, perguntem porquê. Podem estar a salvar duas vidas. Porque quando se finge o amor, nada acontece durante o tempo que se consegue fingir, mas como tudo na vida, um dia poderá cair o castelo e o mundo desaparece e quando perguntarmos porquê,  já é outro dia, e a noite morreu como pode morrer a vida !

O que é que isto tem a ver com política? Nada. Mas também não é preciso ter.

 

 

 

 

 

 

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