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Melhor Política

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A CP e a mobilidade reduzida.

Setembro 28, 2021

Sérgio Guerreiro

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Para quem sofre de mobilidade reduzida os transportes públicos são uma barreira difícil de ultrapassar. 

 

A convenção das Nações Unidas sobre os Diretos das Pessoas com Deficiência de 30 de março de 2007 sendo aprovada pela resolução nr.56/2009 datada de 30 de junho da Assembleia da República, estabelece um grande leque de compromissos. Entre eles, o artigo 9.da mesma convenção assegura às pessoas com deficiência o acesso, em condições de igualdade com os demais,  ao transporte público, tanto nas áreas urbanas como rurais, tendo próprio Parlamento Europeu feito aprovar o Regulamento ( UE) nr. 181/2011, de 16 de fevereiro

 

No entanto, e de acordo com a lei, no que toca ao transporte ferroviário em Portugal é preciso requerer um serviço especial. 

 

Isto é: quem sofra de mobilidade reduzida não pode viajar quando entende ou mesmo quando lhe apeteça.

O Serviço Integrado de Mobilidade (SIM), orientado para servir clientes com necessidades especiais, tem quer solicitado previamente. Não concordando desde já com este procedimento, há um outro a salientar: a CP, após analisar o pedido do cliente com mobilidade reduzida, informará da possibilidade ou não de prestar o serviço SIM.

Repito : da possibilidade ou não. 

 

Nesta matéria, colocar a questão da possibilidade ou não, confesso que me deixa intrigado. Isto porque, não se tratará de uma possibilidade como se fosse uma oferta especial em prestar um serviço extra por parte de uma empresa pública. 

Trata-se isso sim de uma obrigação legal. 

 

A independência da vida das pessoas com mobilidade reduzida, não se poderá esgotar no apoio e na assistência pessoal. O acesso a transportes públicos é uma das formas das pessoas com deficiência em dispor da sua vida como e quando quiserem, devendo o  Estado assegurar -lhes uma frota regular e adaptada com as condições necessárias. Não é só de uma obrigação do Estado. Deveria ser também, uma preocupação constante das empresas públicas que prestam ao público um serviço que não pode ser discriminatório.

 

Em pleno século XXI numa sociedade que se quer inclusiva, todos os equipamentos sociais devem estar preparados para todos,  e nos dias de hoje, ter que se requer um serviço de transporte público, torna indigno a liberdade do indivíduo com mobilidade reduzida que precise de se deslocar seja lá para onde for.

Ou há uma alteração desta problemática que está diagnosticada há várias anos, ou continuamos a assobiar para o lado como nada se passasse na vida real destas pessoas que têm exactamente os mesmos direitos que todos nós, continuando a fingir que somos um país muito evoluído no tema inclusão. Mas não somos.

 

 

Geringonças? Em Lisboa dava jeito não dava?

Setembro 27, 2021

Sérgio Guerreiro

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O que ocorreu em 2015 quando António Costa perdeu as eleições, a lei eleitoral autárquica não o permite e é clara: o presidente é automaticamente o cabeça de lista mais votada. Assim é impossível, como aconteceu 2015, formar maioria para governar uma autarquia como a de Lisboa de acordo com os resultados finais. O poder central tem regras bastante diferentes do poder local.

 

Na verdade ,na câmara da capital , à esquerda foram eleitos mais vereadores que a lista de Moedas, mas isso para efeitos de presidência de nada vale.

 

Moedas conseguiu eleger sete vereadores a igualar com o PS nos mesmos sete. A CDU elegeu dois e o Bloco de Esquerda um.

Com este resultado, Carlos Moedas será mesmo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e não há poderá existir assalto ao poder como certamente Medina e Catarina Martins gostariam. Ninguém duvidará que a ser possível, já estaria em marcha um qualquer plano para que e à semelhança do que aconteceu em 2015 quando toda a esquerda  não respeitando a vontade popular, rejeitou o programa do governo de Passos Coelho. O mesmo é dizer, que à altura dos factos, a legitimidade se sobrepôs à autenticidade.

Isto é: na altura o desrespeito pela soberania popular, foi legítimo porque constitucionalmente foi e é permitido, mas todos nós, verdadeiros democratas, sabemos que entre a legitimidade e autenticidade, a linha é demasiado ténue.

Se dava jeito uma geringonça agora ? Aí não que não dava. Mas não pode mesmo acontecer.

O dia da reflexão que não serve para nada.

Setembro 25, 2021

Sérgio Guerreiro

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Hoje, arcaicamente, ainda se vive sobre uma imposição legal que impede que toda a comunicação social bem como todos cidadãos envolvidos em eleições possam em plena liberdade exercer,  no que toca ao discurso e ao argumento político,  qualquer ação publica que possa influenciar o cidadão votante.

 

No entanto, com a continuada obrigação da existência do dia da reflexão, parece não haver ainda por parte do legislador a sensação que a maturidade eleitoral dos Portugueses  já está mais que consolidada.

 

Historicamente, este dia, com algum sentido sociológico e político, é implementado numa altura em que Portugal vivia um período conturbado e agitado com as suas primeiras eleições livres.

 

 

Ao mesmo tempo em que, em todas eleições se tem normaliza o voto antecipado é possível que este dia, já não tenha qualquer razão de existir.  Isto é, se o dia da reflexão que impede todos os agentes políticos e toda a comunicação social para que em teoria os eleitores possam ter um dia sem campanha ou influências e o aproveitem para, como o próprio nome indica, refletir sobre o seu sentido de voto, então impõe-se a pergunta: que sentido faz,  ainda termos um dia de reflexão com todas as proibições a ela inerentes mas que simultaneamente se possa exercer o voto antecipado em plena campanha eleitoral ?

 

Dito de uma outra forma: o dia da reflexão, só existe caso o eleitor exerça o seu direito de voto no dia designado para tal. Para quem o faz  antecipadamente, o dia da reflexão não serve para coisa nenhuma. Talvez, e a bem da verdade se possa afirmar, que este dia não serve mesmo a ninguém como não serve para coisa nenhuma.

E que tal irmos todos votar?

Setembro 22, 2021

Sérgio Guerreiro

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É sempre preocupante, ou deveria de ser, a taxa de abstenção que se regista no nosso país. O próximo acto eleitoral a realizar-se no dia 26 se setembro irá eleger os nossos representantes ao poder local: assembleia municipal, assembleia de freguesia e câmara municipal. Nas últimas eleições autárquicas 45% dos Portugueses não foram às urnas e em 2013  a taxa de abstenção foi ligeiramente superior: 47,4%.

 

Se o exercício pleno da nossa cidadania está revestido de inúmeras formas, o voto é uma das mais poderosas ferramentas ao dispor de cada cidadão. As eleições autárquicas são aquelas a que talvez damos mais atenção. Conhecemos pessoalmente os candidatos, os elementos das suas equipas e de alguma forma cada um nós está directamente ligado a cada um deles por um qualquer laço. São estas eleições que mais directamente nos dizem respeito e que podem influenciar a nossa vida no dia-a-dia.

 

Se estes organismos têm o poder de decidir algumas das questões práticas que a todos nós dizem respeito, arguir que não vale a pena ir votar, é transferir para o outro uma decisão pessoal e intransmissível. Quem decide sobre o futuro do nosso concelho ou a nossa freguesia, é quem nós quisermos , e só o poderemos fazer se formos votar para decidir quem desejamos que nos represente.

 

É importante no dia 26 de setembro, todos nós fazermos parte desta importante eleição e escolher quem vai governar o nosso concelho e a nossa freguesia. Se por um lado todos somos exímios na arte do protesto em cafés e entre amigos, temos agora a possibilidade de também mostrar o respeito por muitos homens e mulheres que morreram para  hoje pudéssemos viver num Estado de Direito Democrático onde podemos livremente e sem medos, discutir e opinar sobre o que está bem e o que está mal.

O árbitro deste “jogo “democrático somos nós, sendo os únicos com o poder de manter nos órgãos autárquicos quem ainda decide, quem devemos expulsar ou dar ao “jogo “novos “ players”.

 

Seria bom desta vez, irmos mesmo todos votar para que depois possamos em consciência exigir o que quer que seja.

A lição que o Parlamento deu ao Tribunal Constitucional.

Setembro 18, 2021

Sérgio Guerreiro

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A Assembleia da República aprovou esta sexta-feira na generalidade, com os votos a favor do PSD, CDS, Iniciativa Liberal e oito deputados do PS, o projeto social-democrata para transferência da sede do Tribunal Constitucional e Supremo Tribunal Administrativo para Coimbra.

 

O projeto de lei do PSD baixa então à primeira comissão ( direitos, liberdades e garantias) com as abstenções da maioria da bancada socialista, do PCP, Bloco de Esquerda, Verdes, das deputadas não inscritas Joacine Katar Moreira e Cristina Rodrigues e com os votos contra do Chega e PAN.

Esta é uma decisão que se reveste da maior importância e dá ao Tribunal Constitucional o sinal claro que não há cidades de primeira nem cidades de segunda. Para já o Parlamento deixou passar a transferência da sede deste importante órgão de soberania para Coimbra mas ainda não é certo que o final deste processo mantenha esta possibilidade pelo facto de só na votação final se saberá o que isto vai dar.

 

No entanto, nem todos os juízes conselheiros do Tribunal Constitucional são “ tacanhos”. Eleita em 29 de Março de 2019, Mariana Canotilho toma posse no Tribunal Constitucional a 2 de Abril. Em Janeiro de 2021 numa declaração de voto sobre a deslocação do Tribunal Constitucional para fora de Lisboa, a juíza diz o óbvio.

 

A juíza escreve que "não há um centímetro quadrado de território da República que seja indigno de albergar o Tribunal ou que implique, de alguma maneira, a sua menorização" e sublinha que qualquer argumentação, na qual se possa depreender isto, é "um insulto aos cidadãos portugueses".

 

Mariana Canotilho reitera que a Constituição da República Portuguesa não se refere, em local algum, à capital do país e, muito menos a Lisboa.

Certamente não é de tudo prestigiante que milhares de professes e outros profissionais da Administração Pública, terem todos os anos que mudar as suas vidas para ir trabalhar para outras cidades. O respeito das instituições e dos órgãos de soberania não é ganho pelas vestes nem pelos tapates das salas.

Na verdade, esta mentalidade que está subjacente aos venerandos juízes conselheiros do TC ( Tribunal Constitucional) deve preocupar-nos.

 

Toda esta polémica, é inaceitável. As decisões que o TC recebe são oriundas de todo o território nacional e este parecer não é mais que dividir o país dando um sinal claro aos cidadãos que para o Tribunal Constitucional, há cidades de primeira e cidades de segunda, cidades mais importantes que outras que não tem “ prestígio” para receber um órgão de soberania desta magnitude, mas para pagar impostos, estamos cá todos sejam os cidadãos Vila Real de Trás os Montes sejam eles de Sagres.

 

Embora esta decisão seja política, o venerados juízes conselheiros têm que perceber uma coisa: todos eles são iguais aos médicos, aos professores e tantos outros magistrados e outros profissionais que prestam serviço aos Portugueses por todo o território e que, muitos deles andam com a casa às costas a cada ano passa.

O que se mostrou aos cidadãos por estes venerados conselheiros, foi que estamos perante uma classe intocável que não pode sair de Lisboa porque não é “prestigiante”.

Se a justiça já anda pelas ruas da amargura e a necessitar de paz e tranquilidade, vem mais mais este desnecessário abanão por parte de quem se esquece que a própria Constituição é clara no seu artigo 81. Basta ler e tudo se perceberá.

O parlamento respondeu e bem por agora, mostrando ao Palácio Ratton que quem decide é o parlamento e se as decisões a tomar para futuro tiverem que vir de Coimbra, ou do Fundão terá mesmo que ser assim. E como alguém diz, sem piar.

 

Ao Tribunal Constitucional cabe a fiscalização das normas e a estes senhores venerados juízes é bom relembrar que nenhum deles está, como nenhum Português, acima da Lei. Para além do Tejo também há todo um país que contribui para o salário destes venerados juizes, mas se forem só  os impostos dos Lisboetas a pagar esta despesa, então calo-me já e peço desculpa pelo incómodo causado. 

15 dias para quem casa e 5 para quem vê morrer um filho.

Setembro 14, 2021

Sérgio Guerreiro

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Tomamos como certo, a ordem natural das coisas como regra. Mas como sempre e como quase como tudo na vida, um dia, a tal ordem natural das coisas choca de frente com a regra que a vida nos habitou e eis que, surge sem avisar, uma realidade que faz a  vida perder todo o sentido. Perder um filho, não está “ incluído” no verdadeiro conceito de “ ordem natural das coisas. A normalidade é assistirmos aos filhos verem os seus pais partirem.

 

Com a perda de um filho, vive-se com  uma dor tão insuportável que se questiona tudo: a fé, a existência e até a necessidade de se continuar vivo, e num ápice, o caminho que se vai percorrendo já não é aquele; é outro que não se conhece mas já se sabe que será sempre muito escuro. A pergunta, que para qual nunca se obtém resposta, surge: porquê?

E partir desse momento, procura-se sobreviver, porque a bem da verdade, a vida de um pai e de uma mãe que vê morrer filho, deixa de ser vida. É apenas e somente, metade de vida.

 

Como filho de pais que perderam um filho, posso testemunhar com total propriedade como é viver e conviver dia após dia, com uma dor que não sendo minha, a tomo como tal. Talvez para aliviar o seu peso ou para o dividira três.

Talvez assim lhes custe menos, mas de nada me vale, porque daquilo que é feito o tempo que atenua a dor é o mesmo tempo que não a cura. Sei daquilo que escrevo, na esperança que nunca saibam aquilo que sinto. Como obrigação voluntária, e assumindo-a com total clareza, passei a ser o “timoneiro” deste pesado barco que vai navegando por águas tantas vezes turbulentas.  Se o consigo levar a bom porto ? Não sei. Nem quero saber.

Quero só sentir que ao levar todos os dias aos ombros este meu desígnio por mim escolhido, que o faço com um só propósito: ajudar que o tempo que atenua a dor mas nunca a faz esquecer, seja mais veloz e que passe rápido.

 

Por tudo isto, creio ser um dever  dar a máxima relevância a uma petição on line que corre da associação Acreditar, que propõe o alargamento da licença pela perda de um filho de cinco para vinte dias.

De acordo com a legislação em vigor, a falta pela morte de um filho é considerada de justificada por 5 dias. Não é por existirem mais 15 que a dor se minimiza, aliás, a dor, essa dor que é vivida dentro do seio familiar, nunca mas nunca passará. No entanto, não posso deixar de salientar para o facto do projecto apresentado pelo PAN  a par com a petição que corre pela internet, e que se prevê ter o apoio de todos os quadrantes políticos para que seja aprovado o alargamento para 20 dias de faltas justificadas no caso da morte de um filho.

 

Para além de ser da mais elementar justiça, tratar-se-á antes de mais de uma questão humana. À luz da lei neste momento, quem casar terá o direito a 15 dias de faltas de justificadas e quem que vê um filho morrer, só poderá ver justificadas 5 dias de ausência ao trabalho. Não se entende como não se pode aceitar, que a celebração de um casamento que tantas vezes acaba mal, mereça mais dias “ extra “ que uma dor que se carrega para a vida inteira.

Justiça: o homem que nunca mais deve ser juíz.

Setembro 11, 2021

Sérgio Guerreiro

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Tem sido largamente noticiado as imagens que mostram em directo a forma como um magistrado ferozmente se dirigiu a um grupo de polícias a cumprir a sua missão mesmo à porta do Conselho Superior de Magistratura. Ora, não seria este facto noticiado caso o protagonista deste triste e lamentável episódio não fosse um juíz, que embora suspenso de funções, terá perante a sociedade civil uma responsabilidade acrescida: de passar e fazer passar uma  mensagem de confiança na nossa já tão desacreditada justiça.

 

A qualidade dos órgãos de soberania dependerá sempre da qualidade dos seus agentes e o juíz Rui Fonseca e Castro, não tendo sido o único, não tem de modo algum colaborado para que todos possamos ter a máxima confiança naquele que talvez seja um dos sector mais turbulentos da nossa sociedade.

Deseja-se assim como se exige, que um juíz, tenha um elevado e maior grau de respeitabilidade e seriedade, pilares estes essenciais de ação na vida pública e privada. Notoriamente, a respeitabilidade e seriedade, que transmitem à sociedade confiança nas instituições, foram valores claramente violados em directo perante o olhar incrédulo de milhares  de cidadãos.

 

Felizmente, não podemos partir de um único mau exemplo social, para denegrir toda uma classe, mas de facto, e se olharmos com a devida atenção para os números, poderemos concluir que há uma percentagem significativa de cidadãos que não confiam, nem nos tribunais nem nos juizes. Numa sondagem Aximage para o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias e  TSF, 62% dos inquiridos, são claros ao fazerem uma avaliação negativa do tribunais e dos juízes.

 

O que o juíz Rui Fonseca e Costa protagoniza é elevar estes números para um patamar nunca antes visto até ao seu descrédito total.  É e sempre será relevante, que as instituições e quem as representa, tenham um papel fundamental na construção de uma democracia plena e responsável, que mostre que é capaz de alcançar a sua nobre missão. Como independentes que são, e  titulares de órgãos de soberania, os juizes, para além de inúmeros direitos, têm como é típico de um Estado de Direito Democrático, os seus deveres.

Há muito, que paulatinamente se vem destruído a imagem da justiça, e se o arrastar do tempo, a incapacidade de lutar contra um dos cancros mais penosos para o desenvolvimento de uma sociedade, como é o caso da corrupção e a falta de meios humanos e técnicos, fazem da justiça, aos olhos do cidadão comum, o bobo da corte, não podendo um juíz ou outro qualquer agente judiciário alimentar ainda mais, o total descrédito que a justiça vai tendo. O perigo de tudo isto assenta na incapacidade e na difícil tarefa de reverter esta triste imagem que todos os dias vai dando razão a quem não acredita na justiça e no seu importante papel na construção de uma sociedade mais nobre e justa. Mais grave:  este descrédito, hoje já é em directo. 

 

Dito isto, não terá um juíz direito à sua opinião?

 

É óbvio que sim. Mas poderá  fazê-lo com humildade sem necessidade alguma  de que puxar dos seus galões, sem ofensa e sem mostrar em directo, a sua superioridade “ moral”.

 

É então por tudo isto essencial que, o Conselho Superior de Magistratura, afaste de vez este juíz ( suspenso), que vai todos aos dias dando provas a toda à sociedade que pela postura pública e modo de encarar as situações decorrentes desta crise pandémica, em nada tem contribuído para o bem estar social. Assistimos isso sim,  ao mais vil e gratuito insulto, sempre em “tom maior”  no que respeita à superioridade moral, por parte de quem um dia foi o que por agora já não é.

Importa não esquecer que acima do juíz suspenso Rui Fonseca e Costa, estão os mais nobres princípios orientadores de uma sociedade que se deseja cívicamente evoluída: o respeito pelo outro e a humildade, sendo que, a invocação da superioridade embebida pelo tom da provocação como quem está à espera de uma reação, é  a prova que nos faltava para perceber que Rui Fonseca e Castro não pode nem deve servir os cidadãos em nome da nossa justiça a qual merece muito mais e muito melhor. 

Eis que surge um deputado da nação que não é mais que um mero político apalhaçado.

Setembro 06, 2021

Sérgio Guerreiro

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Definitivamente alguém tem que tirar das mãos do deputado José Magalhães qualquer dispositivo que possa enviar mensagens para uma qualquer rede social. Continua a ser recorrente por este deputado, a maledicência, o insulto e a calúnia como forma de se dirigir à massas, mas todas elas sempre dirigidas para o nada e para o vazio. Nunca quer atingir ninguém, nunca é sobre nada mas sempre pateticamente protegido com a capa da liberdade de expressão.

 

Sobre o caso que não é caso nenhum mas que muito se falou, do anúncio sobre uma escolha individual e pessoal do eurodeputado Paulo Rangel, José Magalhães “ ilustre e mui digníssimo” deputado na nação do Partido que não lhe liga nenhuma, recorreu à sua conta de Twitter para garantir que um comentário que fizera pouco antes na mesma rede social, sobre o que iria acontecer quando Paulo Rangel revelasse que “gosta de uma certa casa de Bruxelas onde se pratica bondage e S&M”, não se dirigia ao eurodeputado social-democrata e não era mais do que “uma extropolação virtual hipotética sem destinatário”.

 

É isto o que de melhor o deputado José Magalhães sabe fazer,  andar por aí nas redes sociais a oferecer por vezes “umas cacetadas terapêuticas” como aconteceu recentemente em uma publicação do candidato do PSD à câmara do Seixal, Bruno Vasconcelos onde o deputado emitiu também umas extrapolações virtuais hipotéticas  sem “destinatário”.

 

Com o seu estilo de fino recorte no uso do vocabulário, José Magalhães usa e abusa de uma linguagem ofensiva, que não é digna para nenhum deputado na nação, sendo por si mesma, reveladora da sua atitude e da sua da inigualável e patética forma de estar na política.

 

Este triste episódio que mais uma vez tem como protagonista o sempre José Magalhães, é aquilo que em bom português se pode apelidar de uma grande sacanice, aquilo a que José Magalhães a bem da verdade nos vai habituando. Ele pode dizer tudo de todos, da forma como quiser e bem lhe apetece, e passa tudo pelos pingos da chuva como se nada tivesse sido escrito, e o respeito pelos outros vai pelo cano neste ritual de lamaçal que José Magalhães vai criando, conspurcando a política e o mais nobre princípio democrático: o respeito. 

 

Mas tudo isto são valores que José Magalhães não sabe o que é, fazendo dele aquilo que na verdade representa: um simples e mero deputado apalhaçado com a mania que é um intelectual. 

Sobre Rangel: um dia isto não será notícia.

Setembro 04, 2021

Sérgio Guerreiro

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Numa entrevista bastante íntima ao canal de televisão SIC, o eurodeputado do PSD que pretende ser o próximo líder do seu partido, assumiu publicamente a sua orientação sexual. A ninguém, esta notícia deveria interessar. Não deveria ter qualquer relevância política ou pública.

Um dia, e este será um desígnio de todos na construção de uma sociedade mais tolerante e capaz de aceitar o seu semelhante tal como é, não será preciso tornar público o que é do foro privado.

 

Mas como na política muitas das suas figuras mais activas são perigosas, hoje Paulo Rangel, assumiu o que alguém possivelmente tinha guardado para fazer explodir. Talvez uma qualquer “ bomba” nas próximas eleições internas do PSD, talvez um vídeo, umas fotos, talvez qualquer coisa com um mero objetivo: fazer cair alguém com mérito.

 

Hoje abriu-se um armário, onde muitos preferem ficar escondidos, mas Rangel, ao seu jeito e no tempo certo, escancarou as portas do poder daqueles que preferem usar como arma de arremesso político uma qualquer escolha da vida privada; e um dia, espero, que isto não venha a ser a notícia nem faça capas de jornais.

 

Mesmo em plena pré-campanha autárquica, Paulo Rangel, que explicando porque razões não assumiu publicamente a sua orientação sexual há quatro anos, fez nascer uma notícia que nunca o devia de o ser. Não tinha que o fazer, mas dentro de um partido em tudo vale, os jogos mais sujos do poder vão acontecendo, e o partido que vai definhando eleição após eleição, Rangel acabou com uma estratégia já preparada por muitos para ser queimado em lume brando.

 

 

Combate à abstenção: porque razão ninguém fala disto?

Setembro 03, 2021

Sérgio Guerreiro

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Aproxima-se a passos largos a data das próximas eleições autárquicas. Dia 26 de setembro, os eleitores são chamados a pronunciarem-se sobre os destinos da sede dos seus concelhos e freguesias elegendo os seus representantes. Na origem da construção do poder local  como hoje o conhecemos, a participação cívica e activa é o seu mais basilar elemento. A resolução de algumas questões do dia a dia, a proximidade entre eleitos e eleitores, é essencial para que o poder local faça sentido devendo este afirmar-se como factor da dimensão concreta da mais nobre expressão da afirmação de cidadania. Para isso, todos somos confrontados com as mais diversas escolhas de programas e não tanto, direi, de ideologias políticas. A cidadania não pode continuar a resumir-se à passividade de renúncia de direitos em surdina. Deve sim, lutar pelos direitos que são devidos a todos.

 

Já anda a caminho a campanha eleitoral para as autárquicas do meu concelho e ouvindo já as mais variadas propostas e promessas de obras, parece que nenhum candidato ao poder local se preocupa em combater a elevada abstenção, que chegou a “ bater” nos 40% nas eleições de 2017. Dos 21.177 inscritos, votaram 12.889.

 

Se é importante no discurso político apresentar os mais variados projectos, não pode de forma nenhuma ser descurada pedir a todos mais intervenção explicando a importância de votar.  Até agora, já ouvimos de tudo: de projetos com verdadeiro sentido, a alguns alguns sonhos que nos querem vender. Mas não deixa de ser gritante que nenhum candidato se preocupe a início, em perceber a razão da abstenção. Se todos os candidatos primam por publicitar políticas locais interessantes, a campanha que se vai fazendo, marcada já pela maledicência, poderá contribui para deixar fugir os destinatários dos projetos apresentados.

A abstenção é um “cancro “social e civilizacional, e o primeiro passo para responder a esta “doença” pode encontrar parte da reposta nos candidatos ao poder local. Pelo que temos assistido, não parece ser este um assunto preocupante. E assim, se ficar tudo na mesma, não faz mal algum. Nada mais errado para quem ser eleito.

 

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