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Melhor Política

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Clã Salgueiro: uma derrota difícil e o adeus à política local.

Outubro 02, 2021

Sérgio Guerreiro

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A 29 de julho o  jornal de Leiria  publica uma sondagem que  daria a vitória a João Salgueiro, candidato pelo Partido Socialista à Câmara Municipal de Porto de Mós com 45,6% das intenções de voto contra 41.7% atribuídos a Jorge Vala.

O regresso do cabeça de lista do Partido Socialista à vida autárquica, que nunca foi bem explicado aos eleitores do concelho  culminou com uma candidatura que foi abrindo a janela para a especulação:  a preparação para que o seu “ clã pudesse “entrar” para  a vida política local.

 

João Salgueiro nunca veio a terreiro como devia, para desmistificar que assim não era. O erro do PS também começa aqui e Jorge Vala, explora esta fraqueza como bem se fez notar nas suas “ alegações finais”  no último debate.

Mas Salgueiro, não é Santana Lopes.

 

No entanto, nada  sendo impossível em democracia, raramente o primeiro mandado de um autarca não é renovado, e estas eleições foram particularmente atípicas devido à crise pandémica.

Se o eleitor tem por princípio dar o benefício da dúvida ao candidato que ainda pode ir a votos, fá-lo-á porque entende que quatros anos é pouco tempo de governação, mas esta crise pandémica levou a um duplo benefício para Jorge Vala como a todos os outros autarcas em igual posição. Com a crise que parou o país durante um ano e meio, os eleitores de alguma forma entenderam ser compreensível o não cumprimento de algumas promessas.

É certo que a pandemia teve as costas largas servindo de desculpa para muita coisa, mas João Salgueiro, como autarca experiente que é, deveria saber que Jorge Vala com este quadro, seria uma tarefa hercúlea provocar a queda do presidente agora reeleito ,  devendo por isso esperar pelo fim do segundo mandado  e surgir posteriormente com mais impacto e já com a pandemia no fim.

Esta candidatura foi mal pensada por uma questão de temporalidade. Julgar que o seu surgimento  a qualquer momento seria suficiente por ser quem é, não foi suficiente, e o acenar na altura errada com o fantasma do sebastianismo, já não convence ninguém. Em suma: apresentou-se cedo demais sem a devida ponderação. A imagem e o nome, não são por si mesmo, as únicas prerrogativas  em jogo.

 

A campanha eleitoral, ao contrário do que era desejável, foi suja de ambos os lados, o que significa, que há ainda muito trabalho a fazer no que concerne à forma de como se deve, por parte dos candidatos,  chegar aos eleitores, demonstrando  ainda com isto a  grande fraqueza de autarcas que se apresentam a eleições.

À medida que o dia 26 de setembro surgia, tudo foi escandalosamente mau.

Todos os comícios eram aproveitados, não para esclarecer e ouvir, mas sim para dizer mal do adversário.

 

Coisa que já farta e que cansa, é o pernil. Nunca falha, mas demostra uma grande falta de inovação. No lugar no pernil, não seria mais proveitoso uma “mesa redonda” com a população a debater e a participar directamente nas questões que querem ver resolvidas na sua freguesia? Depois, no fim até podia lá vir o pernil….

 

É certo que ninguém poderia prever que Jorge Vala ganhasse como ganhou, nem o próprio alguma vez imaginou este resultado.

 

Sobre o modo de fazer campanha, o PSD de Mira de Aire foi exímio na forma como envolveu a comunidade. O PS, a ver pelos resultados finais, cometeu o erro mais grave de todos: levou uma candidatura à presidência da Assembleia de Freguesia a Dra. Ana Paula que também julga ser Santana Lopes, escusando-me de explanar as razões que são de todos sobejamente conhecidas.

 

 

Considerandos à parte e retomando o tema, o resultado das eleições autárquicas do concelho de Porto de Mós foram claros: a reprovação ao clã Salgueiro foi inequívoca por parte do eleitorado. Perdeu o pai e o filho,  e lá se aguentou o Espírito Santo em não permitir que a derrota fosse maior.

 

Mas, creio ser essencial para a análise do tema , a questão do vídeo com imagens do furto de propaganda do PSD num estabelecimento comercial do concelho que foi amplamente divulgado. Sobre o outro “trailer” de mau gosto que por aí também circulou, já tive ocasião de tecer alguns comentários.

 

A questão passa agora para outro patamar.

 

Mesmo na recta final, teria este infantil e triste episódio protagonizado pelos já adultos “ Salgueiros “ ter influenciado os eleitores e os resultados finais ?

 

Na existência de muitos indecisos, que só no próprio dia 26 de setembro escolheriam o seu sentido de voto, que não haja dúvidas: sim, influenciou e não foi pouco.

Não direi que Vala, ganhou estas eleições por este facto, mas afirmo com total convicção que poderia Salgueiro perder por muito menos.

 

Este episódio deve fazer-nos reflectir e questionar com que  direito alguém pode por em causa todo o esforço de uma equipa, que lutou dia a dia  durante semanas, com um esforço pessoal invejável. Não é admissível que tudo isto seja esquecido. E certamente não o será.

 

Mas ainda hoje não se ouviu por parte dos protagonistas um pedido de desculpas público por tão vergonhosa atitude.

Com tudo isto João Salgueiro (suponho eu) não deverá assumir o lugar de vereação para o qual foi eleito.

É livre de o fazer é certo, mas tornará a democracia mais pobre. Dizia Sá Carneiro: “ a oposição é, para o poder em exercício, estímulo; e para o interesse comum, factor de progresso”

 

Tristemente será assim que se fecha o ciclo político do “clã Salgueiro” saindo indignadamente pelas portas da traseiras, forçando muitos homens e mulheres, gente de verdadeiro trabalho, a saírem também eles, involuntariamente pela mesma porta.

 

A democracia é um valor inalienável e é bom relembrar que brincar com ela é esquecer a história desrespeitando os milhares de homens e mulheres que entregaram a sua vida para hoje vivermos num país livre onde todos devem fazer  a sua parte. Só podemos evoluir enquanto sociedade quando se perceber que “ a essência da democracia é a convivência harmoniosa das diferenças.”

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