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Melhor Política

Melhor Política

E agora? Agora vamos com calma (re)pensar!

Sérgio Guerreiro, 02.04.20

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Vai mudar tudo. O comportamento da economia depende do comportamento dos seus agentes. Do Estado à banca, das empresas às pessoas, tudo vai mudar. Habituámo-nos a uma forma de vida e de actuar. De trabalhar e de conviver, mas agora fomos obrigados, assim do nada e sem ninguém nos preparar, a mudar a nossa forma habitual de estar. A sociedade Portuguesa vai mudar, o papel da União Europeia  vai mudar, o mundo vai mudar. Os comportamentos vão  ser outros, as empresas podem mudar o seu esquema laboral pela experiência hoje adquirida por uma nova forma. Hoje, ao contrário de antes, os Portugueses não estavam habituados ao teletrabalho e as empresas podem retirar daqui uma nova abordagem e nivelar alguns custos, as escolas não aplicavam o sistema de educação à distância, as famílias por certo também não estavam preparadas para viver em conjunto durante tanto tempo. Tudo isto é economia e tudo isto tem implicações novas a todos os níveis. Tudo isto é política. Podemos daqui retirar lições. A primeira delas caberá ao Estado. É das crises graves que vemos as fragilidades de uma sociedade. E como tão frágeis nós somos enquanto Estado, enquanto sociedade. Vimos isso. Notamos isso de imediato. A burocracia parece ser ainda um pilar de betão armando que não há maneira de se derrubar. O Estado a partir de agora, tem o dever de derrubar para sempre este muro que nos  afecta em tempos de crise como esta que atravessamos . Desta grave crise económica e social que se aproxima, que se possa e que se deva retirar  as devidas lições para que na próxima crise,  que há-de chegar, se possa estar noutra dimensão, em outro patamar, agilizando questões práticas. E uma delas é importante. Legislar sobre tensão já sabemos que não dá resultado. E foi o que se fez. Legislou -se sobre medidas ( algumas certas, outras não) vezes sem conta, e em situações de Estado de Emergência, ou somos rápidos e eficazes ou perdemos a confiança e perdemos a cabeça sem saber o que virá de seguida. Legislou-se de forma não clara, como é costume já neste País. Temos que nos habituar a legislar claro com linguagem clara. Que se aprenda. Por favor que se aprenda. A banca que aprenda também. Que saiba que dela se depende neste e em outros casos como ela também depende de nós, e se banca se comportar da forma com até aqui, é possível que ela mesma se torne um problema e não parte da solução. O problema da banca é sempre em duas dimensões. O prejuízo por nós contribuintes suportado, e o lucro obtido por nós pago em comissões e juros em alturas como estas. A banca tem um papel social, que se aprenda a tê-lo quando é para ter... e deve tê-lo agora. E nós? Nós que aprendamos a olhar. A olhar para dentro de nós mesmos e nos interroguemos o que já demos e o que já fizemos, o que  contribuímos, mas com  tudo isto que vejamos um outro caminho e outra forma de humanidade e de comportamento social.

Agora, que todos possamos  aprender,  que podemos ser melhores e exigir mais e repensar o Estado pode ser um desafio difícil mas  é inevitável. 

Chegou a hora.