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Melhor Política

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A comissão de honra que é uma vergonha.

Setembro 14, 2020

Sérgio Guerreiro

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Enquanto homem e cidadão António Costa é livre. Enquanto Primeiro-ministro já deixa de o ser. Entre o mundo do futebol e da política, a linha que separa estes dois mundos é, para além de muito ténue, também muito perigosa tanto mais quando se apoia um candidato a presidente de um clube de futebol que, ao que se sabe, é arguido em vários em casos e principalmente sendo as suas empresas das maiores devedores ao Novo Banco em que o buraco que foi sendo cavado é tapado com dinheiro dos contribuintes portugueses, mas também justo será dizer, que até trânsito em julgado, Luís Filipe Vieira é como todos os outros meros arguidos, prevaleçendo sempre, a presunção de inocência. Mas a questão, é de outro âmbito.

É aqui que reside a falta de honra de António Costa. O Primeiro-ministro de Portugal, julga talvez pela sua tão afamada qualidade de político de grande inteligência, que não há problema nenhum e nada tem a ver com a vida política . Discordo da fama que António Costa tem. Não fosse ele Primeiro-ministro e queriam ver se o candidato Luís Filipe Vieira o ia convidar para fazer parte desta “ palhaçada”.
 
Antonio Costa pode apoiar o clube que quiser na sua qualidade de cidadão como todos nós. Não pode nem deve como Primeiro-ministro (figura que se mistura automaticamente com a de cidadão quer se queira ou não) fazer parte de uma comissão de honra de um qualquer candidato  à presidência de um qualquer clube de futebol.
 
Ao fazê-lo, está claramente a dar um sinal que neste País já tudo vale e quanto mais se misturar todo e mais uma coisas, melhor... para se fingir que ninguém percebe nada, mas principalmente para dar aquele ar de democrata, de liberdade de expressão e de vontades pessoais. 

Para o Primeiro-ministro, os Portugueses também já estão habituados a viver com esta promiscuidade entre a política e o futebol e não sendo carnaval ninguém leva a mal. Mas engana-se.
 
Um outro facto interessante sobre a inteligência de nível superior de António Costa, foi na qualidade de Primeiro- ministro, recomendar aos membros do governo que não se pronunciassem sobre as eleições presidenciais. E mais, afirmou, como todos se lembraram de que “ nem à mesa do café se podem esquecer que são membros do governo”.
 
Mas no fundo quem perde com isto? 

Perdemos todos e talvez o que já há muito se perdeu. A credibilidade da política e dos políticos e caberia a António Costa enquanto Primeiro-ministro de Portugal dar o exemplo e de aproximar mais as pessoas à política. Mas possivelmente é mais interessante não o fazer, não vá o PS perder o controlo disto tudo.

Perdemos todos nós, porque aos poucos vemos que tudo se mistura, tudo é passível de “ negociatas “ e cada vez mais às claras e mesmo à nossa frente.
 
Uma honra seria António Costa Primeiro-ministro estar sossegado e não envergonhar mais os Portugueses, porque quando se assume responsabilidades políticas a liberdade pessoal e a tomada de decisões pessoais, devem ser ponderadas a bem das regras da ética. E essas mesma regras, por incrível que possa parecer, no governo de António Costa, foram mesmo transpostas num Código de Conduta onde é claro que os membros do governo, onde se inclui o Primeiro-ministro, não devem aceitar convites e envolver-se em questões que ponham em causa a sua imparcialidade no tratamento de pessoas ou instituições ou que podem dar benefícios directos ou indiretos a pessoas e instituições. 

Este Código de Conduta surge exactamente devido ao caso “ Galpgate” onde alguns políticos beneficiaram de bilhetes para o futebol oferecidos pela Galp.  Foi por esta promiscuidade que se elaborou este fraquíssimo conjunto de normas que mais não é meras linhas para “ Português ler” que de nada servem. Dito de outra forma, foi só elaborado o tal Código para que o escândalo da altura ( Galpgate) fosse  abafado de vez como o foi.
 
É certo que da interpretação das normas do aludido Código de Conduta, dificilmente se poderá retirar a conclusão de alguma infração à lei por parte do governante, porque este aceita  o convite para ingressar a comissão de honra de Luís Filipe Vieira na qualidade de cidadão e não de Primeiro-ministro e isto é só a prova da fragilidade legislativa deste Código de Conduta que mais não é conjunto de normas muitas delas vindas já do Código do Procedimento Administrativo. 
 
Portanto e em suma, “ faz o que eu te digo e não o que faço” e nós, que já nos habituamos a todo isto, já não estranhamos e vamos por aí felizes e contentes porque no fundo mas bem lá fundo, o futebol é que interessa e o resto são cantigas. Triste fado o nosso bolas...
 

Sérgio Guerreiro- Editor do blogue Melhor Política.

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