Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Melhor Política

Melhor Política

Cartas de amor: o que o carteiro nunca traz.

Agosto 23, 2021

Sérgio Guerreiro

342804A3-36E8-47AF-AF50-8D4845A09164.jpeg

Escreveu um dia Álvaro de Campos (Heterónimo de Fernando Pessoa ), um poema com o título : “Todas as Cartas de Amor são Ridículas”.

 

Hoje, o amor é enviado por sms,s seguido de emojis que arrancam um breve sorriso ao destinatário e dão mais ou menos alguma cor ao texto também ele mais ou menos elaborado.

 

As cartas de amor deixaram de ser o que devem sempre ser e a sua preciosidade e  importância, é uma prova mais que  inequívoca daquilo que somos.

Perder tempo a enviar uma carta de amor em substituição de usar as mais variadas e usuais formas, seja  em redes sociais ou por SMS, dá-nos a possibilidade de ganhar todo o tempo do mundo. Quando escrevemos uma carta de amor, espalhamos nelas todas as palavras que são um espelho fiel daquilo que sentimos. Nada disto cabe numa longa e extensa SMS que se torna fria e distante. 

 

Hoje, estou em crer, que nem a letra do nosso parceiro/a conhecemos.
O "amor " agora é enviado numa lo mensagem, seja de texto ou de voz. Agora pensem: e se o teu amor um dia destes for à caixa do correio e no lugar de uma carta das finanças ou uma qualquer coima de trânsito,  o carteiro deixar por lá a tua carta de amor ?  O bater do coração seria tão incrivelmente diferente... Sim, porque uma carta de amor é incrivelmente diferente.

Quando estamos ridiculamente apaixonados escrevemos coisas incrivelmente ridículas e assim devem ser sempre todas as cartas de amor. É importante não perder, ou voltar a descobrir as cartas de amor que nos escreveram e perceber o quão especial todo aquilo faz verdadeiramente parte da nossa história individual.

Por vários factores, as cartas de amor que um dia escrevemos e recebemos, são e devem ser consideradas o nosso património individual imaterial.


As cartas de amor são algo que nos poder mostrar o que já fomos e o que possivelmente gostaríamos de voltar a ser. Portadores de um amor tão puro e verdadeiro como outrora onde um dia fomos melhores do que aquilo  hoje somos. Por isso, talvez seja preciso e reler a nossa alma com olhos postos no passado para voltarmos a ser quem realmente queremos ser. Para isso, nada melhor que voltar a ler todas as cartas de amor porque elas mostraram a nossa verdadeira e intemporal essência: viver na enterna ridicularidade do amor em palavras, que, não forem elas ridículas, não seriam cartas de amor.

Tudo isto fez parte de uma história pessoal tenha ela o fim que tiver, mas que não deve nunca sair das nossas vidas. E nada mais triste do que rasgar a nossa história, o nosso passado e tudo aquilo que fez parte integrante do nosso crescimento individual e da nossa vivência enquanto seres mais verdadeiros e puros, onde por vezes, recuando no tempo, nos podemos de novo encontrar.

 

Que voltem depressa  as cartas de amor ridículas e que se não perca a sua importância na vida de todos daqueles que amam, tal como Ofélia amava Pessoa.

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub